Freda Franchin tem 27 anos. Mora com duas amigas em Ribeirão Preto e adora o seu cabelo. Tem mil planos e projetos, mas normalmente não consegue realizar nenhum. Adora brócolis, sopa, pimenta e tudo que é feito de batata. Ama leite condensado. Na cozinha só sabe cozinhar o trivial, mas o tempero de seu feijão é capaz de conquistar um coração. Sonha em conhecer o Tahiti e a Austrália, mas no fim vai acabar ficando aqui pra sempre, porque ela não é uma pessoa de muita iniciativa. É ligadíssima à família, principalmente a seus pais e irmãos. Tem primas trigêmeas, dois primos americanos e duas primas gêmeas francesas. Também tem uma bisavó alemã, que nunca conheceu. Tem um irmão nadador que era lindo de *viver*. Ele faleceu aos 23 anos, no dia 12/12/2004, num acidente de moto. A dor é gigantesca. A saudade é eterna. E ela sente como se a ficha não fosse cair nunca. Mesmo assim, ela agradece a Deus por cada minuto dos 23 anos maravilhosos e inesquecíveis que passou ao lado dele. Adora MPB e sua música preferida é Wave do Tom Jobim. Na verdade, ela tem várias músicas preferidas. Mas odeia rap. E funk. E há algum tempo aprendeu a gostar de pagode. Aprendeu a viver a vida intensamente. Um dia de cada vez, como se cada minuto fosse o último. É uma publicitária frustrada que está fazendo faculdade de Jornalismo e continua tentando descobrir um jeito de ganhar dinheiro fazendo o que ela mais ama na vida, que é escrever. É viciada em revistas de todos os tipos, principalmente as de mulherzinhas. Tirando bula de remédio, lê tudo que lhe cai nas mãos. Adora escrever, mas odeia gramática. Já escreveu dois livros, mas não plantou nenhuma árvore e o filho só vem depois dos 30. Ele vai se chamar Gabriel. Seu namorado é um japonês saradinho, dono de uma alma encantadora e a boca mais linda do mundo. Um anjinho oriental que ela insiste em achar que foi seu irmão que lhe mandou. Não tem ídolos, mas também não tem fãs. Odeia gostar de coisas que todo mundo gosta. Fez uma cirurgia que a livrou de seus muitos graus de miopia e hoje está feliz da vida com seus olhos novinhos em folha. Tem pavor de agulha e já levou pontos na palma da mão. Sim, ela fez o maior escândalo. Foge quando tem que tomar vacinas. Vive dando ordens ao seu coração. Nunca teve catapora. Já ficou internada duas vezes, as duas por causa do dente do siso. Depois que perdeu seu irmão, aprendeu a falar EU TE AMO. Na verdade, depois que perdeu seu irmão, ela aprendeu muitas coisas e hoje é uma pessoa completamente nova que se descobriu muito forte. Já fez dieta para engordar. Hoje luta contra as banhas que se alojaram em sua barriga. Tem umas manias esquisitas, como passar creme nívea na boca e só dormir se tiver um copo d´água ao lado da cama. Dançou jazz e bale por cinco anos. Já treinou caratê, mas parou depois de levar um soco no nariz e começar a chorar no meio de uma competição séria. Hoje não faz mais nada e não anda a pé nem até a esquina. Mas está criando coragem pra voltar pra academia. É curiosa, mimada, preguiçosa, fresca, carinhosa, confusa e tem sono demais. Adora comida chinesa. Se formou no curso de inglês, mas já esqueceu quase tudo. Não consegue confiar nos homens e tem medo de casamento. Já trabalhou quatro anos no cartório de sua mãe, daí os traumas de casamento. Já teve um amor platônico, que se concretizou. É uma pessoa muito nostálgica. Sempre fica amiga de seus ex-namorados. Depois que se irmão se foi, ficou corajosa, colocou um piercing na orelha que é sua paixão e fez uma tatuagem na nuca, em homenagem ao seu irmão: é uma estrelinha azul, escrito o nome dele dentro: Dú. Nunca fumou, mas sempre fica bebinha e adora uma caipirinha de morango com vodca. Mas sempre acaba passando mal e a ressaca no dia seguinte é destruidora. Nunca teve cólicas, nem TPM. Ela já beijou um inglês chamado Sean e também um argentino com nome de sabão em pó, chamado Ariel. Seu irmão caçula é um policial militar, loirinho e intelectual que mora muito longe. Já bateu o carro duas vezes. As duas na mesma esquina, no mesmo ano e no mesmo dia da semana. Tem uma família sensacional, unida como pouco se vê por ai. Tem uma irmã linda. Que é nutricionista e vive passando dieta pra todo mundo. Sua melhor amiga é a melhor enfermeira do planeta, que também é sua eterna cunhada. Tem sete melhores amigas. Seis ela conhece desde criança. A outra mora com ela há quatro anos. Sua festa de 15 anos foi um acontecimento em sua cidade. Não, não teve valsa nem ator famoso. Mas teve Dj e muitos convidados. Muitos mesmo. Reprovou três vezes no exame de motorista. Adora bebês, mas não sabe se vai conseguir ter um. É por causa do parto, que envolve agulha. Seus pais são apaixonados. E também são apaixonantes. Sua casa vive sempre cheia de pessoas queridas e amigas. A maioria, amigos de seu irmão, que hoje é uma estrela. Seus pais vivem dando festas e adoram ver a casa cheia de gente. Sua mãe também fez uma tatuagem em homenagem ao Dú. Seu pai tem uma voz e tanto, mas tem bebido muito, tentando superar a perda do Dú. Freda é viciada em gloss e leite integral. Com nescau. É viciada em fotografia. E leva a máquina digital pra todo lado. Apesar de tudo, acredita que a felicidade está nas coisas simples da vida e agora que acredita em destino, espera que tenha coisas muito boas reservadas para ela.

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fredafranchin@gmail.com

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Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

RETROSPECTIVA 2006



Comecei 2006 no Guarujá, de vestido cor de rosa, pés na areia, família reunida, de mãos dadas com o namorado pulando as sete ondas. Tudo parecia perfeito. Mas descobri o óbvio: começar o ano de maneira maravilhosa não garante que o resto do ano será igual. E de fato não foi. Nenhuma ano é totalmente bom ou totalmente ruim. A vida é feita de altos e baixos e como todo mundo eu tive meus momentos felizes e outros nem tanto.

MOMENTOS 2006


Trabalho: Já faz mais de um ano que estou desempregada. Mas não sei se desempregada seria a palavra correta, já que eu não procurei emprego e curti muito minha vida de madame. Foi um ano de desânimo absoluto neste aspecto. Mas em 2007 quero e preciso trabalhar. E o meu maior desejo para 2007 é encontrar um trabalho legal, que me dê prazer e me faça feliz e de preferência que não me faça acordar cedo demais e que não me ocupe o dia todo. Eu só quero continuar fazendo academia e ter tempo para tomar meu banho tranquilamente antes de ir para a faculdade. Trabalhar 6 horas por dia está bom demais!
Mesmo sem um trabalho fixo, fiz meus bicos: trabalhei em dois eventos da APP (Festin e FestGrad), trabalhei na exposição de arquitetura da minha cunhada, fazendo contato com os arquitetos e escrevendo os textos do anúncio pra revista e do convite pro coquetel de lançamento. Trabalhei na Assessoria de Imprensa da Fenasucro (Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira). E também trabalhei no Bazar de Natal.

Faculdade: Foi o ano mais produtivo da minha vida neste aspecto, considerando que estou fazendo minha segunda faculdade. Nunca aproveitei tanto os ensinamentos dos professores quanto neste ano. Prestei atenção em tudo com a consciência de que tudo aquilo que eles estavam falando vai me servir pra alguma coisa depois de formada. Fiz um milhão de trabalhos e escrevi muito.

Amizades: Destaque especial para as amigas que fiz na faculdade: Monique, Anna Vitória, Vânia e Ana Carla. Elas são beeem mais novas do que eu e quando eu entrei na faculdade (depois delas, já que eliminei 1 ano) elas me receberam de braços abertos e hoje eu faço parte do clube da luluzinha loira e amo demais os nossos bate-papos na cantina, os jantares na casa da Vânia, nossas voltinhas de carro e nossas saídas só em mulheres.
Por outro lado, é fácil ser amiga de quem você encontra todo dia e eu me distanciei bastante de várias outras amigas, como a Aline e a Fernanda, a Gisa e as meninas de Araraquara e até mesmo da Hello. Com a Sil tive algumas dificuldades, mas tudo já está voltando ao normal. Principalmente depois desses últimos dias em Bebedouro em que eu fiz questão de estar sempre próxima dela.

Amor: Namorado e eu também tivemos nossos altos e baixos. Muitos momentos maravilhosos e apaixonados, mas também muita briga, discussão e stress. Depois de quase 2 anos de namoro ainda não aprendemos a conviver com nossas diferenças e nós somos muuuito diferentes. Apesar de tudo de ruim, tivemos uns 4 meses direto sem brigas e esse tempo foi maravilhoso, por um momento cheguei a pensar que as brigas iam acabar pra sempre, mas no início de novembro as brigas recomeçaram. Mesmo assim, melhoramos muito, não nos sentimos mais pisando num campo minado quando qualquer coisinha que fizéssemos ou diséssemos virava uma briga monstruosa. E um casal que já superou tantos desentendimentos e que tem tanta vontade de ficar junto merece um 2007 pisando nas nuvens. O melhor de 2006 foi que em meio a tantas brigas tivemos mais um ano de pura paixão. Conhece algum casal que namora há quase dois anos e que ainda é completamente apaixonado? Meu namorado e eu somos e eu tenho muito orgulho disso! Ah, este ano também trocamos de aliança, e já faz seis meses que eu uso esta aliança linda-maravilhosa de aço com ouro amarelo que eu amo tanto.

Material: A melhor coisa que eu ganhei de presente este ano foram os meus olhos novos. Sem dúvida minha cirurgia de miopia foi a melhor coisa do ano. Ter me livrado das lentes de contato é a maior alegria da minha vida. Este ano também ganhei uma TV pro meu quarto que é a minha queridinha.

Pessoal: No início do ano nasceu o Zequinha, baby da minha amiga de infância Jú. Eu acompanhei o desenvolvimento dele de pertinho e foi muito bom ter um bebê sempre por perto. Outra coisa maravilhosa que aconteceu este ano foi o Rafinha. Minha mãe fala pra ele que ele é um presente dos céus e ele fala: ¿Que lindo isso tia!¿ E eu concordo plenamente que ele foi um presente de Deus pra tornar o fardo mais leve. Foi e é maravilhoso ter uma criança dentro de casa, trazendo tanta alegria.
- Bom também foi ter publicado tantos textos, alguns no jornal da faculdade, outro da revista Mulher Dia a Dia e outro na revista Expressão.
- Mas este também foi um ano de perdas. Minha avó Laura faleceu de repente, no dia 02/07 e minha avó Dita faleceu mais do que de repente, no dia 30/09. Não preciso nem dizer o quanto foi foda. O mais louco foi o modo como eu simplesmente previ a morte da minha avó Dita e me despedi dela 2 dias antes de sua morte sabendo que era nosso último abraço. E eu sei que ela também sabia.

DESEJOS E PROMESSAS

*Que meu pai beba menos e que pare de caminhar rumo ao alcoolismo.
*Que meu irmão consiga ser transferido e passe a trabalhar mais perto de nós e numa cidade boa. E que assim possamos reunir a família mais vezes.
*Que eu comece a trabalhar num lugar bem legal que me faça feliz, de preferência escrevendo.
*Que o meu namoro fique mais maduro e sem brigas pelamordedeus.
*Que o Rafinha não mude de casa e que continue sempre praticamente morando na minha casa.

EM CLIMA DE PRAIA

Já marquei horário pra depilação, manicure e pedicure e a mala está praticamente pronta, recheada de biquínis, saias, shorts, protetor solar, vestidos, cangas, boné. Estou no maior clima de praia e amo ficar assim nos dias que antecedem a viagem. Pena que desta vez vamos ficar poucos dias, sairemos daqui esta madrugada e voltaremos na terça. Mal vai dar tempo de usar todos os meus biquínis novos. Estou ansiosa pelo meu primeiro reveillon longe de casa e da minha família. Vamos em 3 carros, 6 casais e ficaremos na casa da prima do namorado lá em Caraguá. O resto de 2007 pode não ser maravilhoso, mas que vai começar bem isso vai.
Pra vocês desejo desejo que em 2007 vocês aproveitem os 365 dias para viver seus sonhos, as 8736 horas para investir nos projetos que você vive adiando e cada um dos 524160 minutos para cultivar o amor e as pessoas.


por Freda Franchin às 1:59 PM

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

O NATAL TRANQUILO



Tranqüilo é uma palavra que descreve bem o meu natal. Acho que neste ano eu tive um natal parecido com o de muitas famílias, mas estranhei por que estou acostumada com natais mais animados e divertidos e mais parecidos com festa do que com jantar. Mas foi bom mesmo assim. Em cima da mesa tinha tender, macarrão com molho branco, presunto e queijos, arroz, frango a califórnia, maionese e uma sobremesa de sonho de valsa cuja receita minha irmã inventou. Em volta da mesa tinha minha mãe, meu pai, minha irmã, meu irmão, minha cunhada Mi, minha amiga-eterna-cunhada Sil, amiga de minha mãe Dani e lógico, o Rafinha que não parava de perguntar o motivo de ficarmos dizendo feliz natal uns para os outros e quando viu a vela perguntou se íamos cantar parabéns. Depois da ceia apareceu por lá a Lê e os meninos, Marquinho, Luli e Zé. Depois de comermos ficamos batendo papo e tomando batida de champagne com pêssego, mas o sono me dominou cedo e as 2:30 eu já estava sonhando com os anjinhos. Até teria ficado mais se no dia seguinte não tivesse que madrugar pra vir a Ribeirão almoçar com minha família japonesa.
Depois do natal tranqüilo, descobri que prefiro mesmo é um natal cheio de gente e bem tumultuado.

ENQUANTO ISSO NO PAÍS DAS DIETAS
Depois de panetones, chocotones, batidas de pêssego, cerveja e torta de nozes, hoje encarei a balança e mal pude acreditar quando vi que emagreci 100 gramas. Abençoado chá verde! Peso atual: 45,700. Faltam só 2 dias pra encarar o biquíni, colocar os pezinhos nas areias de Caraguá e inaugurar 2007 sem banhas.

RAFINHA NA PISCINA DE GENTE GRANDE
No domingo passamos o dia todo no clube e o Rafa se divertiu como nunca. Nas duas únicas vezes que ele entrou na piscina grande foi no colo do meu irmão e de bóia nos bracinhos. Ele falava que todo mundo o deixava afundar menos meu irmão. E sem que ele percebesse meu irmão o soltou e ele ficou lá nadando sozinho de bóia. Quando ele percebeu que meu irmão não o estava segurando ficou assustado, mas depois se empolgou tanto que no fim do dia já estava até pulando de cima do trampolim e batendo as perninhas e bracinhos feito gente grande.


Meu irmão com Rafa


Eu e o Rafa


Eu com a bóia do Rafa e ele atrás de mim


NAMORO
Como já era de se esperar, namorado e eu brigamos horrores esses dias. No sábado fui à Cachaçaria com a Sil e a Aline, mas não sem antes brigarmos. Ele ficou tão furioso com a minha saída que chegou a terminar o namoro. Mas logo ficou tudo bem, como sempre.


Sil, eu, Aline, Lê e minha irmã, na cachaçaria quinta-feira


Sil, Aline e eu, na cachaçaria sábado



por Freda Franchin às 3:04 PM

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

O MELHOR PRESENTE DE NATAL



Melhor do que a sandália linda que o namorado deu, melhor do que os brincos e a saia e as blusinhas e os biquínis que eu me dei e melhor do que a sandália que minha mãe me deu, o melhor presente de natal chegou hoje: O policial da família (leia-se: meu irmão) conseguiu folga e vem passar o natal aqui em casa!!! Será um natal com gostinho especial de família reunida. Agora é só esperar o presente chegar amanhã à noite.

Eu amo essa época do natal. Amo esse clima todo de festa e confraternização. Amo as decorações de estrelas. Amo as luzinhas que piscam. Amo árvores de natal. Amo panetone, tender e o macarrão divino que minha mãe prepara todo natal. Tenho um espírito natalino inabalável que nem mesmo a morte do meu irmão justamente no mês de dezembro conseguiu destruir. Eu só não entendo exatamente o que significa desejar feliz natal para as pessoas. Eu faço a minha parte desejando feliz natal pra Deus e o mundo, mas não vejo muito sentido nisso. É diferente de desejar feliz ano novo ou feliz aniversário e tal.

Mas eu fiquei tão feliz com a notícia de que meu irmão vem passar o natal aqui que até me esqueci da briga com o namorado. O que eu falei sobre a gente sempre brigar quando eu venho para Bebedouro sem ele? Pois é, já brigamos, já fizemos as pazes e já brigamos de novo. Que beleza hein?!
E pra ajudar, ontem os meus planos de sair com minhas amigas numa espécie de clube da luluzinha foram por água abaixo, já que a Cachaçaria estava lotadérrima e tivemos que dividir nossa mesa com alguns intrusos. Mesmo assim foi uma noite divertida e com muita conversa colocada em dia. Namorado é que não gostou nadinha dessa história dos intrusos e com razão, já que a ciumenta neurótica aqui também o proíbe de sentar em mesa de moças. Mas agora eu vou me tornar uma mocinha muito confiante, confiante naquela máxima de que se ele quiser me trair vai me trair de qualquer maneira, em mesa de moças dadas ou não. Mas que uma mesa de moças dadas facilita muito, isso é inegável. Só sei que está difícil esse namoro!


por Freda Franchin às 11:32 PM

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

PRÉ-NATAL



Então eu estou em Bebedouro, vim ontem para passar esses dias pré-natal com minha família. Afinal, nada mais família do que o natal. Morro de saudades do meu amor que ficou em Ribeirão, mas também adoro ficar aqui, tem mãe, pai, irmã, café da manhã, TV a cabo, Rafinha, piscina do clube, Sil de férias e o Zequinha (baby da minha amiga Ju).
Neste ano namorado e eu vamos passar a noite de Natal separados. Eu com minha família em Bebedouro e ele com a família dele em Ribeirão, mas o almoço do dia 25 eu vou passar lá com ele e com a família de olhos puxados gigante (mais de 100 pessoas) dele.
Aqui em casa pretendemos fazer um natal bem família e com alguns amigos que são meio família também, como a Sil e a Lê. Os irmãos do meu pai moram longe (um nos EUA e outro em Roraima) e a irmã que mora aqui é casada com meu tio anti-social e a família da minha mãe é todinha de São Carlos. Será o primeiro natal sem minhas avós e pra piorar é provável que meu irmão não consiga folga pra vir passar o natal conosco. Mas mesmo assim, com nossa família pequenininha e cheia de agregados teremos uma ceia digna de um natal de rainha. Já consigo sentir até o cheirinho do tradicionalíssimo macarrão de natal da minha mãe (molho branco, presunto e queijos) e do tender que eu tanto amo.
Hoje, se a chuva permitir, eu e as meninas (leia-se: minha irmã, Sil, Lê e Aline) pretendemos ir à Cachaçaria Água Doce, como nos velhos tempos.

....................
Toda vez que eu venho pra Bebedouro passar uns dias meu namoro entra em crise. Namorado fica irritadíssimo por que eu o abandono lá e qualquer coisinha é motivo pra brigas pelo telefone. Juro por Deus que morro de medo de ligar pra ele ou falar com ele no MSN por que mesmo que esteja tudo bem, sempre acabamos brigando ou ficando tensos por motivos idiotas. Tomara que consigamos ficar sem brigar desta vez, por que não vai ter graça nenhuma brigar em pleno natal.

....................
Na segunda-feira fiquei muito orgulhosa de mim. Depois de ralar muito na academia com meu namorado pegando no meu pé pra eu fazer aqueles exercícios chatíssimos direitinho, voltamos correndo (e não andando) da academia e ainda chegamos em casa, pegamos o carro e fomos correr no Parque Curupira. Euzinha aqui correndo é praticamente um milagre. Mas mais do que um milagre era mesmo uma comemoração, por que eu tinha pesado e perdi 1 kilo e 100 gramas em 5 dias. Não sei se foi o chá verde, a Hoodia, a malhação, a alimentação saudável ou tudo isso junto, só sei que eu fiquei eufórica quando olhei o ponteiro da balança marcando 46,100.
O maior sabotador de dieta sem dúvida são os eventos sociais, mas eu até que estou conseguindo me comportar. Na terça-feira fomos jantar num japonês e eu comi só gyosa (um tipo de pastel cozido e recheado com repolho, cenoura e carne de porco), Hobata (espetinho) de salmão grelhado e só bebi água, mesmo morrendo de vontade daquelas caipirinhas de saque.

....................
Lendo meu blog antigo, encontrei na carta pro Papai Noel de 2002, o seguinte pedido: Engordar uns 3 kilinhos.
E na carta pro Papai Noel do natal de 2003, encontrei este pedido: Ao meu irmão Eduardo, peço que ele tenha muito cuidado com a moto nova que está comprando. Ela é muito grande e ele muito maluco.


por Freda Franchin às 6:53 PM

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

A VELHA CHATA E ANTI-SOCIAL



Quem vem aqui há mais tempo já sabe que de uns tempos pra cá eu me tornei uma velha chata e anti-social. Eu acho que até certo ponto é normal eu ter ficado velha e mais caseira, afinal, já estou com 27 anos. Mas a partir do momento em que meu lado velha chata e anti-social passou a atrapalhar o meu namoro e minhas amizades, comecei a me preocupar. E já que minha psicanálise ficou só na vontade, decidi visitar meu neurologista chiquééérrimo que foi entrevistado no Globo Repórter numa matéria sobre memória. E então fiquei sabendo que eu estou à beira da depressão. Eu não me sinto depressiva, até por que não choro ou fico triste sem um bom motivo. Só me sinto desanimada e com uma vontade eterna de ficar deitada na minha cama lendo revistas e vendo TV. Mas muitos programas me atraem, como um dia de sol no clube, uma viagem pra praia, um cineminha ou um convite pra jantar e até mesmo uma boa baladinha com música ao vivo, de preferência com a banda do meu coração PB Messias e também não resisto a uma micareta, principalmente se tiver a presença do sou praieiro sou guerreiro Jammil.
Mas então ele me disse que se eu não me tratar agora, esse luto parado no meio do caminho que existe dentro de mim, pode me dar uma bela de uma depressão. O fato é que agora estou tomando antidepressivo e tenho retorno daqui a um mês.

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FIM DE SEMANA
O fim de semana até que foi bem animadinho e por incrível que pareça eu até consegui manter a dieta na linha.
Na sexta, namorado e eu fomos com um casal de amigos (Kazan e Lili) num barzinho e eu consegui tomar só um suco de laranja. Viva!
No sábado teve churrasco na casa do Kazan só para casais. Já contei que a turma de amigos do meu namorado é enorme e todos têm namorada? Somamos 9 casais. No começo do churrasco rolou um stress com o namorado e tivemos mais uma de nossas mega-brigas. Dessa vez eu fiquei bem magoada, sem conseguir engolir -até agora- algumas coisas que ele disse. É revoltante quando ele critica o meu passado e reclama que eu mudei muito e que ele queria que eu fosse como antes. Eu não posso ir lá mudar o meu passado e se eu mudei, ele precisa aceitar sem reclamar ou fazer comparações.
Bom, mas no final conseguimos fazer as pazes e aproveitar o churrasco numa boa. E eu consegui resistir a tudo e fiquei só no franguinho e na água.
No domingo acordamos cedo e fomos passar o dia no Splash Beach (parque aquático tipo Wet'n Wild). O sol deu o ar da graça e curtimos muito todas as piscinas e tobogãs e caipiroskas. Troquei o almoço por 2 caipiroskas e estava me sentindo na praia tomando caipiroska na frente da piscina de ondas.

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PRESENTES DE NATAL
Na sexta-feira fui buscar o namorado pra ele ir comigo numa loja nova de sapatos escolher uma sandália. E ele veio com meu presente de natal, isso por que não íamos nos dar presente de natal, mas a Lili (funcionária da loja da minha cunhada) disse pra ele que dá azar não trocar presente de natal e então ela mostrou pra ele a sandália que eu estava querendo e ele me deu de presente.
Passada a euforia por ter ganhado a sandália linda que eu tanto queria, fomos escolher a sandália que minha mãe me daria de presente. Fiquei apaixonada por essa loja nova, tem opções e mais opções e eu simplesmente não sabia que sandália escolher.
Depois fomos ao shopping comprar bermudas novas para o namorado e ficamos enlouquecidos numa loja nova, a Handbook, roupas estilosas e diferentes e muito baratas. Saí de lá com uma blusa rosa que vou usar no reveillon e o namorado ganhou camisetas de presente de natal.


A sandália que o namorado me deu de presente. Salto de cortiça e na cor prata envelhecido que dá pra usar tanto quando uma da cor caramelo


E essa é a que mamy me deu de presente. Salto baixinho e confortável


*Me perguntaram nos comentários onde comprar a Hoodia Gordonii. Por ser um fitoterápico pode ser comprado sem receita, em farmácias de manipulação. O meu é de 500mg. O ideal é consultar um médico para saber a quantidade correta de miligramas.


por Freda Franchin às 2:44 PM

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

O FANTÁSTICO MUNDO DAS CALORIAS PERDIDAS



Então, como eu já tinha contado, terça-feira trabalhei num Bazar com minha cunhada, minha sogra e uma prima do meu namorado. Fiquei mortinha, praticamente fiquei em pé das 8 da manhã às 11 da noite, a sorte é que eu estava de rasteirinha, mas mesmo assim meus pés, pernas e costas doíam absurdo, cheguei em casa e fui direto colocar os pezinhos na salmoura. Mas o pior mesmo não foi somente o fato de ficar em pé, o pior de tudo foi a tortura de ficar ali trabalhando sem poder sair pra olhar, experimentar e comprar aquele monte de roupas maravilhosas. A voltinha que eu dei foi rápida por que eu tinha que voltar logo pra trabalhar e no final fiquei só na vontade. A consumista compulsiva que mora dentro de mim estava quase tendo uma crise de pânico. Mas pelo menos não gastei! Afinal, as coisas não estavam tão baratas, praticamente o mesmo preço das lojas.
Eu detesto quando eu chego numa loja e vem logo uma vendedora falar comigo: "Boa tarde, pois não? Fica à vontade." Sou a favor de lojas como a C&A e a Renner, onde realmente ficamos à vontade sem vendedora nenhuma andando atrás da gente. Mesmo quando eu já sei o que quero comprar, sempre que eu entro numa loja gosto de olhar tudo e é um saco fazer isso com uma vendedora te perseguindo. E lá no Bazar eu me peguei fazendo exatamente isso, as pessoas chegavam e eu tinha que abordá-las, fazendo algo que eu odeio que façam comigo e pelas caras delas elas também odiavam quando eu chegava com o meu simpático "boa tarde".

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HOODIA GORDONII
Vocês já ouviram falar em Hoodia Gordonii? Eu explico, ou melhor, a revista Boa Forma explica: "É um cacto de origem sul-africana, muito usado por tribos do deserto de Kalahari para enganar a fome nas longas jornadas de caça. Ela corta a fome exagerada e a vontade de comer o dia todo, principalmente a vontade de comer doces. A pílula é totalmente natural, não causa dependência nem qualquer tipo de efeito colateral. Ela libera um componente químico similar à glicose, só que 10 mil vezes mais potente e sem caloria. A hoodia engana o cerébro e ele entende que tem glicose suficiente no sangue reduzindo o apetite."
Comecei a tomar ontem. Duas cápsulas por dia, 1 hora antes do almoço e outra 1 hora antes do jantar. Depois conto os resultados.

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CHÁ VERDE
Ontem também comecei a tomar o famoso chá verde. Coloquei 1 pedaço de casca de maçã junto e adocei com um pouquinho de mel, conforme li na revista Boa Forma. O negócio é ruim, mas dá pra tomar com um pouquinho de esforço. O ideal é no mínimo 5 xícaras por dia, será que consigo?.

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SOPA LIGHT
Ontem fiz uma sopa light. Receita da revista Nova. A sopa ficou divina, jamais pensei que uma sopa cheia de matos pudesse ficar tão deliciosa. E como eu sou muito boazinha vou passar a receita pra vocês.
Sopa Creme de Legumes - Ingredientes:
- 150 g de lagarto ou coxão duro.
- 1 colher (sopa) de óleo de milho.
- 1/2 cebola picada.
- 2 dentes de alho amassados.
- 1 tomate sem pele e sem sementes.
- 1 cenoura.
- 1 chuchu.
- 100 g de vagem.
- 1 talo de salsão.
- 2 folhas de couve-manteiga.
- 3 folhas de repolho.
- 1 beterraba.
- sal e pimenta a gosto.
Aqueça o óleo na panela e frite a carne. Acrescente o alho e a cebola e depois junte os demais ingredientes. Refogue e acrescente água quente. Tempere a gosto. Depois de cozidos, separe a carne, desfie e reserve. Bata os legumes no liquidificador com parte do caldo. Volte ao fogo juntamente com a carne desfiada até formar o creme.

A única coisa que eu fiz de diferente foi trocar a carne. Coloquei músculo picadinho.

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ACADEMIA
Não tem jeito, não suporto musculação! Um aparelho ou outro até que é gostosinho de fazer, mas a maioria é insuportável, principalmente os que envolvem levantamento de halteres. A minha diversão mesmo é ficar na esteira e no transport olhando o visor e comemorando cada caloria que vai embora. Ainda não agüento ficar mais de 20 minutos (fico entediada), mas a cada dia tento aumentar um pouco o tempo que passo no fantástico mundo das calorias perdidas.

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A MANÍACA OBSSESSIVA DAS REVISTAS
Desde pequena eu aprendi a gostar de ler. Mas apesar de amar livros, minha paixão mesmo são as revistas. E a paixão só aumentou depois que eu comecei o curso de jornalismo e ganhei uma vontade ainda maior de trabalhar em revista. Revistas me encantam pela linguagem arejada, divertida, leve e agradável. Quando eu tinha uns 15 anos minha mãe me deu de presente uma assinatura de uma revista e até hoje eu nem sei por que escolhi a Corpo a Corpo, que nem é assim tão legal. Logo depois veio a loucura pela Capricho, a queridinha das adolescentes. Hoje em dia, a adoração por revistas beira o exagero. Não posso passar nem perto de uma banca que quero comprar todas. Só no mês de novembro comprei 6 revistas: Boa Forma, Nova, Elle, Marie Clare, Corpo a Corpo e Sou Mais Eu. Esse mês já comprei a Nova, a Marie Clare e a Boa Forma. Também adoro a Época, Veja e Isto É, mas minha paixão mesmo são as revistas de mulherzinhas. Mas também gosto dos textos divertidos das revistas masculinas, como VIP e Playboy. Eu tenho até ciúme das minhas revistas, não gosto que ninguém leia antes de mim, pode?!

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SHOPPING
Ontem namorado e eu fomos passear no shopping e eu voltei pra casa feliz da vida e cheia de sacolas. No natal eu não tenho o costume de comprar presentes pra Deus e o mundo. Até por que nessa época eu fico muito consumista e só penso em comprar coisas pra mim. Ontem comprei um vestido lindo, com uma estampa bem colorida e um preçinho bem camarada. Não é assim um VESTIDO de sair à noite, é mais simples pro dia-a-dia, mas pra quem quer se tornar A MULHER DOS VESTIDOS, comecei bem. Acho lindo mulher de vestido, além de ficar super feminimo, o melhor de tudo é o conforto que nos proporciona.
Aí eu fui com o namorado na Centauro comprar sunga e chinelo (faltam só 2 semanas pra viagem pra praia!!!) e lá de longe eu avistei uma blusinha leeenda. Quando cheguei perto me lembrei de que eu já tinha visto aquela blusinha lá uns meses atrás e que era carééésima e quando olhei a etiqueta nem acreditei, super promotion pela bagatela de 20 reais!!!
E aí eu vi uma saia linda, maravilhosa, divina e eu precisava ser dona daquela saia! Com fundo branco e umas estampas nas cores azul, verde, rosa e lilás, curtinha e rodadinha, do jeito que eu gosto. Fiquei rezando pra que ficasse horrível em mim, por que era da Mormaii e super cara, mas não teve jeito, ficou linda e eu tive que trazer pra casa. Talvez use no reveillon, tem tudo a ver com um reveillon na praia.
Mamy disse que vai dar uma sandália pra mim e pra minha irmã de natal. Quero uma na cor caramelo de salto fino e baixo.
Em compensação namorado e eu não trocaremos presente de natal. Nós dois fizemos aniversário em novembro e nos demos presentes caros (ele ganhou um boné da Everlast e um tênis da Adidas e eu ganhei o celular V3i) com a condição de não trocarmos presente de natal.


Amei a estampa da blusa, super colorida e cheia de florzinhas


O vestido basiquinho


E a saia linda-maravilhosa que vou usar no ano novo com uma blusa rosa


por Freda Franchin às 11:27 AM

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

TU TERÁS ESTRELAS QUE SABEM SORRIR


"É preciso ser valente para entender um Deus
Que nos leva de repente a mesma vida que deu
Que plantou uma semente e com a própria mão colheu
É preciso ser valente pra aceitar sua vontade
Mesmo quando dói na gente e rouba nossa preciosidade
Ontem estava aqui presente, hoje já virou saudade"


Dú, 1 ano antes de virar estrela


Hoje completam dois anos que meu irmão virou estrela. Dois anos que eu recebi aquela notícia horrível e que o vi dentro de um caixão. Eu nem sei o que pensar sobre o quê exatamente, esses dois anos sem ele significam para mim. Não sei ao certo o que eu sinto. Às vezes parece que já faz tanto tempo e em outras vezes parece que foi ontem que ele foi me buscar na APP no meio daquela chuva torrencial. Parece que foi ontem que fomos tomar todas na Cachaçaria Água Doce. Parece que foi ontem que ele me ligou chorando pedindo pra eu ir buscá-lo no hospital por que tinha caído de moto. Parece que foi ontem que eu fui com ele comprar a moto. Parece que foi ontem que eu o vi vivo pela última vez, na piscina do clube num domingo de sol, sete dias antes dele morrer.
De repente, por um momento, eu não sinto nada. É como se ele foi apenas uma pessoa qualquer que passou pela minha vida e que ficou lá longe, no passado. Mas logo me dou conta de que esta é apenas uma maneira de me proteger da dor. Da dor que insiste em me acompanhar em todos os momentos da minha vida. Dessa dor que às vezes fica camuflada em meio a momentos felizes, mas que está sempre ali, até mesmo nos meus melhores momentos.
Às vezes eu sinto que estou esquecendo ele. Com o passar do tempo, as lembranças vão ficando cada vez mais distantes e eu sinto um pavor enorme de me esquecer das coisas que vivemos juntos. A psiquiatra me disse que é como se nesses dois anos eu tivesse deixado a minha vida em suspenso e é exatamente assim que eu me sinto. De vez em quando paro pra pensar e percebo que é como se eu não fosse protagonista da minha própria vida, sinto como se eu fosse apenas uma telespectadora que vê tudo passar, mas que não sente grandes emoções.
Sem palavras, republico o texto que escrevi dando a notícia para vocês:

2 ANOS ATRÁS - A DESPEDIDA

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Qdo me lembro de vc
Que acabou indo embora
Cedo demais


Era um domingo quente e ensolarado, a Hello (roommate) e eu estávamos tomando vodca, prontas pra ir pro pagode, já tínhamos até chamado o táxi. Mas nesse meio tempo, exatamente às 18:20, minha mãe ligou:
- Fredinha, você vai ter que vir pra Bebedouro.
- Por que mãe?!
- Foi o Dú, ele caiu de moto de novo...
Fiquei nervosa, desesperada, comecei a chorar compulsivamente, me lembrei de quantas vezes eu tive a sensação de que receberia um telefonema daquele tipo:
- O que aconteceu com ele, mãe?! Onde ele está?
- Ele está no hospital, fazendo uma cirurgia.
- Mãe você está mentindo! O que aconteceu com ele? Por favor, não vamos mais deixar ele ter moto não, mãe...
- É verdade filha, você não está vendo que eu estou calma? Fredinha pára de fazer perguntas, o Dú está bem, estamos te esperando em Bebedouro.
Nem imagino como foi difícil para minha mãe dar aquele mesmo telefonema para mim e meus outros dois irmãos que também moravam fora (Naiara em Araraquara e Carlos em Uberaba).
Desliguei o telefone e as meninas que moravam comigo ficaram me olhando sem entender nada, eu disse:
- Foi o meu irmão! Ele caiu de moto de novo, tenho que ir pra Bebedouro!
Sentei na minha cama e só conseguia chorar, de desespero, de medo, muito medo. Enquanto isso, escondido de mim, a Hello ligou para minha mãe e ficou sabendo que na verdade o meu irmão não estava fazendo uma cirurgia, mas havia morrido na hora do acidente. Sem me falar nada, ela pegou uma mala e colocou um monte de roupas minhas, eu olhei aquilo e não entendi:
- Hello pra que tanta roupa? Eu vou voltar rápido, amanhã tenho uma entrevista de emprego aqui em Ribeirão!
No fundo, eu estava um pouco desconfiada, mas me agarrei fortemente à idéia de que ele realmente estava no Hospital. Enquanto a Maíra (a outra roommate) se arrumava para vir me trazer em Bebedouro, liguei pra Sil (noiva do meu irmão). Ela estava trabalhando (é enfermeira), tinha se despedido do meu irmão há algumas horas e atendeu o telefone chorando e também achava que ele estava fazendo uma cirurgia. Depois liguei pra minha irmã em Araraquara, a menina que morava com ela disse que estava tudo bem e que a Ná estava tomando banho para ir a Bebedouro.
Já no caminho para Bebedouro (1 hora de viagem), dentro do carro, com a Maíra e a Hello, vim xingando o meu irmão: "Esse moleque louco! Vive caindo, vive voando com aquela moto! Mas eu mesma vou vender a moto dessa vez! Ele vai ver só!" No fundo, de alguma maneira inconsciente, eu já sabia, mas preferi acreditar que ele estava realmente no hospital. Imagino o quanto deve ter sido difícil para elas fingirem que estava tudo bem quando já sabiam que o meu irmão estava morto.
Já em Bebedouro, quando viramos a rua da minha casa e eu avistei aquela multidão de amigos na frente de casa, eu levei uma espécie de choque, a Má ainda não tinha parado o carro, e com o carro ainda em movimento, eu abri a porta e sai correndo, foi quando eu percebi que todos estavam chorando. A primeira pessoa que eu vi foi o Bruno, meu ex-namorado e grande amigo do meu irmão. Ele estava chorando compulsivamente e eu, muito inocente, perguntei o que tinha acontecido, mas ele simplesmente não disse uma só palavra, estava em estado de choque e só chorava. Olhei ao redor, e em meio àquele monte de gente, vi meu pai encostado no portão, corri até ele e perguntei já meio chorando, meio sem querer ouvir a resposta: "Pai, o que aconteceu? Cadê o Dú?", e ele me respondeu chorando e soluçando, exatamente assim: "O Dú morreu, filha..." - Nunca vou me esquecer daquelas palavras e do tom de voz dele me dando aquela notícia.
Comecei a gritar, a espernear, saí correndo rumo à varanda e me joguei no chão, abracei o pilar e o meu pai me segurou pelas costas, ajoelhado no chão, enquanto eu gritava: "O Dú não pai, o Dú não!!! Vamos lá buscar ele pai... O Dú não..." Sentia uma dor tão profunda, como se um pedaço estivesse sendo arrancado de mim. Devo ter ficado ali uns 40 minutos, gritando as mesmas palavras, enquanto o meu pai repetia chorando: "Eu sei filha, mas não podemos ir buscar ele, eu sei...eu sei". Hoje eu me sinto uma monstra por ter agido daquela maneira, por ter tornado aquilo tudo tão mais difícil para meu pai, mas esse é o tipo de atitude que simplesmente não podemos controlar.
Nem me lembro como eu fui parar na cozinha, mas continuava chorando com a mesma intensidade, até que eu vi a minha irmã, que tinha acabado de chegar de Araraquara. Ela estava calma, tranqüila, minha mãe estava calma também e eu não entendia aquilo. Começaram a me dar água com açúcar, chá, minha casa estava cheia de amigos, parentes e vizinhos, as pessoas me olhavam com piedade, os meus braços começaram a formigar, os meus dedos endureceram. Me levaram para caminhar lá fora, eu mal tinha forças para parar em pé, mas ali na calçada vi o Daniel (roommate do meu irmão em Ribeirão), chorando inconsolável. Ameacei desmaiar, me colocaram na cama e chamaram uma médica. Tive medo que ela me desse uma injeção, mas ela só fez uma massagem nos meus braços e disse que eu precisava ficar acordada para as últimas horas na presença do corpo do meu irmão. Consegui pensar, me acalmei e fui ver minha mãe. Ela agia como se aquelas pessoas que estavam em casa fossem meras visitas, preparava chás desenfreadamente e servia a todos, conversava como se o morto fosse qualquer um que não o filho dela. E eu me sentia como se nada daquilo estivesse acontecendo de verdade.

A minha casa estava lotada e as pessoas não paravam de chegar e o telefone não parava de tocar. O meu pai e os amigos do meu irmão tinham ido para o velório esperar o corpo ser liberado e cuidar do sepultamento, enquanto isso, ficamos em casa, esperando meu irmão chegar de Uberaba com os sogros dele que tinham ido buscá-lo. Eu me lembro que nesse momento eu fui ligar para o meu padrinho de São Paulo para dar a notícia e eu só chorava e simplesmente não conseguia pronunciar aquelas palavras, simplesmente não conseguia associar a palavra morte ao meu irmão e ele ficou sem entender nada até que mandou chamar a minha mãe.
Por volta da meia noite fomos para o velório. Já tinha muita gente lá, a maioria, parentes e amigos muito próximos. Abracei o meu pai e me senti muito mal novamente. Eu tinha acabado de me dar conta de que estávamos no velório do meu irmão. Aquele meu irmão nadador de quem eu tinha o maior orgulho de apresentar para as minhas amigas, aquele meu irmão aventureiro, que amava velocidade, para quem eu sempre ligava chorando de madrugada, quando estava bêbada em alguma balada. O meu irmão que ia sempre me buscar na rodoviária, que acelerava a moto em vez de tocar o interfone quando chegava no meu apartamento. O meu irmão que tinha preguiça de subir e me fazia jogar as coisas pela sacada. O meu irmão que me chamava de "táta" até uns anos atrás, o meu irmão que ia se casar com a minha melhor amiga no ano que vem e que me dar a Maria Eduarda de sobrinha. O meu irmão que tinha o coração tão bom e era tão alegre e festeiro, estava logo ali, deitado num caixão.
Lá de fora eu podia ouvir o choro e os gritos da Sil, por um momento eu vacilei e meu pai disse:
- Se você não quiser não precisa entrar, não é o Dú que está ali. Você sabe que ele jamais ficava muito tempo parado sem fazer nada.
Eu estava na porta do velório e lá de fora eu podia ver o rosto do meu irmão dentro do caixão e a mão da Sil em seus cabelos. Eu entrei, sentia como se eu não fizesse parte do meu corpo, como se não pudesse dominar as minhas vontades e emoções. Muitas pessoas me seguravam, me ajudavam a caminhar, segurei bem forte na mão da minha irmã e segui em passos quase firmes. E lá estava ele, com a sua camisa azul preferida, um terço nas mãos, 2 bonecos do Homem Aranha e uma moto de brinquedo ao lado do seu rosto e rodeado por margaridas. Ele estava lindo, com a mesma carinha de sempre, como se a qualquer momento fosse levantar e começar a rir da cara de todo mundo, fazendo aquilo tudo parecer mais uma de suas inúmeras brincadeiras.
Eu olhava para aquela cena e parecia que nada daquilo tinha sentido. O jeito alegre e despojado dele, o rosto bronzeado, os cabelos loiros, o corpo atlético, nada combinava com aquele caixão e aquela situação que eu via bem diante dos meus olhos. Eu me sentia como se eu não fizesse parte daquilo tudo, como se fosse uma realidade totalmente absurda eu estar no velório do meu irmão mais novo.

A madrugada seguiu gelada, os minutos pareciam congelados, o tempo não passava. Eu estava instável, tinha momentos de desespero e logo depois ficava calma, segurava na mão dele e passava a mão em seu cabelo, tentando deixar arrepiado do jeito como ele gostava, passava creme nívea em sua boca que estava ressecada e roxa.
O meu pai andava pra lá e pra cá, mas em nenhum momento se aproximou do caixão. Minha mãe e eu tentávamos dormir nas cadeiras ao lado do caixão, mas as pessoas não paravam de chegar, inconformadas, tristes, desesperadas. Numa das recaídas da minha mãe, sentamos eu, minha irmã e meu irmao no chão, ao pé do caixão, abraçando ela, tentando consolá-la, mas era ela quem acabava nos consolando, foi nessa hora que ela lembrou da história do Pequeno Príncipe: "O corpo é só uma casca. Tu sofrerás, eu parecerei morto, mas isso não será verdade... Tu porém, terás estrelas como ninguém, quando olhares o céu a noite, habitarei uma delas e estarei sorrindo, então será como se todas as estrelam sorrissem para ti. Tu terás estrelas que sabem sorrir." Alguns diziam que minha mãe estava sedada, outros diziam que ela era "muito evoluída espiritualmente", mas ninguém sequer podia imaginar a dimensão de sua dor.
Por volta das 6 da manhã, minha mãe, meus irmãos e a Sil, fomos para casa, deitei com a minha mãe na cama dela, mas a minha cabeça estava a mil por hora, mesmo assim fiquei ali deitada até as 7:30. Levantamos e a empregada tinha preparado um bom café da manhã, tentamos comer pão e tomar leite, mas mastigar tinha se tornado um sacrifício grande demais e apesar da fome não conseguimos comer nada. Quando voltamos para o velório, às 8:15, percebemos que estava lotado. Gente de Araraquara, Ribeirão Preto, São Paulo, São Carlos, amigos, parentes, colegas, conhecidos, o pessoal da academia onde ele trabalhava, o pessoal da equipe de natação da Unaerp, o pessoal que se formou com ele na Unaerp, os meninos que moravam com ele, tanta tanta tanta gente reunida e triste. Eu estava pra ver um velório mais lotado e triste.
Depois disso, tudo aconteceu muito rápido, eu passei a maior parte do tempo ao lado do meu irmão, aproveitando cada minuto para olhar o seu rosto. Eram 10:50 do dia 13/12 quando o meu tio cochichou no meu ouvido: "Despede dele que vão fechar o caixão." O desespero tomou conta de mim novamente, mas em meio às lagrimas eu consegui beijar-lhe a testa, o rosto, e dizer uma coisa que eu lhe disse poucas vezes na vida, mas que ele sabia muito bem: Eu te amo. Saí dali com a minha irmã, em prantos, o caixão se afastava sendo levado pelos amigos dele.
Então, as 11 da manhã daquela segunda-feira ensolarada, deixamos o meu irmão ali, aos cuidados do meu avô Joaquim, ao som de um violão e uma salva de palmas eterna. Meu irmão, meu amigo, meu ídolo, aposto que você está fazendo a maior festa aí no céu. E é em você, em tudo que você me ensinou, que estou buscando forças para continuar.


por Freda Franchin às 12:31 AM

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

A MULHER DOS ÓBITOS



Sábado teve a confraternização de final de ano do cartório. Foi numa edícula (minúscula casa com uma enorme área de lazer), mas o dia começou com uma chuva daquelas que tem cara de que vai durar o dia todo. O churrasco estava maravilhoso, as caipirinhas, batidas e chopes também, e ainda tinha a companhia agradabilíssima do pessoal divertido do cartório. E mais do que rápido a chuva deu lugar ao sol e fomos todos pra beira da piscina, onde eu pude estrear um de meus biquínis novos. O mais estranho é que eu tomei 6 caipirinhas (de uva, limão e morango) e não fiquei nadinha alterada. Definitivamente, estou ficando imune a álcool. Fomos embora (meus pais e meu namorado) só as 20:30 deste sábado bom demais!
O cartório foi o primeiro lugar onde eu trabalhei, comecei assim que terminei o colegial, aos 18 anos e fiquei lá por quatro anos, com direito a todas as regalias de "filha da chefe" (minha mãe era a oficial interina). A verdade que eu nunca levei aquele trabalho a sério, mas ao mesmo tempo adorava trabalhar lá. Na época meus colegas de trabalho eram minhas 2 primas, minha mãe, o Flávio e o Messias (juiz de casamentos) e passávamos o dia inteiro batendo papo e trabalhando animadamente. Eu adorava registrar bebês e tirar papéis de casamento, mas acabei me tornando a "mulher dos óbitos". Eu era responsável por todos os óbitos e contatos com funerárias, médicos e famílias dos mortos. De alguma maneira, hoje eu me arrependo de não ter levado aquilo a sério, de ter perdido a oportunidade de trabalhar num lugar de que eu gostava tanto. Por outro lado, a minha vida seria muito diferente, eu nunca teria vindo morar em Ribeirão, nunca teria vivido o monte de coisas legais que vivi aqui e nem teria conhecido os olhos puxados mais lindos do mundo.

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Amanhã vou trabalhar num Bazar de Natal, onde estarão reunidos as melhores e mais conceituadas marcas de roupas, acessórios e sapatos (Carmin, Vide Bula, Doc Dog, etc) e eu vou trabalhar na loja de sapatos da minha cunhada. Das 8 da madruga às 11 da noite. Vou ficar mortinha, mas com a carteira mais recheada e a viagem do reveillon garantida.
Amanhã deveria ser um dia muito triste, mas eu vou transformá-lo num dia muito divertido, tentando não me lembrar do dia 12/12 de 2 anos atrás.


por Freda Franchin às 2:34 PM

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

COMO PERDER CLIENTES


Aqui na frente da APP tem uma loja de velas, incensos e essências e eu aproveitei o horário de almoço pra ir lá comprar essência pro meu difusor. Pretendia comprar umas quatro essências diferentes para experimentar aromas diferentes do morango que eu sempre compro. E a moça da loja simplesmente ficou brava quando eu comecei a abrir os vidrinhos para sentir os cheiros: "As essências são lacradas", ela disse. Fiquei com tanto ódio que senti vontade de ir embora sem comprar nada, mas como eu estou com muita saudade do meu difusor, peguei a essência de morango e disse: "Então vou levar a que conheço mesmo! Depois eu compro outras lá na loja do Centro, onde eles deixam sentir os cheiros. Complicado comprar essência sem sentir o cheiro, né?" Tive vontade de completar perguntando se ela já estava rica pra perder vendas e clientes assim, mas me contive e fui embora com ódio e nem comprei a vela lilás que eu ia comprar pra espantar os maus espíritos que moram lá em casa.

E eu comprei outro biquíni, bem estampado com cores vivas. Eu não precisava de outro biquíni mas me empolguei quando consegui pegar escondido a parte de cima G e a parte de baixo P. Esse meu horário de almoço até que foi bem produtivo.

Ah, esqueci de contar. Esses dias substitui o almoço pro um shake muito bom: 1 banana, meia maçã, 1 potinho de iorgute desnatado, aveia e mel. Ficou delicioso e me sustentou tanto quanto um prato de comida.


por Freda Franchin às 1:48 PM

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

FELIZZZZ DE NOVO



E depois de uma longa, triste e molhada conversa, namorado e eu resolvemos nos dar mais uma chance, nossa 48ª chance. Está pra nascer um casal que queira tanto ficar junto quanto nós. Já superamos tantas dificuldades, crises, brigas e problemas que vai precisar de algo muito grave pra nos separar.
Pra comemorar a reconciliação, hoje fomos almoçar no shopping e eu consegui resistir a todas aquelas comidas engordativas e almocei num japonês: peixe grelhado, arroz, pepino em conserva e uma salada apimentada.

Mas aí eu resolvi levar o carro num lava-rápido e será preciso tirar os bancos e os carpetes pra secar tudo. Que prejuízo!

Então amanhã vou trabalhar num evento da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda), o Festgraf, que premia as melhores peças gráficas (outdoor, revista, banner, etc). Será praticamente um trabalho escravo, vou trabalhar das 9 às 17:00 na venda dos convites e a noite lá na recepção do evento, das 20:00 às 23:00, por um salário que parece mais uma piada. Mas tudo em nome de conhecer gente, fazer contatos e quem sabe conseguir um emprego.

Alguém sabe o que houve com a Carol Fortes do blog Grávida e Feliz, a que se casou com o João Paulo e está grávida do João Pedro? O blog dela sumiu e eu gostava tanto!

No fim de semana teve a comemoração atrasada do aniversário do meu irmão. As fotos estão aqui: buzznet.

Para quem estiver com preguiça de ir lá ver as fotos, vou colocar aqui a foto mais linda da noite. Ultimamente tem sido tão raro reunir a família (meu irmão mora longe e raramente consegue folga) que não temos perdido nenhuma oportunidade. Parece que a família fica tão pequena sem o Dú:


Meu irmão, minha mãe, eu, minha irmã e meu pai. Todo mundo com cara bonita.


por Freda Franchin às 2:31 PM

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

O namoro continua em crise.
O carro inundou e tem uma goteira gigante em cima do acelerador.
Eu não conheço nenhum funileiro/mecânico e quando eu ando com o carro as poças vão pra frente e pra trás feito enxurrada.
Estou com uma espinha monstruosa que pelo jeito não quer ir embora.
E a crise no namoro fez nascer uma angústia mais monstruosa ainda dentro de mim.


por Freda Franchin às 5:19 PM