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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
VOCÊ TEM MEDO DA MORTE?
Houve um tempo em minha vida em que eu sentia muito medo da morte. Pensava que morte devia ser muito dolorida e sofrida e vivia com a idéia de que qualquer dia, durante a noite, eu poderia morrer dormindo e não acordar na manhã seguinte. Vivia assustada com esta idéia e todas as noites, antes de dormir, eu incluía em minhas orações o pedido de acordar bem viva na manhã seguinte. Até hoje não sei porque pensava tanto naquilo, mas foi algo que parou de passar pela minha cabeça naturalmente com o passar dos anos. Mesmo depois de ter abandonado estas idéias, eu continuava a sentir muito medo da morte.
Hoje em dia, eu sou capaz de desejá-la! Dizem que depois que eu morrer, eu vou me encontrar com o meu irmão e eu acredito muito nisso. Acredito que no momento em que nosso espírito abandona o nosso corpo, os espíritos amigos e parentes, estarão nos esperando. Essa idéia me encanta. Eu tenho certeza que vai ser muito lindo reencontrar o meu irmão e o meu avô, que foi embora quando eu tinha só três anos, mas de quem eu incrivelmente tenho muitas saudades.
Eu não pretendo cometer suicídio para antecipar este momento, mas sinto-me ansiosa para rever o meu irmão. Hoje eu penso na morte como algo absolutamente natural, algo que realmente faz parte de nossas vidas.
Sempre fui católica, freqüentava a igreja assiduamente até os meus 18 anos e todos os conceitos espíritas me pareciam absurdos. Depois que me mudei para Ribeirão comecei a sentir a presença de espíritos. Nunca via nada nitidamente, mas sempre foi uma sensação muito forte, além de viver vendo ¿vultos¿. A única vez que isso me causou medo foi em uma noite, há exatamente 1 ano, quando eu acordei assustada no meio da noite com a nítida sensação de que uma menininha havia me acordado. Fora isso, passei a achar natural a idéia de conviver com os espíritos.
Desde então, mudei muito a minha visão da religião espírita, continuo não acreditando em muitas coisas, mas várias outras passaram a fazer sentido pra mim.
Ainda não decidi se eu acredito na idéia de paraíso, mas eu decididamente não acredito na idéia de ¿colônias¿, que os espíritas pregam. Não acredito que lá existam cursos, hospitais, casas, escolas e que as pessoas trabalham e estudam. Qual seria a graça disso? Qual a graça de ir para um lugar exatamente igual à terra? Se for assim, pra que morrer, se lá é tudo igual? Eu apenas acredito que exista um lugar grandioso, cheio de luz, muita paz e tranqüilidade, um lugar onde as pessoas que eram amigas ou parentes na terra, se encontrem e estejam sempre juntas. Um lugar onde as pessoas sejam absolutamente felizes.
Mas se tem algo em que eu realmente não acredito, é em reencarnação! Não entra na minha cabeça que uma pessoa volte a nascer em outro corpo! Principalmente nessa coisa de castigo, em que a pessoa que era má, volta para pagar tudo de ruim que fez na outra vida. Eu acho isso muito injusto! A mãe que sonhou tanto com o seu bebezinho, de repente dá à luz a um ser que vai ter que pagar pelas coisas ruins que fez na outra vida?
Então como eu vou reencontrar o meu irmão, se quando eu morrer ele tiver reencarnado? Percebe como isso não tem o menor sentido!?
Mesmo assim, acreditando em umas coisas e desacreditando em outras, eu vou seguindo assim, meio espírita, meio católica, meio confusa. E ansiosa por reencontrar o meu irmão!
por Freda Franchin às 4:19 PM
Quinta-feira, Janeiro 27, 2005
ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Quando uma pessoa morre de acidente de trânsito, seu descendente mais próximo recebe um seguro, que é o seguro obrigatório que os donos de veículos pagam todos os anos, junto com o licenciamento.
Então a minha mãe contratou uma seguradora para cuidar de toda a burocracia deste seguro, e como meu irmão não deixou filhos, nem esposa, quem receberá o seguro, são os meus pais. É uma grana legal, são R$ 5.000,00 pra cada um. Mas o que vem ao caso, neste post, é o significado deste dinheiro. Não tem como não pensar nisso. Queria saber da cabeça de quem saiu essa idéia!
Ninguém aqui está dispensando dinheiro não, mas qual o verdadeiro significado de se dar toda essa grana para a família? Isso me revolta um pouco, essa grana não vai trazer o meu irmão de volta, também não vai diminuir a nossa dor. Então, pra que existe isso?
Quem matou o meu irmão foi um cara de 45 anos, de uma família conhecida na cidade. O cara entrou em depressão, está fazendo terapia com uma psicóloga que é uma grande amiga do meu pai e pediu, através de uma prima, para que meus pais deixem ele ir lá em casa ver a gente e se explicar. No início algumas pessoas ficaram revoltadas com ele, como o meu pai, por exemplo, mas eu, em nenhum momento, pensei nele como uma pessoa que matou o meu irmão. Meu irmão ia morrer de qualquer jeito e se ele foi o escolhido para estar ali naquele momento, é porque tinha que ser daquela maneira, eu acredito que pra tudo existe um motivo, nada acontece por acaso, e eu, agora mais do que nunca, acredito muito em destino!
Ainda não saiu o resultado do processo, ainda não sabemos, oficialmente, quem estava certo e errado no acidente, mas em nenhum momento passou pela nossa cabeça processar o cara. Nada que não trará o meu irmão de volta, vale a pena!
Talvez o cara tivesse bebido um pouco, afinal ele estava num rodeio antes, mas atire a primeira pedra quem nunca dirigiu depois de ter bebido!
O cara podia estar bêbado, drogado, podia estar correndo, não importa, aquela era a hora do meu irmão, Deus nos preparou toda a vida para o momento em que perderíamos o meu irmão. Deus o preparou também para sua morte prematura. De alguma maneira nós todos já esperávamos esta perda. Estou preparando um post gigantesco para contar essa história das "premonições".
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A minha mãe costuma dizer que eu gosto da minha companhia. É verdade, eu gosto da solidão, gosto de ficar comigo. As meninas que moram comigo viajaram e eu estou sozinha esta semana. No início pensei que seria difícil, tive medo e chorei muito no primeiro dia. No segundo dia, ainda com medo, fiquei arrumando coisa pra fazer depois que saí da agência, só pra não ter que ficar em casa sozinha, fui pro shopping e em algumas faculdades ver sobre um curso que eu quero fazer. No terceiro dia recebi a visita de um amigo, o Lucas, que ficou me fazendo companhia um tempão. E depois eu percebi que não teria jeito, uma hora eu ia ter que ficar sozinha, e não é que eu não tive nenhuma crise de choro? Estou aqui sozinha, neste apartamento vazio e eu estou bem! Vejo um pouco de TV, escuto música, leio muito, fico na Internet, escrevo e quando eu vejo, já foi mais um dia.
O mais legal é que eu posso deixar louça na pia e ninguém briga comigo!!
por Freda Franchin às 7:46 PM
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
ELE TEM UM OLHAR PROFUNDO, CABELOS CLAROS E CORPO MALHADO
Você já parou pra pensar na quantidade de vezes que Deus já te livrou de acidentes e problemas?
A minha mãe comentou isso um dia desses e eu comecei a prestar atenção.
Ontem mesmo, no trânsito, no caminho pro trabalho, aconteceu esse tipo de coisa. O carro que estava na minha frente bateu na traseira do outro carro. Eu, como ando muito medrosa e atenta no trânsito, acabei saindo ilesa, mas qualquer distração minha teria feito com que eu me evolvesse no acidente.
Na semana passada, quando eu ia pro trabalho, percebi que o trânsito estava lento. Quando eu andei mais um pouco, vi que lá na frente, havia acabado de acontecer um acidente feio com um Fusca. O que será que determina este tipo de coisa? O acidente poderia ter acontecido quando eu estivesse passando, mas aconteceu minutos antes. O que, de uma certa forma, me protegeu.
Eu dei esses dois exemplos porque foram acontecimentos recentes, mas preste atenção em tudo que lhe acontece no dia a dia e perceba que cada um de nós tem um anjo da guarda muito especial e atento. O meu, eu tenho certeza, tem um olhar profundo, cabelos claros, corpo malhado e se chama Eduardo.
por Freda Franchin às 10:18 PM
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
FALAR BONITO É FÁCIL. DIFÍCIL MESMO É A REALIDADE
Conforme eu já previa, o Danilo está tendo um casinho e conforme eu também previa, eu estou mal. E o pior é que eu estou prevendo que vai virar namoro e aí eu vou ficar muito pior. A não ser que antes disso eu enfie dentro da minha cabeça de uma vez por todas que acabou pra valer, que não existe mais Danilo e Freda, que não existe mais nada, além de uma amizade gigantesca e muito carinho. Chega de lutar por um amor que já morreu há muito tempo. Eu não acredito em ressurreição. As palavras são lindas e fáceis de ser ditas, mas basear as minhas atitudes nelas me parece praticamente impossível!
Os homens são engraçados! Terminamos basicamente porque ele estava decidido a curtir a vida e os amigos e logo depois ele tem um casinho novo! Depois nós mulheres é que somos complicadas.
Eu não sei se é assim com todas as mulheres, mas dentro da minha cabeça funciona uma verdadeira Globo Produções, uma Columbia Pictures. Eu invento histórias, fantasio cenas e situações, crio personagens e sentimentos e até cenários.
Nem ligo pra esse lance de signo, mas se existe algo de absoluto e verdadeiro que dizem sobre o meu signo (escorpião), é que somos possessivos. E isso é algo de que eu realmente me envergonho, eu gostava tanto do modo como eu não era ciumenta e encanada!
Vivo fazendo perguntas pra ele das quais eu não quero ouvir as respostas, mas mesmo assim, é inevitável que eu as faça, tipo assim, quando eu vi, já perguntei! Sorte que ele sempre se sai bem nas respostas! Mentindo, lógico...
Ao contrário de pensar numa maneira de esquecer aquele mestiço lindo de uma vez, eu fico pensando num modo de estragar tudo entre eles, fico pensando em ligar pra ela (sim, eu tenho o celular dela!!!) e dizer que eu gosto demais dele e que ele é meu. Aí eu penso que se eu fizer isso, além de não adiantar nada, ainda corro o risco dele nem querer mais falar comigo. As pessoas estão pouco se fodendo se eu estou sofrendo, se eu o amo e não consigo esquecê-lo. Quem se importa? Ela é que não vai se importar.
Foda-se que eu acabei de perder o meu irmão, foda-se que eu estou frágil e manhosa, foda-se que eu estou sofrendo! Quem se importa? Eu já estou cheia de dor mesmo por causa do meu irmão, um sofrimento a mais ou a menos quase nem faz diferença.
Ando pensando em gastar todo o meu salário com terapia!
Meu Buzznet está atualizado com fotos do Natal, Reveillon, formatura da Hello...
por Freda Franchin às 10:27 PM
Domingo, Janeiro 23, 2005
A Morte não é Nada
Santo Agostinho
"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."
por Freda Franchin às 3:32 AM
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
GRANDE COINCIDÊNCIA
E não é que eu estou realmente trabalhando numa agência de Publicidade?! Só de pensar no quanto eu sonhei com isso, chego a sentir arrepios. É estranho você fazer uma faculdade, estudar algo que você realmente goste e depois arrumar um emprego exatamente nesta área. Eu diria que nos dias de hoje, isso pode ser chamado de uma grande coincidência.
Eu acredito que hoje em dia não dá mais pra você ficar sonhando com a sua futura profissão e escolher um curso que você realmente goste. A situação do país está num ponto em que você primeiro tem que conseguir o emprego, pra depois, baseado nele, escolher o curso que você fará na faculdade.
Depois de 2 anos de formada, eu já estava numa situação em que qualquer emprego que eu arrumasse, era lucro: recepção, vendas, promoção, eventos, até faxina! Foda-se que eu sou publicitária, eu queria trabalhar!
E no momento em que eu menos busquei, no momento em que eu menos desejei, no momento em que tudo o que eu mais queria era voltar pra Bebedouro, voltar a morar na casa dos meus pais, ficar perto deles, dando apoio e força, esse emprego praticamente cai do céu. E eu tenho me sentido um verdadeiro monstro por estar aqui em Ribeirão, longe deles. Penso no quanto eles precisam de mim neste momento, em como eles ficariam bem se me tivessem novamente morando lá e aí a Lei de Murph me arrumou um emprego justamente agora, só porque eu não queria. E eu não tive coragem de fugir da entrevista, eu não tive coragem de dizer não, eu não tive coragem de largar essa chance. Eu quis pagar pra ver. Porque sendo publicitária, trabalhar numa agência de publicidade era uma coisa que eu tinha desejado muito!
Pode ser que eu tenha perdido a oportunidade da minha vida, mas sabe aquele tipo de oportunidade que vem na hora errada? Então, aconteceu que por escolha própria eu não estou mais responsável pela redação da agência. Tive medo de assumir tanta responsabilidade num momento em que eu nem tinha certeza se ia mesmo ficar em Ribeirão, tive medo de assumir um cargo tão importante e de repente me dar a louca e eu querer voltar pra Bebedouro. Tive medo de um monte de coisa e acabei ficando responsável pelo tráfego, mídia e produção gráfica da agência. Eu sei, é um montão de coisa, mas mesmo assim eu passo um tempão lá sem fazer nada, batendo papo com a recepcionista, que já virou minha amigona, ou com os meninos da criação.
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Decidi vender a minha Biz, também porque eu estou muito insegura com ela no trânsito, mas principalmente porque a minha mãe pediu. A parte boa é que a minha mãe vai me ajudar a comprar um carro.
por Freda Franchin às 1:08 PM
Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
EU QUERO BRINCAR DE BARBIE
Definitivamente vida de gente grande não tem a menor graça
Crescer é muito chato
Agora a minha vida é assim:
Entro no trabalho às 08:30
Saio às 12:30
Almoço num restaurante aqui perto de casa
Venho pra casa, fico um pouco na internet, leio ou durmo um pouco
Volto pra agência às 14:00
Saio as 18:00
Venho pra casa
Tomo banho
Fico na Internet, como alguma coisa, leio alguma coisa, vejo a novela das 8 e o Big Brother
E no máximo as 23:30 já estou dormindo.
Qual é a graça disso? Cadê a emoção da vida? É isso que é ser gente grande? Eu quero voltar a brincar de Barbie!
por Freda Franchin às 1:27 PM
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
SEMANA QUE VEM
Pitty
Não deixe nada pra depois
Não deixe o tempo passar
Não deixe nada pra semana que vem
Porque semana que vem pode nem chegar
Pra depois ...O tempo passar
Não deixe nada pra semana que vem
Porque semana que vem pode nem chegar
A partir de amanhã eu vou discutir
Da próxima vez eu vou questionar
Na segunda eu começo a agir
Só mais duas horas pra eu decidir
Esse pode ser o último dia de nossas vidas
Última chance de fazer tudo ter valido a pena
Diga sempre tudo o que precisa dizer
Arrisque mais pra não se arrepender
Nós não temos todo o tempo do mundo
E esse mundo já faz muito tempo
O futuro é o presente, e o presente já passou
O futuro é o presente, e o presente já passou
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Eu acho meio nada a ver postar letras de música, mas essa realmente tem tudo a ver com o meu atual estado de espírito e é uma letra maravilhosa de uma cantora que eu nem sei quem é...
Sábado estava a Sil, minha irmã e eu num barzinho quando começou a tocar essa música. A Sil falou: "Olha essa música! Presta atenção na letra!!" Então eu simplesmente me apaixonei!!!
por Freda Franchin às 10:38 PM
Domingo, Janeiro 16, 2005
Fazer uma tatuagem é uma idéia que realmente nunca tinha passado pela minha cabeça. Eu achava bonito nos outros, mas achava uma verdadeira loucura marcar o corpo dessa maneira tão eterna, correndo o risco até mesmo de não conseguir um emprego. Nunca me esqueço de uma menina que fazia jazz comigo quando eu era uma pré adolescente. Ela tinha uma orquídea vermelha e verde tatuada nas costas, perto do ombro. Sempre fui apaixonada por aquela orquídea. A Bianca ia pro jazz com um collant preto e a tatuagem acabava ficando sempre à mostra. E linda.
Assim mesmo, eu sempre achei que aquela orquídea era só uma florzinha, assim como borboletas e golfinhos. São lindos, mas qual o significado de você marcar a sua pele para sempre com algum desenho que você adora HOJE? Nunca cheguei a ser preconceituosa
com pessoas tatuadas, apenas achava que era loucura demais.
Além disso, eu tenho verdadeiro pavor de agulha e coisas do gênero, pensava que eu jamais conseguiria fazer uma tatuagem porque a dor provavelmente era insuportável, principalmente pra mim, que sou fresca ao extremo.
Mas no momento em que eu vi a tatuagem dos amigos do meu irmão, eu enlouqueci! Achei maravilhosa, também a tatuagem, mas principalmente a idéia de ter o nome do meu irmão pra sempre marcado em meu corpo. Todo o meu pavor de agulha foi por água abaixo e eu senti uma coragem que não me pertencia. No último domingo eu acordei com essa idéia fixa: uma estrelinha com o nome do meu irmão. Em uma semana, eu tive a idéia de fazer, comentei com a minha mãe e minha irmã que adoraram a idéia, falei sobre isso a semana inteira, pensei nisso a semana inteira, sonhei com isso a semana inteira. E ontem, exatamente às 13:00 eu estava no estúdio fazendo a minha inesperada tatuagem.
Minha mãe e minha irmã foram comigo, eu estava ansiosa, empolgada e com muito medo. Meu intestino ficou descontrolado, minhas mãos tremiam, meu estomago dava nós e eu avisei o tatuador: "Estou com vergonha, mas preciso te avisar que eu vou dar trabalho, eu vou gritar, chorar, espernear, talvez nem consiga deixar você terminar a tatuagem, mas se eu desmaiar, você não me acorda, continua fazendo a tatuagem que eu não vou estar sentindo nada." Ele deu risada, mas eu estava falando sério!
Quando eu deitei, ele disse: "Eu vou fazer um risco só pra você ver como é a dor." E de repente, um pouco antes dele começar, eu me acalmei, senti uma paz, uma tranqüilidade, como se o meu irmão estivesse me protegendo. Foram só 13 minutos, eu não senti dor, nem ardência, só como se estivesse levando uns choquinhos. Na verdade é uma sensação que eu simplesmente não consigo explicar, mas não tem a ver com dor. Talvez porque a tatuagem é pequena demais, talvez porque foi rápido demais, talvez porque o meu irmão me ajudou, mas eu simplesmente não senti nenhuma dor.
Até agora eu não acredito, eu falo pras pessoas que não doeu e ninguém acredita, principalmente por ser eu, com a minha fama de fresca. É uma estrelinha pequena do lado esquerdo do pescoço, contornada de preto e pintada de azul, o azul da cor exata da moto dele, dentro está escrito Dú, com a letra dele, porque eu levei a ficha dele da academia e estava escrito "Tio Dú" com a letra dele e o tatuador scaneou. O azul está um pouco forte e não está dando muito pra ver o escrito, mas ele me disse que vai clarear, caso contrário, daqui a algumas semanas eu volto lá pra reforçar o escrito. A minha irmã vai fazer uma idêntica à minha na segunda-feira, mas ela ainda não decidiu o lugar.
A estrelinha da minha mãe é um pouco maior e meio diferente da minha, mas está escrito Dú com a mesma letra.
Nem sei porque eu quis uma estrela, foi uma idéia que já veio completamente formada na minha cabeça. O meu irmão sempre falava muito de estrela, tem uma carta que ele escreveu pra Sil que começa assim: "Quando você olhar o céu cheio de estrelas, não dê as costas..." E mesmo pensando nele como um anjo, eu sei que ele não apenas brilha hoje, mas sempre brilhou durante toda a sua vida, sempre brilhou como uma estrela. Sempre foi o mais especial, sempre foi bom demais. E hoje eu sei que não foi à toa.
Minha tatuagem
Zoom, ficou linda, né?!
A tatuagem da minha mãe
por Freda Franchin às 12:58 PM
Quarta-feira, Janeiro 12, 2005
VALEU
Hoje faz 1 mês! Exatamente 30 dias que eu tive a maior perda da minha vida. Uma perda que muitas vezes tenta me impedir de levar minha vida adiante. Uma perda que fica martelando na minha cabeça o dia inteiro, o tempo todo. Uma perda que de vez em quando me deixa desanimada, me faz refletir e pensar que nada mais vale a pena, porque todo o resto é muito pequeno, todas as coisas às quais damos tanto valor, tornaram-se insignificantes demais diante da dor que eu sinto.
Hoje faz 1 mês que eu recebi aquele telefonema, que eu vi o meu irmão deitado naquele caixão e ainda hoje, eu sinto como se nada daquilo tivesse existido. E eu acabo me forçando a lembrar daquela cena, só pra colocar na minha cabeça que o meu irmão realmente morreu, que eu realmente vivi tudo aquilo. Quando eu olho as fotos dele, eu não consigo acreditar que eu nunca mais vou ver aquelas palhaçadas dele e aquele jeito empolgado, de quem não conseguia ficar parado sem fazer nada. E aí eu sinto como se ele tivesse apenas ido viajar e eu fico ansiosa pra que ele volte logo.
Não tem como não pensar na fragilidade da vida, no modo como hoje podemos estar felizes da vida e amanhã podemos estar mortos e eu digo nós, porque é simplesmente inacreditável o modo como pode realmente acontecer com qualquer um, a qualquer momento! Pode acontecer com VOCÊ, daqui a pouco, assim que se levantar dessa cadeira. Não temos como impedir, não temos como controlar. É impossível sequer imaginar. Você consegue imaginar aquele seu irmão lindo e sarado deitado num caixão? Você consegue imaginar aquela sua amiga linda e patricinha, deitada num caixão? Pois é...
Na primeira semana após o falecimento do meu irmão, nós tivemos dias cheios, cheios de dor, de saudade, de surpresas, lembranças e visitas. Muitas visitas. Sempre tinha alguém pra preparar o almoço, alguém pra abraçar. Sempre tinha alguém pra lavar a louça, alguém pra contar alguma história do Eduardo. Sempre tinha alguém chorando e tentando acreditar.
Num desses dias, a minha casa estava lotada. Simplesmente todos os amigos do meu irmão estavam lá e passamos um tempão conseguindo dar risada, porque a todo momento alguém lembrava de alguma palhaçada do meu irmão, de alguma coisa que ele falava ou fazia. De repente, a fortaleza que era a minha mãe, se deu conta de que estávamos todos ali, menos o Eduardo, então ela desabou, teve uma das piores crises e começou a perguntar em voz alta, interrompendo a todos: ¿Porquê eu? Porquê eu fui a escolhida para ser a mãe dele? Porquê eu fui a escolhida para ter que passar por isso?¿ Então a minha irmã falou uma coisa que consolou a todos, algo que colaborou imensamente para eu me conformar com a perda do Dú. Ela disse exatamente assim: ¿Mãe, você foi a escolhida porque você é especial. Nós todos fomos escolhidos pra ser a família dele porque nós somos especiais e merecemos ele. Pense em tudo o que nós vivemos com o Dú durantes esses 23 anos, pense em todos os momentos, em todos os acontecimentos, em tudo de bom e de ruim. Valeu a pena! Valeu muito a pena! Eu teria escolhido ser a irmã dele, ainda que eu soubesse desde o começo que seriam só 23 anos. Eu teria escolhido, mesmo sabendo que hoje eu sentiria toda essa dor. Eu teria escolhido ser a irmã dele por 23 anos, porque foi lindo, foi perfeito e valeu muito a pena!
Depois desse dia, eu pensei nisso todos os dias, eu pensei em como realmente valeu a pena, em como foi tudo realmente intenso e lindo.
por Freda Franchin às 10:44 PM
Domingo, Janeiro 09, 2005
Hoje foi um dia bom. Fomos numa turma de 20 pessoas comer peixe num restaurante na beira do rio Pardo, que fica numa cidadezinha aqui perto, chamada Viradouro. A maioria das pessoas eram os amigos do meu irmão, meus pais e a família do Marquinho. Três dos melhores amigos do meu irmão fizeram uma tatuagem em homenagem à ele, está escrito ELF (Eduardo Luiz Franchin) e embaixo está escrito amizade eterna em japonês. Fiquei apaixonada, me animei e decidi fazer uma também. Minha mãe, minha irmã e eu vamos fazer uma estrelinha colorida escrito Du no meio. Estou ansiosa!
Nós na beira do Rio Pardo, Olha que galera!!!
A tatoo dos meninos
por Freda Franchin às 11:12 PM
De vez em quando eu me pego fazendo diarinho aqui. Eu procuro evitar porque é um estilo de escrever que eu realmente acho detestável e super desagradável de se ler. Mesmo assim de vez em quando o estilo diarinho acaba sendo inevitável. Acontecem muitas coisas na minha vida que justamente para evitar isso eu acabo deixando passar, acabo não contando. Na maioria das vezes acabo encontrando uma maneira de usar este estilo de um modo mais sútil, com um pouco de entrelinhas. É por isso que eu falo que eu escrevo muito mais pra mim do que para os meus leitores. Eu gosto de ler tudo depois e saber o que eu fiz, o que eu falei, onde eu fui. Por exemplo: há algumas semanas eu vi o meu irmão Eduardo dançar Tango e foi algo que realmente me deixou em êxtase. E eu não contei isso aqui, no dia eu até pensei em contar, mas acabei não encontrando um jeito de contar sem que ficasse chato, então acabei deixando passar. Mas foi algo realmente importante, principalmente porque o meu irmão nunca foi de dançar e sabe, agora ele está morto, e eu nunca mais vou poder fazer diarinho das coisas que eu vivo com ele. Então, mas o lance do Tango foi o seguinte:
Ele dava aulas de natação para crianças e também era personal trainer numa academia em Ribeirão. Anualmente essa academia apresenta um espetáculo de dança para encerrar o ano. Em 2003 a apresentação chamou-se Fundo do Mar e o meu irmão teve algumas partipações como mergulhador, ele simplesmente passava no fundo do cenário enquanto as bailarinas apresentavam suas coreografias.
Em 2004 a apresentação chamou-se Alice no País das Maravilhas e o meu irmão participou como o Coelho, fazendo todo mundo cair na risada a cada aparição. É que ele estava realmente muito engraçado com aquela roupa e aquele nariz! Na platéia, meus pais e eu escutávamos as pessoas comentando sobre o quanto aquele coelho era engraçado. Mas em algum momento da apresentação, ele simplesmente apareceu vestido com uma roupa chique, dançando Tango com uma bailarina! Ele surpreendeu a todos, já que nem mesmo meus pais sabiam.
No final da apresentação, meus pais e eu fomos esperá-lo atrás do teatro e depois fomos jantar num restaurante. Depois disso, eu tive só mais 3 semanas com ele.
por Freda Franchin às 3:53 AM
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
UM DIA CHEIO DE EDUARDO
Ontem eu tive um dia cheio de Eduardo. Logo pela manhã, minha mãe, meu irmão Carlos, Carla (namorada do meu irmão) e eu, viemos para Ribeirão. Eu tive uma entrevista numa agência de publicidade, que já estava marcada, mas que tive que remarcar por causa dos últimos acontecimentos. Depois da entrevista, fomos visitar a dona da academia onde o meu irmão trabalhava. Conhecemos a academia, enquanto ela nos contava várias histórias do "Tio Dú".Estou pra conhecer uma pessoa mais querida e especial do que o meu irmão. São somente histórias engraçadas, lindas e divertidas que ouvimos sobre ele. Ficamos sabendo que algumas crianças não querem continuar nadando sem o "Tio Dú".
Depois fomos visitar o Omar, um dos meninos que morava com o meu irmão. Eles não estão mais morando no mesmo apartamento e o Omar nos contou que ele sonhou com o Dú, que ele tinha ido se despedir.
No final da tarde, o Renatinho, meu ex-namorado, me ligou contando que sonhou com o Dú e no sonho ele disse que está num lugar muito bom.
No final das contas eu passei o dia todo chorando e fiquei muito triste. Triste porque eu tive que ficar em Ribeirão, triste porque a minha entrevista deu certo e eu estou trabalhando como redatora na Faz Propaganda e Box Design. Triste porque está doendo muito ter que ficar longe dos meus pais, meus irmãos e amigos. Triste porque ficar aqui em Ribeirão é o mesmo que chorar o tempo todo me lembrando que o meu irmão não está mais aqui pra quebrar meus galhos e me ligar depois da novela das 8. Ele não está mais aqui para brigar comigo porque eu não devolvi sua câmera digital ou pra me pedir a Penélope emprestada. Ele não está mais aqui para eu ficar preocupada por causa da moto ou pra vir colocar a cortina, que ele tanto prometeu. Ele não vem mais aqui em casa usar o computador e não pede mais para eu buscá-lo no mecânico.
Eu passo boa parte do tempo olhando as fotos que estão no meu mural e eu sinto vontade de entrar dentro delas, de viver tudo de novo. Quero estar lá abraçada com ele posando para aquela foto no dia do meu aniversário, quero estar lá tomando canelinha com ele na Cachaçaria, eu quero estar naquela balada de natal em que fomos no ano retrasado e eu quero ser aquela menina de 11 anos fazendo pose ao lado dele. Eu quero ficar um poquinho dentro de cada foto.
Mas eu não vou desistir fácil, eu vou ao menos tentar ficar mais uns dias na agência pra ver como é, porque voltar pra Bebedouro é o mesmo que abrir mão da publicidade, é o mesmo que continuar desempregada. E já está mais do que decidido que a minha vida não será mais essa!
por Freda Franchin às 10:56 PM
Terça-feira, Janeiro 04, 2005
EU VIVERIA TUDO DE NOVO
Eu pensei em fazer uma espécie de retrospectiva, ou um simples balanço de 2004. Então eu pensei, pensei, e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Não consegui decidir se 2004 foi um ano bom ou ruim. Só conclui que foi um ano em que eu vivi intensamente. No final das contas, acredito que tendo sido bom ou ruim, o que importa é viver intensamente e com toda a certeza do mundo, viver intensamente foi o que eu fiz da minha vida no ano de 2004.
Muitas pessoas me criticaram. Criticaram a minha maneira de viver, a minha maneira de encarar o mundo, me criticaram por viver naquela vida fútil e por me conformar com aquela vida mansa, com aquela vida de baladas, homens e bebidas. Outras pessoas achavam tudo aquilo o máximo, percebiam o quanto eu me divertia e conseguia ser feliz, apesar de todo o resto estar péssimo. Apesar de tudo, 2004 foi um ano especial, foi o último com o meu irmão.
*ESCREVENDO*
No primeiro semestre teve o meu curso de redação, que foi a coisa mais importante que me aconteceu, que foi onde eu cresci muito e aprendi a discutir assuntos de extrema importância, além de ter sido muito elogiada por uma das melhores professoras que eu já tive na vida. Foi lá que eu tive a certeza de que escrever era o que eu queria para a minha vida. E eu escrevi muito, não somente no curso, mas principalmente aqui no blog, onde eu me dediquei a escrever com a minha alma e com toda a paixão que existe em mim. Escrevi textos de que eu me orgulho, escrevi textos de que me envergonho. Escrevi textos que me fazem rir e vários outros que me fazem chorar. Foi aqui que eu me dei o direito de ser puramente eu, com toda a minha essência, com tudo que há de mais belo e vergonhoso em mim. Foi aqui que eu me abri, me coloquei à prova de críticas e elogios, dei a cara pra bater, sofri, chorei e fui muito feliz. Ter um blog passou a ser uma coisa séria, o A Vida Passada a Limpo ganhou uma importância maior do que tinha o Vida de Universitária, aqui eu escrevo de uma maneira que o Vida de Universitária jamais conheceu, aqui nunca existiu a fórmula Meu querido diário que eu usava lá. Aqui eu escrevo de uma maneira misteriosa, alegre, algumas vezes detalhista e outras obscura, mas acima de tudo, eu fui mais eu, eu fui mais autêntica, sem nunca me preocupar com o que iam pensar. No fundo, eu acho que eu escrevo muito mais pra mim do que para os meus leitores, embora os respeite profundamente. Também foi neste ano que tive a verdadeira dimensão de quantas pessoas passam por aqui diariamente. Ter um contador de visitas é tudo! É tudo saber que eu sou tão lida. No fundo, eu sempre soube que escrever era só uma parte do meu sonho, escrever e ser lida é o sonho completo. Pois é, este blog vai fazer 1 ano na quinta-feira, dia 06.
*PESSOAS*
Mais do que tudo, 2004 foi o ano das pessoas. Conhecer o Danilo não me trouxe somente muita alegria, paixão e amor, através dele eu conheci muitas outras pessoas que hoje são muito importantes pra mim, como o Oguri, que é uma pessoa fantástica e cheia de caráter. Conhecer o Danilo me fez passar a freqüentar muito Araraquara e foi lá onde eu fui mais feliz, onde eu fiz mais amigos, onde eu passei os melhores momentos do meu ano. Onde eu conheci a Maria Fer, a Pi, a Luísa, a Paty, onde eu pude ficar mais próxima da Gisa e da Fer Guiguet e todas essas pessoas me fizeram crescer muito, me ensinaram muitas coisas e eu já nem imagino como teria sido sem elas. Além disso, depois de 3 anos morando com a Hello, descobri que ela é muito mais do que a minha melhor amiga, ela é minha irmã, a melhor conselheira do mundo, a pessoa que esteve, mais do que todo mundo, presente em absolutamente todos os momentos e acontecimentos do meu ano.
Não dá pra negar que 2004 foi um ano completamente marcado pelo Danilo. Foram meses de pura paixão e felicidade, pra depois sofrer e ficar triste e mesmo nas piores fases continuar achando que valeu tudo a pena. Com certeza eu viveria tudo de novo, mesmo que soubesse desde o começo que iria sofrer.
*CURTIÇÃO*
Foram inúmeras viagens, incontáveis baladas. Um ano de altos porres e muita curtição. Pra começar, teve a melhor viagem da minha vida, no Guarujá, junto com as pessoas mais divertidas e engraçadas do planeta. Eu nunca vou me esquecer de todos aqueles dias na praia, de todas aquelas garrafas de Moschovitta, daquele monte de cerveja. Eu nunca vou me esquecer das nossas baladas na Phoenix, dos pagodes do Grupo Desafio, de como a gente conseguia transformar tudo em diversão, até mesmo um dia de chuva. Eu nunca vou me esquecer da Gisa andando na moto da polícia, zuando com os guarda-vidas, da gente tentando conversar em inglês com o israelense. Nunca vou me esquecer da música 3. E eu nunca vou me esquecer daquele amor de verão, que não só subiu a serra, como ainda habita o meu coração até os dias de hoje.
Isso sem falar no InterUnesp, CarnaFea e no inesquecível Carnalfenas. As incontáveis baladas com a Hello, Maíra e Paulinha em Ribeirão. As incansáveis voltas de carro por Ribeirão, a cachaçaria, que se tornou a nossa segunda casa.
*O ÚLTIMO*
Acima de tudo, 2004 foi especial porque foi o último com o meu irmão e coincidência ou não, foi o ano em que tivemos uma convivência mais intensa. Foi o ano em que eu o vi apresentar a monografia, foi o ano em que ele se formou. Foi o ano em que eu o vi no palco de um espetáculo de dança, como o Coelho de Alice no País das Maravilhas. Também foi o ano em que eu o vi tomar uma das decisões mais difíceis de sua vida: largar a natação. Só que mesmo depois disso, ele continuou feliz. Começou a se dedicar aos seus alunos, na academia onde dava aulas. Ficou muito mais próximo dos seus amigos. Foi o ano em que ele começou a beber, coisa que nunca fez enquanto era atleta, depois ele cultivou o panceps e ficou com uma barrigona e ele inventava uma festa a cada fim de semana, a última foi uma degustação de cerveja, em que eles compraram uma cerveja de cada marca.. Foi o ano em que ele ficou noivo de uma das minhas amigas de infância, o ano em que ele comprou a moto de seus sonhos, aquela Suzuki 500, a sua amada Gessy. 2004 foi o ano em que ele conseguiu fazer com que todos nos tornássemos uma única família, os amigos dele: Valtinho, Marquinho, Bruno, Fabrício, Luli, Marcel, Baldo e Cássio, meus pais e minhas amigas. União era sua palavra de ordem. PAZ, a sua palavra preferida e o símbolo do infinito, a sua marca. Ele, que fez todo mundo começar a gostar do Homem Aranha, que inventava festas, viagens, que fazia tudo acontecer, ele que saiu para tomar um vento no rosto e nunca mais voltou, nos deixou uma lição de vida que talvez nem imagine. Ou talvez sim. Foi tudo tão intenso que parece que foi de propósito.
por Freda Franchin às 11:07 PM
Sábado, Janeiro 01, 2005
CULTIVANDO PESSOAS
Neste primeiro dia do ano, eu não vou desejar sorte e nem vou desejar sucesso. Também não vou desejar paz, tampouco felicidade. Eu não vou desejar nenhuma dessas coisas, porque há alguns dias eu descobri que nada disso vale a pena, se você não começar a valorizar as PESSOAS.
Eu percebi que não podemos controlar o tempo, não temos uma máquina que nos permite viver as coisas novamente. Não existe nenhuma maneira de você dizer àquela pessoa que já se foi o quanto ela era importante pra você. Não existe mais nada que você possa fazer para mudar alguma coisa do seu passado, não existe nenhum modo de mudar o que você já viveu, o que você já falou. Por tudo isso, a única coisa que eu vou desejar neste ano é: VIVA. VIVA intensamente. Simplesmente VIVA um dia de cada vez, como se cada dia realmente fosse o último.
Pode ser que amanhã você não possa mais falar para aquela pessoa que você a ama, talvez você não possa mais dizer o quanto ela é especial e importante na sua vida. Talvez amanhã você não possa mais abraçá-la ou olhar em seus olhos. Talvez amanhã você não precise mais adiar aquele telefonema. Talvez amanhã você não possa mais rir de suas brincadeiras e ou vê-la fazendo algo de que realmente goste. Talvez amanhã seja tarde demais para viver.
Sabe aquela coisa: Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje? Todo mundo já ouviu isso, mas será que alguém realmente já parou para pensar no que isso significa, no quanto essa frase é sensacional, no quanto deveríamos nos basear nela pra tudo na vida? Eu vejo tantas pessoas pensando dessa maneira, eu mesma sempre preguei o Carpe Diem, sem ao menos me dar conta de que da boca pra fora é muito fácil. Difícil mesmo é você abraçar a sua amiga ou a sua irmã e dizer EU TE AMO olhando em seus olhos. Difícil é você dizer para as pessoas o que realmente pensa sobre elas, o quanto são importantes ou não. E o que VOCÊ está fazendo para mudar isso? Quando foi a última vez que VOCÊ falou para a sua mãe o quanto ela é importante? Quando foi a última vez que VOCÊ abraçou pra valer os seus amigos?
Seja espontâneo. Se o que você sente lhe dá vontade de chorar, chore, se dá vontade de rir, ria. Ria quando está feliz, chore quando está triste, chore quando alguém diz algo bonito, chore quando lê uma poesia. Se você sente alguma coisa, deixe as pessoas saberem o que você sente. Se você gosta de alguém, diga, vá e lhe dê um beijo.
Até aonde vale a pena você sentir ódio, raiva, inveja e todos esses sentimentos mesquinhos? Eu sei, é fácil falar, mas pense de verdade, na proporção desses sentimentos pequenos, perto de tudo de bom e grandioso que temos em nossas vidas, como nossos amigos e familiares. Estou falando de PESSOAS. O que importa não é o QUE você tem na vida, mas QUEM você tem na vida. São as PESSOAS que realmente importam.
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O meu reveillon foi péssimo. A Hello que mora comigo, veio pra cá e nos reunimos todos na casa do Valtinho, um dos amigos do meu irmão. Basicamente as mesmas pessoas do Natal. Era uma casa linda, tinha um monte de comida maravilhosa e até barril de chopp, mas não teve nada que me fizesse parar de pensar, ao menos por um segundo, no quanto eu queria que o meu irmão estivesse ali. Passei o tempo todo pensando nas brincadeiras que ele estaria fazendo, no quanto estaria nos fazendo rir, no que eu falaria se o pudesse abraçar só mais uma vez, para lhe desejar um feliz ano novo. Fiquei pensando nele se arrumando para a grande noite e me perguntando se aquela camisa estava bonita e qual sapato ele deveria colocar.
Antes eu tinha a sensação de que o meu irmão tinha ido viajar, como se logo ele fosse chegar e eu fosse viver tudo de novo. Quando eu via o meu pai triste pela casa, eu me sentia estranha porque eu não estava tão mal quanto ele e a princípio tive medo. Medo de que a ficha ainda não tivesse caído, medo da dor que eu ainda poderia sentir. De repente eu me lembrava de tudo o que eu vivi no velório e no cemitério, de tudo o que eu vivi nos primeiros dias, de como eu não conseguia dormiu ou comer e então eu pensava que aquilo tudo tinha sido real, eu realmente tinha vivido aquilo, o meu irmão estava realmente morto. Então porque eu não estava tão deprimida?
Só que foi ali no cemitério, antes de ontem, no enterro do pai do Bruno, que a ficha caiu pra valer. Foi escutando aquela música, enquanto o Bruno enterrava o seu pai, que eu me dei conta de que nada mais será como antes, de que talvez algum dia eu fique bem, mas essa dor, essa angústia, essa saudade, até quando eu vou agüentar? Até quando eu vou agüentar ver a tristeza, o sofrimento, a dor, estampada no rosto do meu pai? Até quando eu vou agüentar o desespero e o sentimento de revolta da Sil? Até quando eu vou agüentar ver a minha mãe tentando ser forte, quando eu sei que a dor de perder um filho não tem fim? Até quando eu vou agüentar nós todos tentando levar a vida adiante normalmente, quando nada mais vai ser normal. Porque normal era ter o meu irmão dormindo na cama dele. E não aquela cama sempre vazia. Até quando eu vou ter que passar todos os segundos dos meus dias me lembrando de que eu perdi o meu irmão?
Aproveite os 365 dias para viver os seus sonhos
As 8736 horas para investir nos projetos que você vive adiando, e
cada um dos 524160 minutos para cultivar o amor e as pessoas.
por Freda Franchin às 8:00 PM
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