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Quarta-feira, Novembro 25, 2009
OBRIGADA!
É no mínimo reconfortante poder vir aqui, dizer que estou triste, contar coisas nas entrelinhas e mesmo assim ser compreendida e receber um retorno tão carinhoso em forma de conselhos tão bacanas. Isso definitivamente é amizade, é muito bom poder contar com vocês! É muito bom saber que vocês respeitam meu direito de não querer entrar em detalhes. Talvez eu conte algum dia, afinal de contas, ao que minha psicóloga e minhas amigas dizem, fiz tempestade em copo d´água e de repente descobri que não sou a única a descobrir que o namorado fica de papinho de “oibeijomeliga” por aí. O fato meninas, é que do jeito mais improvável e surreal que vocês possam imaginar, tive acesso a alguns e-mails dele e tudo o que li me afetou demais. Enfim, a história é longa e muito complexa, mas resumindo foi isso.
Agora, nada disso mais importa, importante é perdoar e seguir em frente, sem ficar remoendo e jogando na cara e este é meu mais novo desafio. Importante é que desde domingo tenho um namorado diferente e logo na segunda-feira ele já me deu 2 provas bastante boas e louváveis de que as atitudes serão diferentes com as piriguetes daqui pra frente. Construirei novamente a confiança que tenho nele e não aceitarei mais hipocrisias.
E sobre os males que vêm para o bem, mais do que nunca tenho certeza de que este foi um deles, reavaliamos nosso namoro, conversamos muito sobre tudo o que já vivemos até aqui, falamos sobre como nosso namoro é gostoso, como somos felizes e como temos tanta afinidade e como amamos a companhia um do outro, revelamos tudo o que admiramos um do outro, revelamos segredos e sentimentos. Enfim, conversamos sobre coisas que na correria da vida, acabam não sendo ditas, existem coisas que a gente até sabe, mas como é gostoso quando elas são transformadas em palavras, em conversas, em elogios.
E hoje ele vem pra cá pra me levar pra jantar, vamos comemorar o fim do Marevan (o remédio da trombose), vamos ficar juntinhos e matar a saudade que está bem acumulada depois de tanto tumulto.
E a tristeza já foi morar num cantinho do meu coração, porque tive que liberar espaço para uma felicidade imensa que senti ontem. Consegui marcar minhas férias e uma das semanas será na primeira semana de fevereiro, juntinho com as férias dele e estamos naquele clima bem bom planejando nosso próximo destino.
Meninas, muito muito muito obrigada pela amizade que me dedicam!
"Às vezes procura-se parecer melhor do que se é. Outras vezes, procura-se parecer pior. Hipocrisia por hipocrisia, prefiro a segunda." (Jacinto Benavente)
E hoje é aniversario do caçulinha da família!! Meu irmão está completando 26 aninhos!!!
por Freda Franchin às 4:54 PM
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
MALES QUE VÊM PARA O BEM?
No terceiro ano da faculdade de jornalismo aprendi sobre gerenciamento de crise na matéria Assessoria de Imprensa. Pena que nunca aprendi a gerenciar crises em namoros.
Hoje não vai ter post sobre um fim de semana feliz. Estou tentando encontrar uma maneira, uma palavra, sei lá, algo que possa descrever como foi o fim de semana, mas acho que não existe uma maneira. Na madrugada de sexta para sábado, depois de voltar de uma noite feliz a base de caipisake de kiwi na Cachaçaria com minhas amigas, eu fiquei completamente irracional, fiquei insana, passei a noite em claro e tive o sábado mais estranho de toda a minha vida.
Prefiro não contar o que aconteceu, mas esclareço que não teve nada a ver com Salvador. O fato é que meu namorado é um tipo de homem que quem convive com ele percebe como ele tem perfil de homem fiel, correto, de caráter, todo certinho, sério, todo mundo acha que ele é um santo, perfeito, um desses homens em extinção. E quando é assim, a decepção é dupla, porque você não espera que aquele cara tão perfeito aja como um cafajeste.
E no meio do desespero, fui para o cemitério, depois de pelo menos 3 anos sem visitar o túmulo do meu irmão. E foi tão estranho, uma atitude tão irracional, como se meu corpo dirigisse o carro sozinho, como se minhas pernas caminhassem sozinhas, como se algo me guiasse até lá. Me guiasse até aquele lugar que estranhamente me dá tanta paz. E lá eu me acabei, juro que pensei que fosse ter um colapso ali sozinha e de repente, a paz foi chegando, foi iluminando meus pensamentos, me fazendo enxergar tudo com mais clareza. Depois que eu perdi meu irmão, de alguma maneira imbecil, pensei que tinha ficado imune a grandes sofrimentos, pensei que já tinha contribuído com minha cota.
Não foi fácil sobreviver ao sábado com tantos pontos de interrogações na cabeça e tendo que esperar ele chegar de Salvador. Quando ele finalmente chegou na minha casa, tarde da noite de sábado, tivemos uma conversa muito séria. Quase terminei o meu namoro, eu não quis saber dos presentes que ele trouxe de Salvador, não quis saber da viagem e nem da saudade imensa que eu estava dele. Decepção é a palavra que descreve o que eu estava sentindo. Sabe quando você conhece uma pessoa, a acha cheia de qualidades, é quase capaz de colocar a mão no fogo por ela e de repente descobre que ela não é exatamente como você pensava? Que muitas das coisas que ela prega não condizem com suas atitudes?
E depois de muita conversa e de muita promessa, decidi dar mais uma chance no domingo. Fomos para Ribeirão ver um filme no cinema no final da tarde, mas a tristeza viajou com a gente. Eu magoada, ele envergonhado. Eu ainda não sei se posso confiar nele de novo e nem sei se vou conseguir. E é por isso que eu digo meninas, não confiem cegamente, não achem que seus homens são perfeitos! Infelizmente é necessário, é inteligente confiar desconfiando.
E é intrigante como tem sempre aquela amiga infeliz, com um namoro fracassado, que vai fazer inferno, que vai enfiar coisas na sua cabeça, que vai te deixar mal. E que vai te contar as coisas com uma satisfação plena, em êxtase por saber que você está sofrendo. E depois não vai sequer disfarçar a má intenção te ligando para perguntar como você está. Ainda bem que também têm aquelas que vão te ajudar a enxergar as coisas como realmente são, sem paradigmas, sem ilusões, sem raiva. Ainda bem que tenho a Sil na minha vida!
Ainda não sei se tomei a atitude certa quando resolvi dar mais uma chance, nem sei se existe uma atitude certa a ser tomada, eu só fiz o que meu coração mandou.
Por isso que não entendo como existem mulheres que conseguem perdoar uma traição. O o que meu namorado fez não chega aos pés de ser uma traição, e mesmo assim, tem sido bem difícil seguir em frente, continuar acreditando que ele vale a pena.
Quando seu namoro chega num ponto em que se pensa em terminar, milhares de cenas passam por nossa cabeça, momentos, viagens, conversas, sentimentos, sensações e nessa hora você descobre, mais do que nunca, o que realmente sente, descobre que seu amor é maior do que tudo, é capaz do inimaginável. E é bom ter certeza de que o sentimento é verdadeiro, apesar das circunstâncias.
Mas eu acredito que há males que vem para o bem e a maneira como ele tem agido agora me faz acreditar que este é um desses males. Desses que vem para abrir os olhos, para ensinar, para dar um tratamento de choque.
Não sei se já contei pra vocês, mas eu nunca fui traída, não que eu tenha ficado sabendo, e depois deste fim de semana tenho certeza, jamais conseguiria perdoar uma traição.
Dizem que o que não mata engorda, meu desejo é que depois que toda essa mágoa for embora, nosso namoro saia fortalecido.
por Freda Franchin às 2:54 PM
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
REVOLTADINHA
Então é isso gente, admito que depois do show do Chiclete fiquei meio surtada com a viagem dele. Pra falar a verdade fiquei beeeem surtada. Até porque eu sou mega controladora e ele não me dá muitos detalhes, fico muito curiosa. Controladora que sou, fiquei a um passo de pedir um relatório diário com TUDO o que ele fez durante o dia, nos míííínimos detalhes, ele, no entanto, se resume a dizer: hoje fui na Praia do Forte e quando eu peço os detalhes, ele fica bem irritado. Afinal de contas, homem detalhista é coisa rara, né?!
Mas acho que ele poderia estar sendo mais atencioso sim, estar me contando mais as coisas para me deixar mais calminha e com menos sede de vingança. Eu não sei de praticamente nada, não sei, por exemplo, o que ele tem feito durante a noite, não sei que horas tem chegado, se só tem ido jantar ou se tem ido para barzinhos, não sei direito nem o que tem feito durante o dia. E eu comecei a ficar me sentindo meio otária de ficar trancada dentro de casa enquanto ele está lá, fazendo sabe Deus o quê. E nem estou falando de traição não, estou falando de baladas, barzinhos, etc. Aí que saí ontem pra me distrair e voltei pra casa mega feliz. Afinal de contas, deve ser bem bom pra ele estar lá em Salvador, pensando: minha namorada está em casa vendo novela. Confortável a situação pra ele, né? E homem, vocês sabem como é, infelizmente precisam de uma insegurançazinha para acordarem pra vida. Então é isso, saí ontem com minhas amigas e vou sair hoje de novo! Vou fazer um happy hour com o pessoal do trabalho e mais tarde noite vou pra um bar badaladinho com a Aline e a Sil.
Acontece que depois do show do Chiclete com Banana ele tentou se explicar com os seguintes argumentos: “era a festa de encerramento do congresso, todo mundo foi, você queria que eu ficasse sozinho no hotel? E nem era um show propriamente dito, não tinha o menor clima de micareta, como você deve estar pensando, era um jantar, com buffet e mesas e eu continuo odiando Chiclete e aquele povo pulando feito retardado”. O estranho é que mesmo não gostando ele ficou lá até às 4:30. Mas os argumentos não me impediram de ter uma crise de ansiedade e lá fui eu para o ambulatório da empresa com contrações involuntárias na pálpebra, que começaram na quarta-feira e duram até o atual momento. O neurologista me receitou Rivotril, mas entre o Rivotril e a caipirinha, hoje, definitivamente, vou escolher a caipirinha!
Perceberam o tom revoltadinho do post, né? Pois é, às vezes fico irracional assim mesmo e viro adolescente! Me deixa! Não aceito lições de moral a esta altura! Até porque hoje é feriado pra um monte de gente, menos na minha cidade!
por Freda Franchin às 4:02 PM
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
V DE VINGANÇA
Infelizmente algumas pessoas precisam sentir na pele algumas coisas para se darem conta do que provocam nos outros, para aprenderem a se colocar no lugar do outro. Eu sou mega vingativa, mas não é minha culpa, é culpa do meu signo, sou escorpiana, raça ruim e não sossego enquanto não me vingo exatamente na mesma moeda! Não adianta discutir, explicar como você se sente, a pessoa não vai entender, até que sinta na pele.
É como fez uma amiga minha. Uma vez o namorado dela saiu com um amigo e quando chegou no bar tinha uma mesa com várias amigas solteiras do amigo, acabou que eles sentaram lá e passaram a noite batendo papo com as moças. Quando ele contou, minha amiga ficou furiosa, mas ele se defendia como se o acontecido fosse algo totalmente inocente. Até que recentemente ela contou pra ele que foi num clube e que depois chegaram uns amigos de sua amiga e acabaram ficando todos juntos batendo papo. Quando ela contou pra ele, ele perguntou, furioso, “mas como vocês conheceram eles?” Ela respondeu: Então, lembra aquele dia em que você saiu com o fulano e acabou encontrando umas amigas dele? Foi exatamente assim!
E olha que ela nem é escorpião!
por Freda Franchin às 2:48 PM
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
SOBRE A DATA QUERIDA
Minha festa de aniversário foi IN-CRÍ-VEL!!! Não faltou um único convidado e foi tudo muito divertido.
Pra mim é sempre muito especial e significativo reunir minhas amigas de infância, até porque esses encontros normalmente só acontecem mesmo no meu aniversário e ainda assim, quando todas estão na cidade. Estou falando daquelas amigas que já falei tanto aqui, aquelas de quem sou amiga grude desde os 5 anos: Karina, Juliana, Alessandra, Silvana, eu e minha irmã. E a “família” só aumenta, a Jú já é mamãe do Carlinhos de 3 anos e este ano minha festa teve a participação especial da caçulinha da turma, a Mari, de 9 meses, baby da Ka, que, sem sombra de dúvida, foi a atração da noite, com seu look fashion e suas gargalhadas irresistíveis.
Além disso, minhas amigas do trabalho também compareceram em peso, com seus respectivos. A princípio eu queria convidar só pessoas de casa, essas que se sentem mega a vontade e se viram sozinhas, mas ainda bem que mudei de ideia, porque foi bom demais ter as queridas do trabalho por perto, mesmo que eu acabe ficando um pouco tensa tentando dar atenção e servir todo mundo. No fim da noite tudo virou uma grande festa, com todos já em pé, bebendo cervejinhas, comendo churrasco e batendo altos papos ao som de Lenny Kravitz. E obriguei todo mundo a me dizer a cada 5 minutos que aparento ter 22 anos!
E eu ganhei muitos presentes e abraços e tomei muita caipirinha e conversei muito e senti muito a falta do meu Amore.
Mas.... fiquei bem chateada quando ele avisou que estava indo para o show do Chiclete do Banana (festa de confraternização do congresso, muuuito sério esse congresso hein!!). Gosto de deixar meu amor livre, sempre o incentivo a sair com os amigos, mas eu já tinha falado várias vezes que existem lugares e lugares e um show do Chiclete com Banana em Salvador, definitivamente não é o tipo de lugar que eu acho bacana um cara comprometido ir sozinho. Principalmente ele, que não bebe, não dança e detesta Chiclete com Banana. Nem me passou pela cabeça que ele fosse. Entendo que faz parte de todo um contexto, já que fazia parte da programação do congresso e que todos os amigos dele iam, mesmo assim, penso que ele já está se divertindo tanto lá em Salvador, não precisava ter ido ao show. Magoei. Mas não vou brigar, não com ele tão longe de mim, só quero deixar bem claro que não achei a atitude legal e só. E também quero deixar bem claro que já vou comprar os ingressos para irmos juntos à próxima micareta. Juntos sim, porque continuo achando que este não é um lugar aonde se vá sozinho numa boa. Vocês acham que estou exagerando?
Acontece que além de eu ter ido dormir tarde, dormi mal a noite inteira, por conta de pensamentos neuróticos e perturbados sobre o maldito show, até Dramim e Polaramine tomei pra conseguir pegar no sono e nada. E hoje é meu primeiro dia de balzaquiana e só consigo pensar na minha cama. A questão é: como vou sobreviver até o fim do dia com esse tanto de sono que estou sentindo?
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Minha leitora queridíssima Mari fez um post em minha homenagem, acreditam?!?! Tô tentando acreditar até agora!! O blog da fofa é: http://www.particularmente-infinito.blogspot.com/
Já coloquei as fotos da minha festa lá no meu buzznet, ali embaixo, do lado esquerdo. Reparem no look fashion da Mari!!
por Freda Franchin às 11:09 AM
Terça-feira, Novembro 17, 2009
DE REPENTE 30
Agora sim, sou oficialmente uma balzaquiana. Tenho 30 anos e não me sinto nadinha como a Bridget Jones. Estou amando demais fazer 30 anos. Se bem que sempre amei fazer aniversário. Me sinto mega especial, como se uma luz intensa brilhasse em mim. Minha mãe diz que o aniversário é nosso natal particular. E eu tenho recebido parabéns de pessoas muito muito queridas e parabéns de jeitos muito muito lindos, queria ter gravado as palavras ditas por um colega de trabalho para colocá-las em prática em cada dia da minha vida. Fiquei toda feliz quando meus sogros, cunhada e sobrinha me ligaram, eu nem esperava. Está tudo lindo no meu dia que mal começou, tenho certeza que muita coisa boa ainda está por vir. Quando recebo tantas demonstrações de que sou querida, fico pensando se mereço tanto, queria ser menos modesta, acreditar mais em mim. Faz feliz receber tantas palavras boas, de incentivo, de força, de carinho, isso só pode atrair energias muito positivas.
Mais tarde vou buscar os salgados e refrigerantes para minha festinha no trabalho e à noite receberei os amigos na minha casa, para o churrasco, cervejinhas e apagar as velinhas, que só aumentam. Meu dia começou muito feliz bem cedinho, quando às 7 da manhã o interfone tocou e me deparei com uma mega cesta de café da manhã e um cartão todo fofo do meu amor, que já tinha me ligado à meia noite me acordando só porque queria ser o primeiro a me parabenizar. Eu jamais esperei por algo tão lindo, estando ele tão longe de mim. Mas logo descobri que ele combinou tudo com a minha irmã.
E hoje também é aniversário do meu pai!!! Parabéns pra nós!!!
por Freda Franchin às 3:31 PM
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
MULHER DE 30
"Eu raramente acabo onde gostaria de ir, mas quase sempre acabo onde preciso estar" (Douglas Adams)
Então é isso, estou a 1 dia de fazer 30 anos (oi Balzaq). É no mínimo estranho. A sensação é que vou atravessar uma fronteira. É como se agora sim as coisas vão ficar sérias pra valer. Como se até agora eu tivesse feito só um estágio e agora serei contratada. Li um texto muito bem indicado por um anônimo que diz: “Fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar. Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural”. É isso, exatamente isso que estou sentindo, é completamente diferente de qualquer outra idade que completei. É exatamente um ato inaugural. Um rito de passagem para a vida adulta.
Fazer balanços, reavaliações e análises é inevitável. Até meus diários de adolescência já li neste processo de autoanálise. Muito mais que em outras idades, fazer 30 anos é refletir incansavelmente e exaustivamente sobre tudo que já realizei até aqui. Não sou mais a garota magrela de bermuda de coton e camiseta larga, sou, definitivamente, uma mulher de calça social, blazer e brinco de pérolas. Sou uma mulher que usa creme anti-rugas e se preocupa com os recados que o tempo manda em forma de linhas no rosto.
Me lembro de quando completei 20 anos, tinha acabado de entrar na faculdade e me achava super velha e descolada, achava o máximo ter 20 anos, me sentia completamente adulta e madura quando respondia que era universitária. Agora, 10 anos depois, olho pra trás e percebo que eu não tinha nada de adulta, era completamente imatura e inexperiente, era tola ao extremo.
Completar 30 anos inclui toda aquela “obrigação” de já estar casada, estabilizada na carreira e com filhos e casa própria. E essa cobrança vai sendo passada de geração para geração. A gente cresce escutando que a ordem certa das coisas é estudar, casar e ter filhos. Tem que ter casa própria, carro na garagem, aposentadoria privada, investimentos, tem que fazer pelo menos 1 viagem bacana por ano. Enfim, é uma lista imensa e sem fim, mas quem dita essas regras que são impregnadas em nosso inconsciente e nos fazem ter vontade de seguir o roteiro, mesmo quando nem sabemos se este realmente é nosso desejo? Quero dizer, você quer se casar porque cresceu ouvindo que esta é a coisa certa a fazer (foi programado para querer) ou você quer casar porque quer mesmo?
Minha mãe se casou aos 25 anos e teve o primeiro filho (eu) aos 29. Este modelo, comparado ao das mães das minhas amigas, que se casaram muito mais cedo, normalmente aos 19, 20 anos, era perfeito pra mim. Eu vivia repetindo que ia me casar aos 25 anos e dizer isso quando eu tinha 15 anos, era moderno. Hoje, falar que quer casar com 25 anos, é considerado cedo. Minha geração passou por toda uma reformulação de padrões, foi uma das primeiras, para não dizer que foi a primeira, que começou a entender e a colocar em prática que 30 anos é muito cedo para já estar casada, com filhos e super bem na carreira. São raros os casos de mulheres que priorizaram a carreira (tem que dar tempo de se formar, fazer pós e mil cursos) e já estão casadas e com filhos. Tenho no mínimo 3 amigas que já estão divorciadas (tenho uma que já é viúva!!! Medo), tiveram filhos e nunca fizeram faculdade. Hoje estão divorciadas, criam seus filhos sozinhas e sem matam de trabalhar em balcões de Pernambucanas, Casas Bahia e supermercados. Aquela coisa de trabalhar não por prazer, não por realização profissional, mas pelo salário no fim do mês. Não que esta não seja uma vida digna, mas sei que todas elas, se pudessem escolher novamente, preferiam ter deixado o casamento e os filhos para mais tarde e fariam uma faculdade antes.
Vejo minha situação como ideal. Perfeita. Amanhã completo 30 anos, tenho uma carreira bem encaminhada (mas não satisfatória), tenho um namorado bacana que faz planos comigo na medida em que um namoro recente permite (porque nós 2 concordamos que casamento só depois de um tempo suficiente de namoro, depois de conhecer muito bem), não tenho filhos, tenho tempo para fazer minhas coisas de pessoa individualista, vivo numa harmonia perfeita com minha família, tenho o corpo que sempre sonhei. Enfim, me autoparabenizo por estar exatamente onde estou, acho o máximo não ser casada e nem ter filho aos 30 anos.
Hoje penso da seguinte maneira: porque vou ter pressa (pra casar e ter filhos) para fazer algo que vai ser para o resto da vida? Sei que cada caso é um caso e existe muita gente que se casou aos 20 e tem um casamento bacana. As estatísticas mostram, no entanto, que estes casos são exceção, raridade. A cabeça muda tanto entre os 20 e 30, que chega a ser impressionante o que 5 anos representa na cabeça de um jovem. É uma revolução de ideais, sentimentos, pensamentos, planos, desejos. Leio coisas que escrevi aos 24, 25 anos e é impressionante meu amadurecimento.
Com relação à carreira, esta sim, eu preferia que fosse diferente. Desejei muito e até cheguei a ter certeza de que aos 30 anos eu estaria satisfeita financeiramente. Mas definitivamente não é meu caso, tenho um cargo e tanto. Um cargo com o qual não desejei nem em meus melhores sonhos, um cargo que parece tão grande que achei que só teria depois de muitos anos de profissão. Mas com apenas poucos meses de formada eu já havia assumido a revista e até hoje sou responsável por uma grande e respeitada revista do setor agrícola. É coisa de gente grande, mas meu salário não é condizente a toda esta responsabilidade e isso me entristece.
Se eu contasse para a Freda de 14 anos, aquela que estava no auge da descoberta de seu grande dom da escrita, que daqui há 16 anos ela escreveria sozinha uma revista de 45 páginas sobre agronegócios, definitivamente ela não iria acreditar. Mas esta é a minha realidade, na teoria meu trabalho é o máximo, um arraso, mas na prática, o holerite ri da minha cara todo mês me lembrando de que não sou uma mulher bem sucedida.
Por outro lado tento me lembrar que ainda nem completei 2 anos de formada e que pensando por esse lado sou sim mega bem sucedida, afinal, que recém formada assume uma das revistas mais lidas de um setor?
Mas tenho meus arrependimentos e minhas culpas neste quesito profissional, até que comecei bem, tive meu primeiro emprego aos 18 anos, mas foram milhares de empregos, estive sempre muito perdida entre a publicidade e o jornalismo. Fui parar na publicidade sem nem saber direito do que se tratava e demorei tempo demais em empregos demais para decidir que aquilo não era pra mim, que eu queria escrever textos longos. E até que me considero corajosa de ter começado a segunda faculdade aos 24 anos.
De qualquer maneira, acho que está tudo muito bem encaminhado. A carreira, o casamento, os filhos. Porque apesar de ter uns pensamentos malucos, cheios de idealismo, no fundo sou só uma mulher como todas as outras, uma romântica incurável que sonha muito em viver uma vida de conto de fadas e brincar de casinha, em ter marido, filhinhos e tudo o mais que o roteiro inclui.
Meu namorado escreveu no meu cartão de aniversário que ele tem certeza que eu nunca estive tão linda e ele tem razão, vejo minhas fotos de 4, 5 anos atrás e, tirando uma ruga ou outra, estou muito melhor agora. Em todos os aspectos, me sinto no auge.
Os 30 anos são maravilhosos, amo a cabeça que tenho hoje, mas se Deus me permitisse um palpite, preferia que esta idade maravilhosa chegasse sem rugas, cabelos brancos, dores nas costas, lei da gravidade e energia de menos.
por Freda Franchin às 3:51 PM
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