Freda Franchin, 24 anos. Mora com duas amigas em Ribeirão Preto e adora o seu cabelo. Tem mil planos e projetos, mas normalmente não consegue realizar nenhum. Adora brócolis e pimenta. Na cozinha só sabe fazer o trivial, mas o tempero de seu feijão é capaz de conquistar um coração. Sonha em conhecer o Tahiti e a Austrália, mas no fim vai acabar indo para os Estados Unidos, que é onde mora seu tio preferido. Tem três avós vivas e 3 avôs falecidos. Tem primas trigêmeas, dois primos americanos e 2 primas gêmeas francesas. Também tem uma bisavó alemã, mas nem a conheceu. Tem um irmão nadador que é lindo de viver. Adora MPB e sua música preferida é Wave do Tom Jobim. Na verdade, ela tem várias músicas preferidas. Mas odeia rap. E funk. E pagode. Faz estágio mesmo depois de formada. Já quis ser psicóloga, jornalista, turismóloga, advogada e hoje é uma publicitária frustrada, que continua querendo ser jornalista e psicóloga. Quer fazer pós-graduação, mas não sabe em quê e nem onde. Talvez em marketing de relacionamento ou marketing de varejo. Quando adolescente colecionava a revista Capricho, na verdade, parou de comprá-la há apenas dois anos. Hoje só pega o jornal para ler a coluna do Zé Simão e também adora a revista Nova. Tirando bula de remédio, lê tudo que lhe cai nas mãos. Adora escrever, mas odeia gramática. Já escreveu dois livros, mas não plantou nenhuma árvore e o filho só vem depois dos 30. Ele vai se chamar Gabriel. Já apresentou cinco namorados para os pais. Mas o maior amor de sua vida foi o Renato, com quem namorou durante quase 5 anos. Não tem ídolos, mas também não tem fãs. Odeia gostar de coisas que todo mundo gosta. Tem nove graus de miopia no olho direito e quatro no esquerdo. Sim, ela é praticamente cega. Tem pavor de agulha e já levou pontos na palma da mão. Sim, ela fez o maior escândalo. Foge quando tem que tomar vacinas. Vive dando ordens para o seu coração. Nunca teve catapora. Já ficou internada duas vezes, as duas por causa do dente do siso. Faz tratamento para espinha desde os 12 anos. Com o mesmo dermatologista. Já fez dieta para engordar. Engordou quatro kilos e os perdeu em 1 mês. Tem umas manias esquisitas, como passar creme nívea na boca e só dormir se tiver um copo d´água ao lado da cama. Dançou jazz e bale por cinco anos. Já fez aulas de caratê, mas parou depois de levar um soco no nariz e começar a chorar no meio de uma competição séria. Hoje não faz mais nada e não anda a pé nem até a esquina, mas começou a fazer musculação porque todos os kilos com os quais ela sonhava quando adolescente, chegaram de uma vez e foram todos para a sua barriga. É curiosa, mimada, fresca, carinhosa, confusa e tem sono demais. Adora comida chinesa. Estuda na USP, mas nunca prestou o vestibular da Fuvest. É porque ela é aluna especial do curso de Administração, enquanto não se decide pela pós-graduação. Se formou no curso de inglês, mas já esqueceu quase tudo. Não acredita no amor e tem medo de casamento. Já trabalhou quatro anos no cartório de sua mãe, daí os traumas de casamento. Já teve um amor platônico e morre de saudades dele. Aliás, ela é uma pessoa muito nostálgica. Sempre fica amiga de seus ex-namorados. Nunca fumou, mas bebe sempre que sai pra balada, principalmente vodka com schweppes citrus. Mas sempre acaba passando mal e a ressaca no dia seguinte é fatal. Nunca teve cólicas, nem TPM. Sua primeira vez foi aos 18 anos, mas ele foi embora para os Estados Unidos duas semanas depois. Ela pensa nele até hoje e sonha em reencontrá-lo, embora ele a tenha feito sofrer muito. Ela já beijou um inglês chamado Sean e também um argentino com nome de sabão em pó, chamado Ariel. Tem um irmão intelectual. Já bateu o carro duas vezes. As duas na mesma esquina, no mesmo ano e no mesmo dia da semana. Hoje tem uma Honda Biz, chamada Penélope, mas continua sonhando com seu Golf branco e a sua Cherokee preta que é bem provável, não virá nunca. Tem uma família maravilhosa, unida como pouco se vê por ai. Tem uma irmã linda. Que vai ser nutricionista e vive passando dieta pra todo mundo. Tem uma amiga enfermeira, que também é sua cunhada. Tem sete melhores amigas. Seis ela conhece desde criança. Já beijou três negros, um deles foi a sua paixão por quatro anos, outro foi seu professor de caratê. Sua festa de 15 anos foi um acontecimento em sua cidade. Não, não teve valsa nem ator famoso. Mas teve Dj e muitos convidados. Muitos mesmo. Reprovou três vezes no exame de motorista. Raramente vai à praia. Adora bebês, mas não sabe se vai conseguir ter um. É por causa do parto, que envolve agulha. Seus pais são apaixonados. E também são apaixonantes. Sua casa vive sempre cheia de pessoas queridas e amigas. A maioria, amigos de seu irmão. Seus pais vivem dando festas e ficam tocando violão até altas horas. Eles cantam num coral da cidade. Sua mãe faz aulas de canto e violão. E seu pai tem uma voz e tanto. Eles vão à academia juntos. Todos os dias. Não disse que eles eram apaixonantes?! Tem 1,57 de altura. É viciada em gloss e Ades de maçã. Só toma leite integral. Com nescau. Sempre tem filme em sua máquina fotográfica. Revela dois filmes por mês. Sim, ela adora fotos. Não gosta de homens loiros, mas um de seus grandes e inesquecíveis amores é loirinho. Lindo! Apesar de tudo, acredita que a felicidade está nas coisas simples da vida e embora não acredite em destino, espera que tenha coisas muito boas reservadas para ela.

E-mail
lyzzarp@hotmail.com

Vida de Universitária




Paula - Uma vida menos comum
Luciana - Vou Falar
Little - Meu Mundinho
Leonardo - Tlon, Uqbar, Orbis Tertius
Renata - Meu Umbigo
Mari - Super Mari
Miss Lex - Miss Lexotan 6mg
Estela - Menina do Rio
Fernanda - Idealizando
Karina Bedaque - Fashion Life
Nina - Devaneios da Nina
Lises - Recém Casados
Carol - Só Hoje
Américo - Vida em Família
Carla - Mãe Solteira
Groo - O Dia do Bastardo
Marlon - Galeria Sr. Osmarlon Freire
Anna Laura - If you sad
Junior, Cisi e Didi - Homem solteiro também sofre



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Quarta-feira, Abril 28, 2004

PENSANDO ALTO


Ando preguiçosa, com os pensamentos sempre no futuro. Há um mês não dou as caras na academia, sinto saudades do que um dia, eu precisei fugir. Passo os dias trancada no meu quarto, escrevendo feito uma louca e lendo desenfreadamente, como não lia há tempos. Tenho comprado 2 ou 3 livros por mês, enquanto não tenho o meu próprio. Penso no meu próximo semestre como universitária, de novo universitária. Tantas coisas a fazer, tantos papéis para levar pra análise e eu com essa preguiça de viver. Andei pensando em estudar letras, mas o jornalismo ainda continua firme e forte na minha cabeça. Tenho um convite para trabalhar num jornal em Bebedouro, mas será que voltar pra lá me faria feliz? Ando consumista, saio de casa e esqueço propositadamente o cartão de crédito, consegui 2 idas ao shopping, voltando pra casa sem nenhuma sacola. Detesto o inverno, detesto a Penélope no inverno, detesto esse ventinho frio e eu odeio a minha jaqueta jeans. Meu ouvido esquerdo está inexistente desde ontem, estou surdinha e nem sei porque. A parte boa é que agora temos speedy aqui na rep. e eu posso escrever mais do que nunca. O curso de redação tem me feito crescer de uma forma como eu nunca imaginei. Os elogios e as críticas da professora tem me feito acreditar. Os debates tem me feito discutir assuntos que nem eu mesma sabia que conhecia. Tenho mania de mandar mensagens pelo celular. Semana passada fui ao cinema sozinha, ver um filme chato. Mas no fim de semana eu vou ao cinema acompanhada, muito bem acompanhada. O mais engraçado é que eu adoro ir ao cinema sozinha. Sinto saudades da minha irmã e ando preocupada com o meu irmão, que nesta semana, entrou para a escola da polícia. Passarei todos os fins de semana de maio viajando: Ibitinga, Araraquara, Tabatinga. Eu adorei conhecer boa parte de meus leitores. Amanhã começa a maratona dos aniversários. Praticamente todas as minhas amigas fazem aniversário entre maio e agosto. São mais de 10 presentes!!! Já se passaram 6 meses desde que terminei com o Re, muitas coisas não aconteceram da forma como eu pensei, mas em uma coisa eu estava certa: eu não o amo mais. Apesar dessa minha vidinha esquisita e ociosa, a felicidade continua estampada no meu rosto em todos os momentos e eu estou cada vez mais apaixonada pelo Danilo. Amanhã, uma hora dessas, faltará poucas horas para eu estar nos braços dele, em Campinas! Meu queridinho, está chegando a hora!!!


por Freda Franchin às 2:01 PM

Domingo, Abril 25, 2004

BONS TEMPOS



Definitivamente Bebedouro é uma cidade em absoluta decadência. Sair pra comer pizza com os amigos em pleno sábado a noite é algo que jamais passaria pela minha cabeça uns 7 anos atrás. Saindo da pizzaria, alguém deu a brilhante idéia:
- Vamos dar uma volta!
Vamos!!! Vamos dar uma volta só pra nos certificarmos da droga que é essa cidade! Manos, molecada, gente feia e de mau gosto por todos lados. Onde estão as pessoas bonitas dessa cidade? Onde estão os playboys e as patricinhas? Onde estão os bons partidos? Onde estão as pessoas da minha idade e da minha época?!?!? E em meio a tanta revolta foi impossível não acabarmos a noite mergulhadas na mais pura e deliciosa nostalgia. Alessandra, Silvana e eu, relembrando juntas os velhos e bons tempos. Boas festas, bons bares, boas danceterias, gente bonita, descolada, interessante. Manos de um lado e playboys de outro, assim era bem melhor. E aquele Muro de Berlim imaginário realmente existia dentro da cabeça de cada um, separando os dois clubes, de diferentes classes sociais. Assim era a minha doce Bebedouro de que eu tenho saudade. Preconceito talvez, mas toda cidade é assim. Bebedouro não é mais. Impossível fugir dessas pessoas feias e sem graça, elas estão por toda parte, freqüentam os poucos bares charmosos e as raras festas boas.
Nos velhos e bons tempos, Bebedouro era maravilhosa. Todo final de semana íamos à boate, onde só encontrávamos os nossos conhecidos amigos burgueses. Existiam os bailes (é, baile!!!) do Bebedouro Clube, onde algumas vezes por ano era reunida a elite da alta sociedade bebedourense. Sim, porque Bebedouro é uma cidade de famílias tradicionais, como os Matarazzo e os Junqueira Franco. E naquela época, de fato, tudo se resumia aos sobrenomes. Caio Junqueira, Gabriela Kfouri, Fabinho Arjona, Andréa Muller, Fernando Matarazzo, Rafael Manzi, Heloísa Hotz, assim eram conhecidas as pessoas da minha época.
Hoje em dia tem boate só de vez em quando, os bailes (é, ainda tem bailes!!!) já não são tão bons e tão freqüentes, os bares já eram e a única coisa que garante o divertimento da galera são as festas do Los Karas que acontece no máximo 5 vezes por ano, onde é preciso, quase necessário, pagar R$ 40,00 para ficar no camarote, bem longe dos manos que invadem a festa com força total. Mas eu não posso me esquecer da Cachaçaria Água Doce, que é um bar bem charmoso, interessante e caro, que os manos, inacreditavelmente, ainda não freqüentam. Eu disse ainda!
Ah, e tinha o carnaval do Bebedouro Clube!!! Os melhores carnavais da minha vida, eu não abria mão do carnaval de Bebedouro por nenhum tipo de convite, o carnaval de Bebedouro era sagrado! Todas as minhas amigas reunidas naquele salão, as 4 noites e as 2 matinês mais esperadas do ano. Os shortinhos, a nossa fantasia podre de odalisca, os porres de Jhonny Walker, os lança-perfume e todas, todas as minhas amigas por perto! Descíamos à pé, bêbadas, cantando e pulando pelas ruas, não dá pra me esquecer das músicas da época, de como todo mundo se conhecia e se divertia junto, de como era bom ter todas as minhas amigas por perto. Só que alguns anos depois, quando eu já estava apaixonada pelo carnaval de Barretos, o Bebedouro Clube começou a fazer só 2 noites de carnaval e é assim até hoje.
Fico pensando nos adolescentes de hoje em dia, coitados, ou se misturam ou não saem de casa, já não podem encontrar bons partidos, nem mesmo podem sair para dançar todo final de semana.
Tudo isso porque o clube dos manos simplesmente fechou, quebrou, acabou! Ok Ok, eu sou mesmo preconceituosa com isso, mas sabe, é que eu gosto de gente bonita, interessante, bem vestida. Saudades dos velhos tempos...


por Freda Franchin às 3:09 AM

Quarta-feira, Abril 21, 2004

A POLÍCIA E O MEU IRMÃO


Eu nunca tive um bom relacionamento com policiais. Engraçado que tudo começou bem, eu tinha 10 anos e estávamos indo para o casamento de uma prima em São Carlos, com nossa velha Belina amarela. E bota velha nisso! E a minha mãe só se desfez dela na páscoa de 99, quando meu pai, bêbado, deu PT na pobre. Mas então, voltando aos policiais. O fato é que o carro quebrou no meio da rodovia, quase em frente a um posto da polícia. Salvos pelo gongo. Meus pais e quatro crianças à beira da estrada, atrasados para o casamento do qual meus pais seriam padrinhos. Acabamos passando horas no posto da polícia, enquanto consertavam o carro. E eu ainda posso me lembrar de algumas cenas, me lembro que eles nos deram comida e nos deixaram assistir televisão. E eu fiquei com essa impressão de que policiais eram bonzinhos durante vários anos. Depois ainda tive mais algumas boas experiências, como quando eles trocaram o pneu do meu carro as cinco da manhã, depois que eu saí de uma balada ou quando não me deram aquela multa que eu merecia.
Mas ai teve aquele episódio de apontarem a arma pra mim e pedirem que eu saísse do carro com as mãos na cabeça, aquilo foi um trauma para a vida toda, acho que eu nunca vou me recuperar do susto e ainda me levaram cinco pontos da carteira de motorista. E foi assim que eu comecei a ver que eles não eram assim tão bonzinhos. Mas depois, pra piorar as coisas eles prenderam o meu namorado. Mas não foi o fato de tê-lo prendido que me fez odiá-los e sim tudo o que eu conheci daquele mundinho depois disso. Corrupção. Sujeira. Mentira. Drogas. Tanta sujeira que chega a dar nojo.
E em meio a tudo isso eu cresci ouvindo um irmãozinho caçula, 4 anos mais novo do que eu, que era um pirralho nervoso e chorão com os cabelos tão dourados quanto os do Pequeno Príncipe, falando que seria delegado. Era bonitinho ver aquele menininho louro e nervoso falando com tanta convicção do que seria quando crescesse. Mas e não é que ele cresceu mesmo e cresceu tanto que se tornou o mais alto e intelectual daqui de casa?! Quem diria que aquele pirralho nervoso iria se apaixonar por Vinícius de Moraes e Chico Buarque? Quem diria que iria discutir política e economia com o meu pai? Quem diria que teria seus e-mails críticos publicados na Folha de São Paulo? Quem diria que aquele moleque anti-social que fugia de suas próprias festas de aniversário e que nunca participava das festas de família iria crescer e continuar com aquela idéia fixa de ser delegado?
Mas enquanto esse sonho continua um pouco distante, ele inventou de prestar um concurso público para a polícia militar de Uberaba, e para desespero de todos aqui de casa, ele passou no concurso! E ele já tinha tanta certeza que ia passar que desde o começo do ano já estava morando lá e estudando Direito. O resultado saiu na semana passada e ele ficou eufórico, e enquanto a gente lembra com saudades daquele pirralho nervoso que falava convicto sobre seu próprio futuro, ele vai arrumando a nova vida. E eu fico pensando: será que ele se tornará um deles?


por Freda Franchin às 11:37 PM

Segunda-feira, Abril 19, 2004


Só pra compensar o tédio do feriado, tive um fim de semana bem animado, tirando as horas que eu passei dormindo.
A balada de sexta-feira tinha tudo pra ser um verdadeiro fracasso, mas eu estava disposta a qualquer balada só pra não ficar em casa, até sair sozinha com um casal. Fomos pro S.A, que estava lotado de gente fresca e bebidas caras, eu estava prestes a pedir que me levassem embora quando decidimos ir pra Cachaçaria, onde encontramos alguns amigos, para a salvação da minha noite. E então decidimos ir pro Geórgia, só pra variar, e eu estava com muita saudade do repertório de sempre do PB Messias. Chegando no Geórgia encontramos mais alguns amigos, até a Fernanda resolveu aparecer no meio da noite e inacreditavelmente o Geórgia estava maravilhoso, cheio de gente bonita como nos velhos tempos, resultado: uma das melhores baladas dos últimos tempos, regada a capiroska de limão e muito beijo na boca. A noite acabou às 7 da manhã, falando com o Danilo pelo telefone.
Acordei no sábado as cinco da tarde com a notícia de que eu iria na festa do Bananas, já que a Aline tinha conseguido convites pela metade do preço. Só quem mora aqui em Ribeirão sabe o que são as festas do Bananas e eu fiquei muito empolgada. Foi uma festona mesmo, encontrei um monte de gente conhecida, não fiquei bêbada porque era impossível tomar cerveja Kaiser, acabei nem vendo o show do Cidade Negra e acabei a noite, (ou seria o dia?) beijando o Ricardo, o mocinho tatuado que fazia academia comigo nas férias em Bebedouro. Fui dormir as oito da manha e só acordei às 7 da noite!!!
E agora, mais do que nunca, começa a contagem regressiva para a minha ida à Campinas, onde eu passarei 3 dias inteiros com o Danilo!


por Freda Franchin às 4:03 PM

Sexta-feira, Abril 16, 2004

QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURE



Eu tinha trancado o meu coração, a entrada era proibida pra todo e qualquer tipo de homem que aparecesse. Eu me sentia sozinha, triste, mas preferia a solidão a me entregar e sofrer. Sim, porque me entregar era sofrimento garantido e eu já estava cansada daquilo tudo, conhecia o roteiro: conhecer um cara legal, viver uns poucos dias bons, ouvir algumas palavras de carinho, pra logo depois me decepcionar. Sim, porque a decepção também era garantida. Uma das poucas garantias que eu tinha, assim que entrava em um novo relacionamento. E então eu tomei aquela decisão, passei a chave no meu coração, proibindo entradas e saídas, proibindo paixões e decepções, proibindo amores e sofimentos. E tudo ficou mais triste e mais fácil, mas eu também tinha algumas garantias que valiam muito a pena. Ser solteira era uma prioridade e o coração vazio, alegremente triste e absolutamente longe de decepções e mágoas, as minhas garantias.
E tudo estava bem, tranquilo, sem maiores neuroses, mas exatamente nesse momento eu conheci o Danilo e eu percebi que as coisas poderiam ser diferentes, percebi que seria uma verdadeira loucura eu deixar o meu coração trancado a uma das pessoas mais doces e maravilhosas que eu havia conhecido nos últimos anos. E eu abri o meu coração, deixando o caminho livre para todos os sentimentos bons e ruins que aquele amor de verão poderia me causar. Seriam só 10 dias juntos no Guarujá, valeria a pena me entregar durante 10 dias.
Mas os 10 dias mais maravilhosos dos últimos tempos acabaram, todos voltaram às suas respectivas casas, em suas respectivas cidades. A paixão veio comigo pra Ribeirão e dentro do meu frágil coração muitos sentimentos bons. Mas eu já não tinha certezas e a minha única garantia eram os bons momentos que eu teria para lembrar durante todo o tempo que aquela paixão desencanada habitasse o meu coração.
Então o tempo foi passando, aquela paixão foi tomando conta de mim, tomando conta do meu coração e da minha vida e eu até que estou gostando de já não ter garantias. Essa paixão não me garante um futuro feliz, nem um coração absolutamente tranquilo, não me garante decepções, nem magoas e muito menos estabilidade emocional e eu estou muito feliz por ter me entregado de coração aberto a tudo isso que há 3 meses eu estou vivendo com o Dani.
De vez enquando ainda me bate um medo. E algumas vezes o medo é tão imensamente grande que eu nem acredito que terei forças para continuar. É muito doido isso tudo que nós estamos vivendo, estamos os dois completamente apaixonados, nos entregando cada vez mais a essa paixão sem garantias e de vez em quando falamos sobre os nossos medos. O Danilo e eu estamos vivendo fases muito parecidas, somos solteiros convictos, infiéis de carteirinha e acabamos sempre falando sobre o futuro, nos perguntando onde tudo isso vai dar, como faremos para continuar, se alguma hora precisarmos tomar uma decisão. Eu procuro viver o presente, apesar do medo de sofrer no futuro, porque eu acredito que no final de tudo, não ficaremos juntos, ainda que seja a nossa maior vontade. É difícil explicar, é difícil ter alguma certeza, por enquanto eu só tenho uma decisão: eu vou continuar vivendo tudo isso, me entregando, amando, sem esperar pelo futuro, sendo ele bom ou ruim. E que seja eterno enquanto dure.


por Freda Franchin às 2:16 AM

Domingo, Abril 11, 2004


Ai eu descobri que o meu pai anda lendo o meu blog e putz, isso me deu uma sensação inexplicável . Estávamos, meus padrinhos jornalistas de São Paulo, meus pais e eu batendo papo num desses dias tediosos do feriado. Todos falando empolgadamente sobre a minha vida. Meu padrinho falando sobre as maravilhas de estar publicando o terceiro livro, minha madrinha quase implorando pra eu estudar jornalismo e prometendo que me arruma um emprego em São Paulo e de repente meu pai começa a falar sobre os meus textos, o meu estilo, se empolgou, começou a dizer que minha madrinha precisa conhecer meus textos, que eu tenho um estilo espetacular pra escrever, que quando ele começa a me ler não consegue mais parar, ai ele soltou essa:
- Esses dias eu passei umas duas horas lendo o blog dela, tinha que ir trabalhar, mas simplesmente não conseguia parar de ler, é simplesmente fantástico!
- Que? Hã? Como? Para tudo!!! Você leu meu blog pai?!!?!
No fim não sei se fiquei brava ou feliz. Uns meses atrás eu tinha verdadeiro pavor só de pensar que alguém conhecido estivesse lendo o meu blog. Jamais esquecia o endereço nos favoritos, escrevia nele escondida. Agora não me importo mais, nunca mudei meu jeito de escrever, mesmo sabendo que o Dani e o Oguri e agora o meu pai, lêem o meu blog e mudar o meu jeito de escrever era o meu maior medo.
E eu decidi agir, fazer alguma coisa pra realizar o meu sonho. Mais do que nunca escrever em sido a minha vida, principalmente agora, desempregada, eu tenho passado boa parte dos meus dias improdutivos, produzindo textos, escrevendo bobagens, lendo pra caramba e mais do que dedicada ao meu curso de redação. Eu já tinha decidido estudar jornalismo há alguns dias, depois de uma conversa com a minha mãe. Não adianta pensar em pós-graduação, em mestrado ou MBA sem nem ao menos ter certeza de que eu quero mesmo ser publicitária. Eu quero escrever, eu amo escrever, como publicitária ou como jornalista, eu só quero publicar o que escrevo, eu só quero escrever! E também quero pagar as minhas contas!


por Freda Franchin às 12:48 PM

Quinta-feira, Abril 08, 2004

A PRIVADA E OS HOMENS

Então nós decidimos ir à festa da Biomedicina que rolou ontem no Samanea. E a noite mal começou e uma tragédia atravessou o nosso destino, literalmente. Descíamos, a Hello e eu, felizes e saltitantes, até a casa da Dione, que nos daria carona, eram oito da noite. Passaram de carro cinco homens (?), ficaram mexendo com a gente, e a Hello e eu só ignorando, de repente os imbecis jogaram água na gente, sei la, deve ter sido do extintor de incêndio, sabe Deus de onde aqueles retardados tiraram água. O fato é que me molhou todinha, meu cabelo ficou pingando e eu tive que fazer escova na casa da menina que eu nunca tinha visto na vida. Fico pensando que tipo de homem faz esse tipo de coisa. Definitivamente existem homens que, putz, melhor nem dizer!
Ok Ok, passado a raiva, fomos pra festa e a noite que tinha tudo pra ser um fracasso, começou maravilhosa e acabou mal, muito mal. Caipirinha pra começar e depois de apenas um copo eu já estava toda alegrinha, mas não, eu não fiquei satisfeita e entre um gole e outro de cerveja, tomei também coquinho. Mas eu ainda não estava bêbada quando encontrei o Guilherme. Levei um susto, olhei pra ele e parou tudo. Cinco meses depois e lá estava ele, lindo, com aquela boca vermelha, carnuda, que eu tanto gostava de beijar. Fiquei me lembrando de como a nossa história, que mal começou, havia terminado. Eu sentadinha na poltrona do meu ape, pronta, esperando por ele. Oito horas, vou na sacada e nada dele. Nove horas, me distraio com a novela, mas continuo ansiosa, andando pela casa. Dez horas, vou na sacada, dou mais outra volta pela casa, tomo um gole d´agua. Onze horas vou pro meu quarto, tiro a roupa, coloco o meu pijama, volto pra sala e fico xingando ele pra Hello, inconformada. No dia seguinte fui pra academia esperando que ele viesse me dar uma satisfação, mas ele só falou oi de longe e agiu como se nada tivesse acontecido. Nunca mais nos falamos. E cinco meses depois ele estava bem ali, na minha frente, conversamos um pouco, contamos as novidades e depois eu vi ele falando de mim pro amigo dele. A única pessoa que eu não esperava encontrar naquela festa era ele. Mas eu também encontrei o Flávio, o outro mocinho da academia, que eu beijei há 2 semanas. Fugi dele. Agora comigo é assim, uma noite e nada mais. Pras coisas boas da vida eu já tenho o meu mestiço fofo, a paixão da minha vida.
E também passei boa parte da noite batendo papo com o Pedro, o amigo do meu irmão que é o meu sonho de consumo mas que nunca me deu bola e ainda beijou a minha irmã na festa de formatura. Mas ontem ele ficou me paquerando e eu teria beijado ele caso não tivesse passado o resto da noite vomitando no banheiro. Vomitando e chorando, sim, porque quando eu fico bêbada eu choro e nem adianta perguntar o motivo, porque não existe motivo algum. Já não conseguia aproveitar a festa, e pra não acabar de vez com a festa da Hello, decidi aproveitar a carona do Guilherme que já estava indo embora. Eu e ele ali, dentro daquele carro, cinco meses depois dele ter me dado o maior fora da minha vida. Ainda pensei em perguntar o motivo, pensei em dizer que tinha ficado chateada, queria explicações, mas já não teria sentido depois de tanto tempo e, mesmo que eu quisesse, não conseguia fazer outra coisa que não fosse vomitar. Fiquei com vergonha, agora sim é que eu tinha acabado de queimar o meu filme com ele. Ele subiu, me colocou na cama e foi embora. E eu acordei hoje de ressaca, vomitando e pensando no meu Danilo. O Guilherme que se foda, eu só quero o meu mestiço.


por Freda Franchin às 2:01 AM

Domingo, Abril 04, 2004

ÁGUAS DE MARÇO


Houve um tempo na minha vida em que eu era totalmente dedicada ao esporte. Tudo começou com a natação, que eu não gostava muito e acabei largando logo. Um pouco depois eu comecei a treinar ginástica olímpica e durante muitos anos eu sonhei em ser uma ginasta de verdade, dessas que vão para as olimpíadas e tudo. Eu treinei seriamente durante muitos anos, até que, num belo ano, a prefeitura daqui resolveu parar de apoiar o esporte e as aulas acabaram. O meu professor ainda tentou dar aulas particulares, mas nunca foi pra frente e eu vi meu sonho interrompido bruscamente, sem qualquer alternativa para continuar treinando em minha cidade.
Mas nessa época eu já dançava jazz, e logo nos tornamos o principal e mais avançado grupo de dança da academia, nos apresentávamos muito em várias cidades da região e a vontade de continuar dançando ia crescendo e se tornando mais séria a cada ano. Por mais uma dessas tragédias do destino, a nossa professora, que também era jornalista, foi trabalhar em uma TV de Campinas e decidiu abandonar a academia e a dança. Ainda tentamos levar o grupo adiante com outras professoras, mas pouco a pouco o nosso grupo foi se desfazendo e quando nos demos conta, éramos só 3 ou 4 meninas. Foi então que eu iniciei o balé clássico, eu já tinha uns 16 anos, cheguei a comprar a sapatilha de ponta e estava eufórica com aquilo tudo. Nessa mesma época eu também comecei a treinar caratê, foi uma das melhores fases da minha vida, eu vivia correndo de uma academia pra outra, dançava bale e fazia musculação em uma academia, treinava caratê em outra e a noite ainda treinava caratê num ginásio de esportes. Mas com término do terceiro colegial e as pressões do vestibular acabei tendo de deixar tudo aquilo de lado.
Era o ano de 1997, eu estava a um semestre de terminar o colegial e comecei a fazer cursinho durante a noite, dessa forma ficaria impossível qualquer outra atividade e eu me lembro como se fosse hoje do dia em que fui falar com o professor de caratê sobre a minha decisão de parar, nem sei porque isso me marcou dessa forma, mas o caratê passou a ter uma importância gigantesca na minha vida.
De repente eu já não tinha mais nada, nem a natação, nem a ginástica olímpica, nem jazz, bale ou caratê, eu estava disposta a abrir mão de tudo para entrar na universidade. E ainda lembro de mim, sentada na minha cama com aquele maldito manual do estudante, tendo de decidir sobre o meu futuro. Cheguei a cogitar a hipótese de estudar dança na Unicamp, mas eu já tinha parado de dançar a muito tempo e jamais conseguiria entrar. E mais uma vez eu abria mão do esporte, e dessa vez não apenas de um ou de outro, mas de todos de uma vez.
Hoje eu reflito sobre se realmente valeu a pena. Acho que valeu a pena porque eu paguei pra ver, ainda que não tenha sido o melhor, porque eu era e continuo sendo o tipo de pessoa que prefere se arrepender de ter errado a nunca ter tentado. Mas quem me garante que eu não seria mais feliz se tivesse me tornado uma ginasta ou uma bailarina?
Já se passaram muitos anos, já aconteceram muitas coisas, a ginástica olímpica e o jazz continuam sendo a minha paixão e a coreografia da musica Águas de Março, onde éramos Elis Reginas e Tons Jobim continua na minha cabeça.


por Freda Franchin às 6:12 PM