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Segunda-feira, Julho 31, 2006
TERÇOL GIGANTE, TELEVISÃO, TUMULTO E FAMÍLIA
O culpado pelo meu sumiço foi um terçol gigante que se alojou no meu olho esquerdo na ultima semana. Foram 6 dias inteiros com a pálpebra e todo o redor do olho super inchado e roxo. Nunca tinha visto nada igual, principalmente para um terçol, que parece algo tão inocente e simples. Passei os dias fazendo compressas, pingando colírio, visitando o oftalmo e tomando antiinflamatório. E lógico, fugindo das pessoas! Eu estava praticamente deformada.
*Reparem que eu estou de óculos de sol em todas as fotos abaixo, pra esconder o terçol monstruoso.
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Mas aí eu ganhei o melhor presente que mamy já me deu na vida. Quer dizer, o segundo melhor presente, porque sem dúvida o primeiro melhor presente foi a minha cirurgia de miopia. Eu ganhei uma TV de 20 polegadas e um rack!! Sentia muita falta de ter TV no meu quarto em Ribeirão porque meu apartamento está sempre tumultuado com as amigas das roomates e assistir TV sempre exigia um esforço enorme dos ouvidos, isso quando conseguia uma vaga no sofá da sala. Mas agora o namorado e eu estamos felizes da vida porque temos toda a privacidade do mundo para vermos nossos filminhos no DVD. E nem precisamos disputar lugar.
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A verdade é que meu apê está um verdadeiro e completo tumulto. Temos uma hóspede que ficará por tempo indeterminado dividindo quarto com a Hello. Além disso temos uma visita (??) folgada e sem um pingo de noção que aparece todo santo dia, toma banho, usa o computador durante horas sem o menor desconfiômetro, anda de calcinha na frente do meu namorado e ainda colabora para o apê ficar ainda mais bagunçado do que o normal. E também temos uma outra visita bem mais normal, mas que tem aparecido todos os dias. No final das contas, o tumulto toma conta e ter sossego e paz virou utopia. Ah, se eu tivesse grana pra morar sozinha, seria a pessoa mais feliz do mundo só porque meu apezinho seria todo fofo, arrumado e organizadinho. Cansei de conviver com bolsas, remédios, casacos e todo tipo de objetos espalhados pela sala. Socorro!!!
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E hoje eu retoquei minhas luzes e fiz chapinha pra ver como ficou. Como sempre, fiz mechas cobres, marrons e loiras. Ficou mais claro e com mais mechas loiras e eu A-M-E-I!!!
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Meu tio, minha tia e meus primos Gabriela (10 anos) e Vinícius (13 anos) chegaram dos EUA na semana passada. Foi muito doido ver meus primos tão grandes e diferentes, que foram embora daqui tão pequenos. Foram 9 anos de distância e agora eles já são grandes e nós perdemos tantas coisas. Os pequenos nasceram nos EUA, vieram pra cá praticamente bebês, viveram aqui 2 anos e voltaram pra lá. Eles falam inglês e português, mas o português deles tem muito sotaque inglês.
Eles vão passar só 1 mês por aqui, mas prometeram que agora com o Greencard, virão todo ano. Eba! É difícil aceitar que eles ficaram 9 anos longe e exatamente 20 dias antes deles virem, minha avó faleceu. Mas eu já aprendi a aceitar os desígnios de Deus e eu tenho certeza de que Ele teve um motivo muito bom para este verdadeiro desencontro. Pensando bem, eles perderam mais do que nós, perderam os últimos anos de vida do meu irmão e da vó Laura.
Mas então no sábado rolou um verdadeiro almoço de família, com direito a muitos tios e primos. Foi uma tarde muito especial e inesquecível.
Tio Lu (q mora nos EUA), tia Angela e meu pai. Pra completar os irmãos, só falta o Tio Ricardo
Pra completar a turma dos primos, só tá falando meus irmãos Carlos e Dú
Tio Lu, Tia Fá, minha prima Aline e eu
Eu e meu primo Vinícius
As amigas não faltam nem em almoço de família: Sil, minha prima Aline, Lê e eu
E é lógico que o Rafinha não pode faltar!!
por Freda Franchin às 9:40 PM
Sábado, Julho 22, 2006
CRIANÇA FELIZ QUEBROU O NARIZ
Nos últimos tempos tenho sentido como se a maternidade me chamasse, como se o meu corpo estivesse disparando um alarme, me dizendo que é hora de ser mãe. Passo o dia inteiro vendo programas sobre bebês na Discovery & Health e já até decidi que meu filho vai nascer de parto normal. Fico maravilhada pensando em mim grávida ou cuidando do meu próprio bebê. Sempre tive vontade de ser mãe, mas nunca foi tão forte e intenso como agora.
Quer saber? Acho que vou dar uma boa mãe! Tenho passado muito tempo com o Rafa e descobri que apesar de todas as artes que ele apronta, eu consigo sempre agir com calma, sabedoria e tranqüilidade, sem berrar, sem perder o controle e sem relar a mão nele, eu explico o que pode e o que não pode ser feito ou dito. Ele presta toda a atenção do mundo em tudo o que eu explico e depois abraça, beija e pede desculpa. Percebo que carinho e atenção são fundamentais para fazer dele uma criança melhor. E eu tenho me surpreendido muito com meu jeito de lidar com ele.
Hoje eu o levei pra brincar num parque e o deixei lá, livre, leve e solto. Não fiquei gritando, não fiquei me matando de preocupação com a sujeira que ele estava ficando nem com qualquer possibilidade de tombo. Ver ele brincando tão livre e feliz é mágico, é lindo.
Pode ser que algum dia ele vá embora e que no futuro nem se lembre que existimos, mas a alegria e o conforto que ele tem nos trazido agora é abençoado, sagrado e inesquecível. Crianças são seres sagrados.
por Freda Franchin às 11:32 PM
Quarta-feira, Julho 19, 2006
COLOCANDO A VIDA EM DIA
Estou aproveitando as férias em Bebedouro para me cuidar:
- Depois de 6 anos fugindo, estou indo ao dentista! Pois é, depois que extrai meus dentes do siso acho que fiquei meio traumatizada e nunca mais voltei. O pior é que o negócio ficou tão feio que estou tendo que tomar anestesia pra fazer o tratamento e eu tenho pavor de agulha!
- Fui na podóloga tirar umas colosidades nos dedões e agora tenho meus pés de volta, lisinhos lisinhos. Comprei até um hidratante de canela para os pés, da Avon. Isso que dá ter namorado viciado em pés.
- Mandei manipular uns remédios e gastei uma fortuna na farmácia de manipulação: base fortificante para as unhas, tônico para minhas sobrancelhas invisíveis e um anti rugas caríííssimo.
- Fui na cabeleireira fazer cauterização, mas nem gostei tanto do resultado. Só passando a tesoura mesmo pra dar um jeito nessas pontas duplas!
- Fui ao ortopedista porque tenho sentido muitas dores nas costas. Ele me pediu um raio x de coluna, mas desconfia de que o problema seja muscular. Eu sou muito tensa, os músculos dos meus ombros vivem duros e causam muita tensão no resto das costas. Ontem eu tomei o relaxante muscular que ele me receitou e dormi e acordei bem como não acontecia há muuuitos meses.
- Ainda tenho consulta na ginecologista e pretendo ir ao dermatologista fazer um pielling no rosto.
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Dia desses descobrimos que roubaram a placa de bronze do túmulo do meu irmão. Na verdade, roubaram milhares de placas lá no cemitério. Dá pra acreditar numa coisa dessas? Sem comentários.
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O melhor de ficar aqui em Bebedouro, além de curtir a family, é assistir Lost de segunda-feira, no AXN. Fico meio perdida já que perdi muitos episódios da segunda temporada, mas sou alucinada por este seriado.
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Outra coisa boa de ficar em Bebedouro é poder passar o dia inteirinho curtindo o Rafa. Dou banho, preparo a mamadeira, vejo *fumes* de bichos com ele, brincamos com os dinossauros, vamos juntos à locadora, médicos, supermercados, casa da vó e eu também dou muitas broncas. Impressionante como broncas e explicações ensinam muito mais do que tapas. E aí ele fala: "Voxê é bava, né Feda?"
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Dei uma boa atualizada nos meus links de blogs ai do lado. Nos últimos dias descobri blogs muito bacanas, de gente muito foda, que escreve bem demais. Destaque especial pro blog mais foda de todos: Casa da Gabi. Li ele inteirinho e ela escreve de maneira muito divertida e envolvente.
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A melhor notícia do ano chegou hoje: meu tio chega dos EUA com a família depois de amanhã, depois de 9 anos longe. Que pena que a minha avó não pôde esperar só mais um pouquinho por esse encontro.
Quando meu tio voltou para os EUA da última vez, meus primos ainda eram muito pequenos, praticamente bebês e agora o Vinicius já deve estar com uns 1 3 anos e a Gabriela com uns 10. Eles vão ficar 1 mês por aqui. Viva!!!
por Freda Franchin às 12:25 PM
Segunda-feira, Julho 17, 2006
DVD DE CASAMENTO, MISSA DE SÉTIMO DIA, SUSHI, RESSACA, CINEMA E ACIDENTE DE CARRO.
Sobre o fim de semana que teve de tudo
Quinta-feira fui com o namorado e a família dele na casa da Ana Paula e do Sílvio recém casadinhos. Primeiro teve um jantarzinho muito bom e depois assistimos o DVD do casamento deles, ao qual fomos em janeiro e o namorado foi padrinho com minha cunhada.
Sexta-feira fomos à missa de sétimo dia do tio do namorado e depois fomos pra casa do primo do namorado comer sushi, seguindo mais uma das tradições japonesas. Eles comem sushi após a missa de sétimo dia.
Depois o namorado e eu fizemos uma festinha particular muito divertida. Muitos morangos com vodca, açúcar, groselha e gelo foi a bebidinha que fez a ressaca do dia seguinte valer a pena.
Sábado almoçamos o Yakisoba divino da minha sogra e depois dormimos a tarde inteira. A noite fomos num Sushi Bar com mais 5 casais e lá eu tomei uma caipirinha de saquê com morango boa demais. E encerrei com tempurá de sorvete. Não sou muito fã de sushi e sashimi, mas descobri que gosto demais de vários outros pratos da culinária japonesa. Principalmente os pratos bons e baratos desse novo Sushi Bar, de um amigo do namorado.
Domingo passeamos no Shopping à tarde e depois fiquei em casa de bobeira enquanto o namorado foi correr no parque. À noitinha ele estava vindo me buscar para irmos ao cinema quando bateu o carro. Fui até a delegacia onde estavam fazendo o B.O e vi que o carro do namorado amassou bastante, mas ele estava inteirinho, sem nenhum arranhão e no final das contas é só isso o que importa. O carro a gente manda consertar, mas a vida não tem conserto.
O namorado estava indo pra minha casa quando um senhor de Fusca passou direto sem obedecer ao PARE e meu namorado entrou na porta dele. O velhinho era tão passado que teve que voltar lá pra ver que realmente tinha um Pare pra ele no local. Agora é rezar pra ele ter a decência de pagar o prejuízo. Namorado acionou o seguro e o velhinho só vai ter que pagar a franquia, mas nem isso ele sabia o que era. Impressionante como a gente só bate em pobre. Dá muito dó do senhor, mas se ele não tem dinheiro, o namorado também não tem!
Mas depois fomos ao cinema assim mesmo e vimos Superman, que eu nem gostei muito. E ainda comemos uma pipoca extra mega super gigante lotada de manteiga. Porque se é pra ficar gorda, que seja com estilo!
E aí o fim de semana acabou...
[UPDATE] Ontem encontrei meu ex namorado na Rener. Ele estava com a namorada nova e eu com meu namorado nem tão novo assim. Confesso que foi bem estranho encontrá-lo depois de tanto tempo. Namoramos quase 5 anos e ele simplesmente fingiu que não me viu. Achei ridículo, mas pensando bem, foi melhor assim.
Essa vida é mesmo muito doida. A gente passa tanto tempo com uma pessoa, divide o dia a dia, conhece a família, a rotina, as fraquezas, a vida inteira e de repente simplesmente fingimos que não nos conhecemos.
por Freda Franchin às 12:18 PM
Quarta-feira, Julho 12, 2006
UMA ESTRELINHA EM NOSSAS VIDAS
Mamadeira no armário, gaveta cheia de roupas infantis, escova de dente infantil na pia do banheiro, danoninho na geladeira, shampoo e sabonete johnson dentro do Box, talco e pequenas meias, colherzinha e faca sem pontinha na mesa do almoço e brinquedos espalhados pela casa inteira. Pois é, agora temos criança em casa. Infelizmente eu não ganhei um sobrinho e tampouco estou grávida, ganhamos foi um vizinho de dois anos e meio que fica aqui em casa o dia inteiro e é completamente apaixonado pela tia Lídia (no caso, a minha mãe).
Ele é tão tão tão carinhoso, tão fofo, tão meigo que dá vontade de apertá-lo o tempo todo. De vez em quando ele faz birra, tem umas explosões, fica nervoso e agressivo, mas a gente tem conseguido lidar bem com seu gênio forte. Nunca imaginei que educar uma criança fosse tão difícil e tem vezes que não sabemos o que fazer ou como agir, mas é impressionante o quanto ele mudou e melhorou desde que passou a freqüentar nossa casa, há três meses.
Os pais dele são pessoas muito humildes que depois de cometerem muitos erros na vida, estão mais do que dispostos a acertar. A mãe dele tem a minha idade e já tem cinco filhos, praticamente um de cada pai, sendo que um deles foi adotado por uma família. Ela é muito grata a minha mãe por tudo que minha mãe tem feito e eu percebo que a convivência com minha mãe tem feito ela melhorar muito.
Minha mãe costuma dizer que o Rafinha é um tesouro, uma estrelinha que Deus colocou em nosso caminho e que encanta a todos, assim que começa a conversar. Ele tem o gênio forte e é autoritário às vezes, mas na maioria das vezes ele nos encanta com sua doçura e atitudes brilhantes. Ele é tão pequeno e nem imagina o bem que tem feito pra todos nós e em especial, aos meus pais. Ele nem imagina o quanto nos ajuda a superar a morte do Dú. E ele fala do "Dú da tia" (meu irmão) como se o conhecesse. E quando explicamos a ele que o Dú mora com o papai do céu, ele diz que também quer ir morar com o papai do céu. Dia desses ele pegou um álbum de fotos e quando viu uma foto do Dú saiu correndo pra mostrar pra minha mãe: "Olha tia, o Dú voltou!"
Aqui em casa nunca tivemos muito contato com crianças, meus primos pequenos estão crescendo bem longe de nós, dois nos EUA, duas na França e cinco em São Carlos, por isso tem sido fantástica essa convivência, apesar de ser tudo muito novo pra nós.
O mais chato é ter que ensiná-lo a falar as palavras corretamente quando ficamos tão encantados com ele dizendo guguia (segura), fume (filme), pupupa (desculpa) e tantas outras coisas.
Dias atrás ele cortou o dedo na porta do corredor e teve que dar muitos pontos. Depois de deixar R$ 500 no hospital, minha mãe decidiu fazer um convênio pra ele.
A ironia do destino? O nome desta estrelinha que tem feito nossos dias mais felizes é Eduardo Rafael.
E é como a minha mãe disse: "Os ventos que às vezes nos tiram algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar. por isso, não devemos chorar pelo que nos foi tirado, mas sim aprender a amar o que nos foi dado, pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre."
Eu e o Rafinha
Meus pais, meus irmãos e o Rafinha
Meu pai com minha irmã, o Rafa e os irmãozinhos dele: Brenda e João Gabriel
O Rafa com minha irmã e minha mãe
Rafa com minha irmã
Meu irmão Carlos com o Rafa
por Freda Franchin às 12:15 PM
Segunda-feira, Julho 10, 2006
OS IMPACTOS DA MORTE
Eu sempre me orgulhava de dizer: "Eu nunca perdi ninguém que fosse muito importante pra mim". Era verdade, perdi algumas colegas e vizinhos, mas a morte mais próxima foi a de uma colega de classe, a Elisa, que faleceu num acidente de carro quando estávamos na sexta série. Perdi meu avô materno há seis anos, mas como vivi sempre muito distante dele, não sofri tanto. E de repente, em apenas 18 meses, perdi meu irmão e minha avó. Não quero falar sobre o imenso sofrimento que ainda tento superar, mas sobre as diferenças dos impactos que essas duas mortes causaram em mim.
É nítido perceber que a maior diferença no grau de sofrimento está no fato de perder alguém que mora na mesma casa que você. Não que não esteja sendo muito triste ficar sem minha avó, mas uma das piores coisas de perder o meu irmão, foi ter que conviver com a falta diária, com a sensação angustiante de que está faltando alguma coisa. Com o quarto dele vazio, a cama dele vazia, as roupas, os sapatos, os perfumes, as coisas da natação, os Cd´s, os arquivos do computador e todos os outros pertences pela casa. Quando a morte acontece dentro da sua casa, a sensação de perda fica imensamente maior e é sentida em cada segundo do dia. Pode ser que algum dia essa sensação constante de que está faltando alguma coisa passe, mas eu acredito que ainda vai levar algum tempo.
Além disso, outra coisa que diferencia o grau de sofrimento, é a idade da pessoa que morre. É esperado por todos nós que em algum momento de nossa vida, vamos perder nossos avós, afinal, é a lei natural da vida. Mas nunca esperamos perder nossos irmãos. Esperamos conviver o resto da vida com eles. Ir a seus casamentos e a ser tia de seus filhos, esperamos nos reunir com eles nos natais e envelhecer juntos.
Outra diferença está na morte que acontece de repente e na que nos dá um tempinho para nos prepararmos e pensarmos na possibilidade da morte. Meu irmão se foi de repente, no auge de seus 23 anos, num inesperado acidente de moto. Minha avó ficou três dias no hospital, e como já estava com 86 anos, a possibilidade dela morrer foi percebida por todos.
Acredito que não se deve comparar dor. O que dói muito em mim, pode doer menos em outras pessoas e vice versa, mas apesar de tudo, aposto como minha avó e meu irmão estão juntos hoje e aposto como já colocaram os assuntos em dia.
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Passei a semana inteira na casa de meus pais e na sexta-feira o namorado veio pra passarmos o fim de semana juntos, mas logo no sábado cedinho tivemos que voltar correndo pra Ribeirão pra mais um velório. Desta vez foi o tio do namorado que faleceu aos 92 anos depois de um derrame. O corpo demorou quase 24 horas só pra chegar de São Paulo. Foi interessante participar de um funeral japonês. Vários rituais, homenagens e tradições diferentes. Teve até monge budista falando japonês. Tudo super cheio de significados e eu fazendo um milhão de perguntas, encantada com tudo.
Namorado e eu fomos a 3 velórios em 3 semanas! Que horror!
por Freda Franchin às 6:52 PM
Quarta-feira, Julho 05, 2006
O DIA EM QUE O DÚ GANHOU COMPANHIA
Na sexta-feira à noite minha mãe ligou contando que a minha avó estava no Hospital e que apesar de ainda não terem um diagnóstico, estavam desconfiando de um derrame. Não sei se foi intuição, mas naquele momento eu tive certeza de que a minha avó estava morrendo. Mesmo assim rezei pra Deus ajudá-la, rezei pra que eu pudesse encontrá-la novamente em sua casa, vendo TV no sofá, com seu vestido rosa de sempre.
Minha tia a levou ao hospital na sexta de manhã, depois que ela vomitou sangue. Fora isso, ela estava normal, chegou andando no hospital, mas com o passar das horas foi ficando com o olhar distante e as seis da tarde já estava inconsciente. Minha avó chegou ao hospital às dez da manhã e passou o dia todo no quarto aos cuidados do médico plantonista. Simplesmente não chamaram um gastro ou um neurologista. E lá dentro do hospital ela teve um AVC isquêmico. Só chamaram o gastro e o neuro as nove da noite, depois que o meu pai armou um verdadeiro barraco com os médicos e enfermeiras. Foi então que a levaram para a UTI, e mesmo depois de milhares de exames ainda não tinham um diagnóstico.
Eu pretendia passar o fim de semana em Ribeirão, mas decidi vir pra Bebedouro visitar a minha avó no hospital. Impressionante como eu tinha certeza de que eram seus últimos dias de vida.
No sábado, enquanto o Brasil inteiro assistia ao jogo que tirou o Brasil da copa, eu estava no Hospital com minha irmã, meu pai e minha tia, vendo minha avó viva pela última vez.
Entrei na UTI com minha tia e confesso que fiquei um pouco impressionada com o que vi. Justamente na hora em que eu cheguei, ela começou a ter espasmos e ficou piscando os olhos desenfreadamente. Eu disse: oi vó 2 vezes e embora ela estivesse inconsciente, acredito que ela entendeu e me escutou. Os espasmos começaram a ficar pior e ela começou a ter uma espécie de convulsão e muita dificuldade pra respirar. Comecei a ficar desesperada e gritei pro enfermeiro chamar o médico. Minha tia, que também é enfermeira disse que não adiantava porque ela estava indo embora e começou a se despedir dela. Foi horrível, uma cena que eu preferia não ter presenciado. Mas o médico chegou e depois de medicada ela se tranqüilizou.
O neurologista chegou e ficou conversando com meu pai e minha tia dentro da UTI enquanto minha irmã e eu aguardávamos na sala de espera. De repente o meu pai saiu da UTI em estado de choque, chorando como eu nunca havia visto antes. Ele não conseguia me dizer o que era e eu então deduzi que minha avó havia falecido e comecei a chorar também. Mas depois ele conseguiu me explicar que ela não havia falecido, mas que o médico havia dado o diagnóstico de AVC de tronco e que não tinha mais jeito, ela ia morrer.
Eram cinco da tarde quando eu entrei na UTI pela ultima vez, e com a certeza de que não a veria viva novamente, me despedi.
Ela faleceu no domingo as duas da tarde, depois que seu grande (ela tinha doença de chagas) coração parou de bater.
E depois de 18 horas de velório, ela foi enterrada as 10:30 da manhã, juntamente com meu avô que já faleceu há mais de 30 anos. E o meu amor passou essas horas ao meu lado, sempre fofo, atencioso e preparado para me amparar cada vez que eu chegava perto do caixão.
O meu pai era o mais velho dos irmãos e depois dele tem mais 3. Um deles, o Tio Lú está nos EUA há 9 anos e está com a passagem marcada pro dia 19, muito triste a vó ter ido antes dele chegar ao Brasil.
Fora esses filhos, tem mais 5 que ela criou como se fossem dela, mas que na verdade são filhos do primeiro casamento do meu avô que se casou com minha avó depois de ficar viúvo.
Depois que eu fui morar em Ribeirão, os dias em Bebedouro ficaram corridos e eu passei a visitá-la bem menos e toda vez que eu chegava na casa dela, ela dizia: "Neta desnaturada, não vem ver a vó". Mesmo com seus 86 anos, ela tinha uma saúde impecável, nunca tinha nem gripes ou resfriados, mas de uns 5 anos pra cá começou a ficar senil e a ter problemas cada vez piores de memória. Num dia eu tinha que explicar de qual filho dela eu era filha, no outro tinha que cumprimentar umas 3 vezes e no outro tinha que contar várias vezes o que eu e meus irmãos fazíamos da vida. E na hora de ir embora, era sagrado que ela mandasse o recado: "Fala pro seu pai que a mãe dele ainda mora no mesmo lugar, viu?!" O mais incrível é que ela se esquecia de tudo, mas nunca se esquecia de que o meu irmão tinha morrido e sempre chorava diante de qualquer menção do nome dele. Aliás, ela chorava por tudo, se emocionava por tudo. Um dia chorou na garagem quando meu pai foi mostrar o carro que ele tinha comprado.
Lembrar da vó Laura, é lembrar das inúmeras férias que minhas primas e eu passamos na casa dela. Da mesa sempre posta, do pão quentinho que ela tirava do forno, do chá mate. É lembrar dos abraços calorosos, do monte de visitas que ela recebia o dia inteiro, de suas sagradas festas de aniversário em 4 de janeiro. É lembrar de sua macarronada famosa e maravilhosa e de seus bolos divinos. De seus cabelos longos que ela levava horas para pentear.
por Freda Franchin às 12:52 PM
Terça-feira, Julho 04, 2006
Ontem o Dú ganhou uma companhia muito querida. E o céu provavelmente está em festa, porque chegou por lá uma pessoa muito muito boa, dona do maior coração do mundo. O Dú ganhou a companhia da nossa avó paterna. E eu estou muito muito triste.
Por mais previsível que seja, a morte sempre nos pega de surpresa!
por Freda Franchin às 12:32 AM
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