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Quarta-feira, Abril 26, 2006
MOMENTO MULHERZINHA
Por mais desencanada que seja, toda mulher tem seu lado mulherzinha e é cheia de seus cosméticos e produtos queridinhos. Hidratantes, perfumes, maquiagens, cremes de cabelo, fazem parte da lista dos queridinhos da maioria das mulheres. E como eu não sou diferente, e sou do tipo mais mulherzinha impossível, decidi fazer um post sobre os meus queridinhos.
O campeão dos campeões da minha lista, são meus cremes sem enxágüe do cabelo. Não é a toa que meu cabelo cacheado recebe tantos elogios por aí. Um dos melhores que já usei foi o Liss Extreme da L'oréal Professionnel, ele deixa uns cachos lindos e bem definidos. Também gosto muito do creme finalizador da Aneethun Profissional, que define bem os cachos.
O novo ativador de cachos da Dove, aquele da embalagem verde clara também é ótimo, e o que é melhor, bem barato.
Na semana passada, descobri um de uma marca nova chamada Body & Face, é um sem enxágüe de morango com champagne, ele não define os cachos como os outros, mas compensa só pelo cheiro maravilhoso que deixa no cabelo.
Eu morro de preguiça de passar hidratante no corpo, mas sou completamente apaixonada por hidratantes com cheiro de fruta, principalmente os de morango com champagne. O meu preferido é o da marca Antídoto. Aliás, tudo dessa marca é maravilhoso. O Body Splash de morango com champagne dá vontade de tomar de tão irresistível.
A Natura lançou o de creme de morango, mas não gostei muito, além de ser muito melado e não absorver muito bem, o cheiro também não é dos melhores.
Um dos melhores é o de morango com champagne da Mahogany, que tem um cheiro divino. Experimentei o de morango com champagne da Victoria Secrets e apesar dele ter uma ótima fixação e duração, o cheiro em si não chega nem nos pés do da Antídoto e o da Mahogany.
A Ox tem um hidratante de framboesa que também é maravilhoso. É de framboesa, mas lembra cheiro de uva.
Tenho um hidratante da contém 1g, que é imitação do perfume Angel que embora não seja de fruta tem um cheiro maravilhoso e ótima fixação.
Eu não sou do tipo que não sai de casa sem maquiagem, mas não abro mão de uma superprodução quando vou pra balada. Sou louca por rímel, já cheguei a voltar pra casa no caminho pra uma balada porque esqueci de passar rímel. O rímel garante um up na maquiagem, glamour absoluto. Sempre fui adepta do curvex, (uma dica: antes de usar, coloque ele perto do secador, os cílios ficam ainda mais curvados) mas descobri um rímel absolutamente milagroso. É o L'oréal Double Extend, são 2 em 1. Primeiro você passa a parte branca, que é o grande segredo do rímel, ele levanta muuuito os cílios e dá volume e depois que secar, você passa a parte preta que alonga mais ainda. Deixa os cílios dignos de capa de revista.
Tenho um blush líquido da Contém 1ge também é a minha paixão, deixa um visual muito saudável e natural.
A Natura também tem um corretivo maravilhoso, é o da linha Única. Ele deixa um aspecto muito natural e cobre qualquer manchinha com perfeição.
Aí vem os produtinhos mais básicos:
Desodorante: não uso outro que não seja o Dove aerosol
Sabonete: Johnson ou Nívea
Perfume: Agora estou usando o Tommy Girl, mas gosto de vários. Ah, pra quem gosta do Angel, o da Contém 1g é simplesmente idêntico ao verdadeiro, a diferença está na fixação. A Hello tem o verdadeiro e eu tenho o da Contém 1g e é realmente impressionante.
Shampoo: Não ligo pra marcas, não acho que faça muita diferença, mas escolho sempre os próprios para cabelos coloridos.
Condicionador: Difícil encontrar um que desembarace meus cabelos. Por isso, há mais de 1 ano uso o Garnier Fructis para cabelos coloridos.
Acho que já deu pra perceber que eu não tenho frescuras com marcas caras e famosas, se o produto é bom, não importa a marca.
por Freda Franchin às 2:26 PM
Sábado, Abril 22, 2006
DEMOREI MAS VOLTEI
Primeiro eu tive prova, depois tive que fazer uma resenha, depois tive outra prova e depois tive que ir numa festa perfeita e aí que eu fiquei a semana inteirinha sem escrever aqui e percebi o quanto me sinto esquisita quando não escrevo. Além de me sentir como se estivesse faltando alguma coisa, ainda por cima me sentia frustrada. Não é a toa que eu estou numa comunidade no orkut chamada EU PRECISO ESCREVER.
O feriado da páscoa foi demais, todos aqueles dias foram muito especiais. Minha casa estava movimentadíssima, cheia de hóspedes: a namorada nova do meu irmão, o Omar (morava, nadava e estudava com o Dú), a Vanessa (que era aluna de musculação do Dú) e meu namorado que nem pode mais ser considerado hóspede. Então todos nós passamos aqueles dias conversando muito e dando muita risada. Teve tarde de sexta-feira na piscina da casa do Marcel, teve bate papo eterno e animadérrimo na esquina da minha casa, rolou muita conversa na mesa da cozinha, teve tentativa frustrada de ir no pagode, rolou noite de sexta na Cachaçaria e teve churrasco no sábado a tarde.
Na sexta-feira ficamos horas na esquina da minha casa batendo papo e simplesmente estava todo mundo reunido! Senti uma falta enorme do Dú nesse momento, ainda mais quando o Daniel (que também morava e nadava com ele em RP) foi em casa se despedir da gente, porque ele foi nadar na Austrália.
No sábado teve festa do Cafona com o Sidney Magal e eu não estava nem um pouco animada pra ir. Primeiro porque eu já não sou mesmo muito animada, depois porque o convite estava caro demais e também porque sair em Bebedouro é sempre garantia de encontrar gente feia e criança. Aí o namorado fogueteiro queria porque queria ir e eu como sou uma namorada muito moderna deixei ele ir sozinho com os meninos e minha irmã. E o bonitão ainda chegou as cinco da manha e me acordou pra me contar tudo sobre a festa.
Minha cunhada nova é uma fofa, super divertida, animada e extrovertida e meu irmão está descaradamente louco por ela.
Nesses momentos em que estamos todos em casa, em especial, meus pais e meus irmãos, é quando a ausência do Dú fica ainda mais explícita. É por isso que eu sempre digo: perder uma avó, um amigo, uma prima ou uma tia ainda vai, mas perder alguém do dia a dia, alguém com quem você conviveu desde sempre, alguém de dentro da sua casa, que dorme no quarto ao lado, com quem você divide a casa, o pai e a mãe, aí é bem diferente.
Tem umas fotos desses dias lá no buzznet.
por Freda Franchin às 7:10 PM
Segunda-feira, Abril 17, 2006
O feriado foi bom demais, mas eu estou sem tempo pra contar, tenho coisas demais da faculdade pra fazer, então deixo vocês com um texto simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O e tem tudo a ver comigo! É do site Meninas que dizem Ni e é sobre o trabalho escravo das 9 as 18. Vale a pena ler!
Fim de caso
Prezado Emprego de Nove às Seis,
Não se engane com o cumprimento cordial. Você bem sabe que nosso relacionamento já terminou faz tempo, muito tempo. Mas a mágoa não cessa. Por isso eu, que nem sou de guardar rancor, decidi colocar tudo nesta carta para exorcizar o mal que me causaste "e causa ainda, agora através dos meus entes queridos. Não, não se manifeste, é minha vez de falar tudo! Para começar, esqueça o "prezado". Eu acho mesmo que você é um tipinho muito do desprezível.
Lembra quando nos conhecemos? Tudo era uma festa. Eu era só uma menina pobre e você veio com aquelas promessas de dinheiro fácil e pouco esforço. Todo fim de mês eu juntava as mãozinhas e agradecia por ter meu próprio e querido Emprego de Nove às Seis. Há! Como fui ingênua. Não demorou nada para você fazer de mim uma garota oprimida.
Primeiro, me obrigava a usar as roupas que você queria. Vinha com aquela história de vetar o uso das calças jeans e camisetas de desenho animado. Fez com que passasse a comprar camisa branca de botão e sapato, tirou minha individualidade. Só porque todas as demais moças que andavam contigo eram assim? Precisava ser tão hermético?
Arrancando a criatividade das pessoas você se sente feliz. Depois fica indignado porque todos ao seu redor preferem jogar Paciência no computador... Pudera! Neste seu ambiente, a moçada perde a garra, a vontade. Mesas iguais, cadeiras iguais, baias minúsculas. Não podia grudar uma foto das minhas sobrinhas na parede e lá vinha você, ciumento, dizendo "isso não é comportamento profissional".
No começo, confesso, caí na sua lábia. Prometias de tudo, lembra? Viagem de férias, décimo-terceiro, plano de saúde e até convênio odontológico. Suas armas de sedução funcionaram comigo e larguei o Mercado Informal, o rival de longa data, para cair em seus braços. Quanto arrependimento... Temo nunca me recuperar de você, Emprego.
Vivi esperando que notasse minha dedicação e assumisse nosso compromisso. Que custava assinar os papéis? Colocar seu nome na minha Carteira de Trabalho seria um sacrifício tão grande? Tudo bem nunca ter enviado um panetone aos meus pais, mas nos estávamos firmes, você disse que tudo ficaria bem e que me daria até aumento! Canalha!
Já não posso sequer ouvir o seu nome. "Emprego de Nove às Seis". Bah! Quero distância. Vejo muito bem o que você anda fazendo com a minha irmã, viu? Não bastasse dominar a vida dela nos dias de semana, ainda faz questão de possui-la aos sábados. Ela tem família, você não tem coração? Não tem vergonha de usar essa moça e depois descartá-la?
Como fez comigo, por sinal. Recordo muito bem daqueles fins de semana. Você ligava e dizia que algo importante acontecera. Eu, ainda inocente com suas artimanhas, apanhava bolsa e casaco e corria ao seu encontro " apenas para descobrir que você queria o trabalho refeito, para ontem. Eu chateava, mas aceitava, imaginando que isso faria de mim sua eterna preferida. Mal sabia que você só gosta mesmo é de variar de funcionários. Troca a equipe como quem troca de cueca!
Felizmente acordei daquele pesadelo. Deletei os arquivos que fiz para você, apanhei minha caneca de café e bati a porta da redação sem olhar para trás. Você tentou me segurar, novamente oferecendo mentiras como "carro da firma" e "seguro de vida". Não caio mais. Já chega ter acreditado naquela promessa de "divisão de lucros". Dividimos mesmo: você ficou com a grana, eu com a dor na coluna por conta da cadeira velha.
Saiba que estou agora muito feliz com seu primo, o Trabalho em Casa. Vivemos de modo humilde e precisamos ralar muito para quitar as contas. Mas estamos bem. Ele me dá liberdade e nem liga se coloco os pés na mesa enquanto faço as reportagens ou falo no telefone. Pretendemos inclusive gerar filhotes, sabe? Projeto de Vida e Sonho de Infância devem vir ao mundo daqui poucos anos. Serão lindos " e mal posso esperar para esfregar a foto deles nessa sua cara-de-pau.
Não que eu seja vingativa, ou já teria tomado medidas contra as suas comadres. Elas ficam me apontando, pensa que eu não sei? Onde passo, perguntam "trabalha em qual revista?". E quando respondo ¿nenhuma específica, eu sou freelancer¿, vem aquele olhar. Assim que afasto, percebo os comentários: "freelancer, sei... Na minha terra isso tem outro nome... É aquela palavra com D... De-sem-pre-ga-da! Aposto que fica borboleteando o dia inteiro, essa aí". Que ódio tenho disso, cara! Como se só fosse respeitável quem joga no seu time!
Mas olha, Senhor Emprego de Nove às Seis, todos merecem ser felizes de uma maneira ou outra. Se fosse mais esperto, saberia que está cercado de gente que precisa de ti, mas não te ama. Não custava ser mais flexível, permitir uma folga aqui e outra ali. Com essa postura rígida de cem anos atrás, só o que você consegue são mentiras. Sim, porque quando aquele garoto diz "preciso ir ao dentista" ou "minha avó faleceu", ele cai mesmo é na farra! Vai ao cinema, viu? Não pense que você pode vigiar a todos por todo o tempo.
A mim, não engana mais. Um dia podemos nos encontrar de novo, porque... você sabe, eu gostava do pessoal. Das conversas no cafezinho, dos almoços em grupo, daquela dinâmica. Não de você, não! De você não tenho saudade. Te risquei da minha vida. E só escrevi para isso mesmo: dizer que você está demitido.
Passar bem,
Flávia
por Freda Franchin às 6:10 PM
Quarta-feira, Abril 12, 2006
UM POST CHEIO DE CALORIA
A semana foi curtinha e hoje é como se fosse sexta-feira. A parte boa, aliás, a parte ótima, é que depois de quase 5 meses sem ver meu irmão, enfim ele vai pra Bebedouro nessa páscoa. E não porque ele estará de folga, mas porque ele machucou a perna no futebol e ficará afastado por 10 dias. Eba!! Ele também vai levar a namorada nova, que eu ainda não conheço. O pior é que eu sou apaixonada pela ex dele e ainda não me conformo que ele está namorando outra! O namorado diz que eu estou com ciúme, mas é que dá uma preguiça de conhecer outra cunhada e depois outra e outra.
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Uma coisa é certa: gordas não são gordas à toa. Eu tenho uma amiga linda. Ela tem um rosto perfeito, cabelo lindo, é alta e gorda. E quando eu falo gorda, não é gordinha, estou falando de gordas de verdade. E ela não é gorda à toa. Ela é gorda porque come muuuito, come feito uma louca, come como se o mundo fosse acabar. Nada de arroz, feijão, saladinhas ou carne. Ela come lanches com hambúrguer, bacon, calabresa, e até a mussarela ela frita. Ela come cachorro quente com muito purê de batata, muita batata palha e muito ketchup. Ela come macarrão quase todos os dias. Toma muito refrigerante e adora um sorvete. Todo dia volta da padaria carregada de croisant e salgados de todos os tipos. Ela devora 1 barra de chocolate em 2 dias, 1 pacote de bolacha recheada inteiro de uma vez e tudo que tiver grandes quantidades de caloria. E eu fico inconformada de ver ela comendo daquele jeito, sem nunca demonstrar a mínima preocupação com o peso. Porque será que sinto uma espécie de raiva quando a vejo comendo tanto?
As fotos das baladinhas do fim de semana (sexta-feira na Cachaçaria e sábado no Café Cancun) já estão lá no buzznet.
por Freda Franchin às 5:35 PM
Segunda-feira, Abril 10, 2006
O LIVRE ARBÍTRIO E O DESTINO
Sábado eu tive um sonho lindo com o meu irmão. Sonhei que ele havia chegado na casa dos meus pais depois de um longo tempo fora e eu estava no meu quarto com a porta do guarda roupa aberta, escolhendo uma roupa. Ele abriu a porta do quarto, colocou só a cabeça pra dentro e ficou me olhando. Eu olhei bem pra ele, ele estava com aquela cara de Dú, lindo, de cabelo arrepiado e a boca bem vermelha. Depois de um tempão me olhando, ele disse longamente: Euuuuu teeee aaamoooo. E bem nessa hora eu acordei, com a voz dele ecoando na minha cabeça!
Quando liguei pra minha mãe pra contar meu sonho, ela me contou que teve outra notícia do meu irmão. Através do médium que faz fisioterapia com ela, minha mãe teve contato com um espírito de um tal de Dr. Ivo, que disse: "Minha mãe tinha só 35 anos quando ela morreu. Na época eu fiquei muito revoltado e achei injusto Deus ter levado a minha mãe tão cedo, mas agora eu entendo que Deus, em sua imensa grandeza, à sua maneira está sempre tentando nos fazer entender algo, crescer e aprender. Você não tem motivos para sofrer, seu filho é monitor lá na creche, ele é brincalhão e engraçado e as crianças adoram ele. Seu filho é feliz!"
E nesse mesmo dia, pela primeira vez, minha mãe, uma católica convicta, ex professora de catecismo, foi ao Centro Espírita com uma amiga. E adorou.
Hoje eu percebo que nada em nossa vida acontece por acaso, até os acontecimentos mais tristes e trágicos tem seu propósito. Minha mãe quebrou o cotovelo em agosto, 8 meses após termos perdido o Dú. Foi uma fratura grave, ela teve que passar por uma cirurgia, colocou pinos e ainda precisa de muita fisioterapia pra ter o movimento dos dedos absolutamente normais. Mas o que é um cotovelo quebrado, diante de tudo que isso trouxe de bom pra ela? Foi só depois de quebrar o braço que ela desacelerou, que ela parou de trabalhar desenfreadamente e se deu o direito de sofrer e foi só depois de quebrar o braço que ela começou a freqüentar a fisioterapia 5 vezes por semana e foi lá que ela teve vários contatos com o espiritismo, com médiuns e com o meu irmão.
É por isso que hoje, raramente algo tira o meu sono, raramente algo me faz sofrer loucamente. Porque hoje eu sei que tudo, por mais triste ou trágico que seja, tem sua razão de ser e nada acontece por acaso. Nós somos donos de nosso livre arbítrio, mas o destino rege as nossas vidas.
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Tinha uma foto num porta retrato, no criado mudo ao lado da minha cama. Era uma foto do meu irmão e era muito comum, à noite, eu ir dormir chorando depois de passar um tempão olhando justamente aquela foto. Meu mural está lotado de fotos dele, mas era justamente aquela foto que me deixava triste. Ele está com uns olhos enigmáticos, vivíssimos e parecia que ele estava o tempo todo olhando dentro dos meus olhos. Eu fiquei triste, me senti um pouco culpada, mas troquei a foto dele por uma em que estou com meus outros 2 irmãos. Esta é a realidade agora, somos só nós 3 e o Dú estará pra sempre em nossas melhores lembranças, mesmo que longe dos nossos olhos.
Aí embaixo estão as fotos em questão:
A foto era essa
E foi substituida por essa
por Freda Franchin às 3:36 PM
Sexta-feira, Abril 07, 2006
A PIPOCA DO RUBEM ALVES
Desde que minha mãe se apaixonou por Rubem Alves, ela tem me mostrado vários textos, mas sem dúvida esse é o mais lindo de todos. Para os preguiçosos, só digo que o texto é enorme, mas vale muito a pena chegar até o final, é simplesmente genial!
A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.
Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.
Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas.
Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.
A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.
A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.
Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.
Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.
Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! - e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
"Morre e transforma-te!" - dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.
Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.
Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".
Só pra constar: Essa semana fui à festa de aniversário do Omar (morava, nadava e estudava com o meu irmão) e lá eu encontrei vários amigos e amigas do meu irmão, a maioria fez faculdade com ele, mas também tinha alguns da natação. Nem sei por que, mas me fez um bem enorme estar ali entre eles. E como por coincidência eu estava com o álbum de formatura do Dú no carro (o Omar tinha pedido emprestado), virou uma festa. É impressionante como meu irmão era querido!
Só pra constar 2: Esse fim de semana tem Carnabeirão: Chiclete com Banana, Banda Eva, Ivete Sangalo e Asa de Águia. No ano passado eu fui, mas este ano ficarei na vontade. Estou deprimida! Ai, como é duro ser pobre!!
por Freda Franchin às 11:45 AM
Terça-feira, Abril 04, 2006
SOBRE COMO TRANSFORMAR TRISTEZA EM ALEGRIA
A festa de aniversário do meu irmão foi o máximo! Nada de tristeza, estava todo mundo alegre, batendo papo e se divertindo. Foram muitos amigos dele, acho que uns 15 amigos, isso sem falar das amigas! Todo mundo ficou usando o chapeuzinho do Homem Aranha e amaram o mural de fotos (acima) que eu montei. Peguei fotos dele desde pequeno e montei um mural lotado de fotos que coloquei lá no meio da festa. Fez o maior sucesso.
Além dos chapeuzinhos, eu tinha comprado uma toalha de mesa do Homem Aranha, a vela do bolo e bexigas e acabamos montando uma decoração totalmente Homem Aranha.
A festa, que teve como trilha sonora todas as músicas que o Dú gostava, começou as 20:00 e rolou até a meia noite e depois fomos em peso pra uma baladinha onde pedimos pra banda oferecer uma música pro Dú. Aí o cara da banda falou: "E essa música vai para o Eduardo Luiz Franchin", só que a música era da Ivete Sangalo e eu acho que o Dú ficou bravo porque ele detestava axé.
Na hora de cortar o bolo optamos por não cantar parabéns. No ano passado cantamos parabéns e todo mundo chorou e depois que acabou o parabéns, ficou um clima estranho, porque não tinha ninguém pra apagar as velinhas. Além disso eu falei pra minha mãe que a letra do parabéns a você não fazia muito sentido naquela ocasião. Afinal, como desejar muitos anos de vida pra alguém que não tem mais vida?
Então a minha mãe teve a idéia de chamar nosso vizinho de 2 aninhos que também se chama Eduardo pra apagar a velinha. Nossa, ele ficou super empolgado e um momento que era pra ser triste acabou ficando divertido porque meu pai teve que acender a velinha umas 15 vezes pra ele ficar apagando até cansar. O Dudu é um fofo!
Também pedimos pra cada convidado levar 1 Kg de alimento não perecível para fazermos uma doação em homenagem ao meu irmão. E o pessoal levou tanta coisa que só ficou faltando o arroz pra completar uma cesta básica completíssima. Agora estamos escolhendo uma família bem pobrinha pra receber a doação.
Coloquei aqui embaixo 3 fotos que eu amo:
Minha mãe com o Dú no colo e eu do lado de vestidinho vermelho, eu devia ter 1 ano e alguns meses e o Dú uns 6 meses. Meus outros 2 irmãos ainda não tinham nascido.
Eu e o Dú despenteados. Essa foto é maravilhosa!
Eu e minha irmã com as roupas e as maquiagens da minha mãe e o Dú embaixo. Eu divia ter uns 11 anos.
As fotos do niver já estão lá no buzznet.
por Freda Franchin às 12:15 PM
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