Freda Franchin tem 27 anos. Mora com duas amigas em Ribeirão Preto e adora o seu cabelo. Tem mil planos e projetos, mas normalmente não consegue realizar nenhum. Adora brócolis, sopa, pimenta e tudo que é feito de batata. Ama leite condensado. Na cozinha só sabe cozinhar o trivial, mas o tempero de seu feijão é capaz de conquistar um coração. Sonha em conhecer o Tahiti e a Austrália, mas no fim vai acabar ficando aqui pra sempre, porque ela não é uma pessoa de muita iniciativa. É ligadíssima à família, principalmente a seus pais e irmãos. Tem primas trigêmeas, dois primos americanos e duas primas gêmeas francesas. Também tem uma bisavó alemã, que nunca conheceu. Tem um irmão nadador que era lindo de *viver*. Ele faleceu aos 23 anos, no dia 12/12/2004, num acidente de moto. A dor é gigantesca. A saudade é eterna. E ela sente como se a ficha não fosse cair nunca. Mesmo assim, ela agradece a Deus por cada minuto dos 23 anos maravilhosos e inesquecíveis que passou ao lado dele. Adora MPB e sua música preferida é Wave do Tom Jobim. Na verdade, ela tem várias músicas preferidas. Mas odeia rap. E funk. E há algum tempo aprendeu a gostar de pagode. Aprendeu a viver a vida intensamente. Um dia de cada vez, como se cada minuto fosse o último. É uma publicitária frustrada que está fazendo faculdade de Jornalismo e continua tentando descobrir um jeito de ganhar dinheiro fazendo o que ela mais ama na vida, que é escrever. É viciada em revistas de todos os tipos, principalmente as de mulherzinhas. Tirando bula de remédio, lê tudo que lhe cai nas mãos. Adora escrever, mas odeia gramática. Já escreveu dois livros, mas não plantou nenhuma árvore e o filho só vem depois dos 30. Ele vai se chamar Gabriel. Seu namorado é um japonês saradinho, dono de uma alma encantadora e a boca mais linda do mundo. Um anjinho oriental que ela insiste em achar que foi seu irmão que lhe mandou. Não tem ídolos, mas também não tem fãs. Odeia gostar de coisas que todo mundo gosta. Fez uma cirurgia que a livrou de seus muitos graus de miopia e hoje está feliz da vida com seus olhos novinhos em folha. Tem pavor de agulha e já levou pontos na palma da mão. Sim, ela fez o maior escândalo. Foge quando tem que tomar vacinas. Vive dando ordens ao seu coração. Nunca teve catapora. Já ficou internada duas vezes, as duas por causa do dente do siso. Depois que perdeu seu irmão, aprendeu a falar EU TE AMO. Na verdade, depois que perdeu seu irmão, ela aprendeu muitas coisas e hoje é uma pessoa completamente nova que se descobriu muito forte. Já fez dieta para engordar. Hoje luta contra as banhas que se alojaram em sua barriga. Tem umas manias esquisitas, como passar creme nívea na boca e só dormir se tiver um copo d´água ao lado da cama. Dançou jazz e bale por cinco anos. Já treinou caratê, mas parou depois de levar um soco no nariz e começar a chorar no meio de uma competição séria. Hoje não faz mais nada e não anda a pé nem até a esquina. Mas está criando coragem pra voltar pra academia. É curiosa, mimada, preguiçosa, fresca, carinhosa, confusa e tem sono demais. Adora comida chinesa. Se formou no curso de inglês, mas já esqueceu quase tudo. Não consegue confiar nos homens e tem medo de casamento. Já trabalhou quatro anos no cartório de sua mãe, daí os traumas de casamento. Já teve um amor platônico, que se concretizou. É uma pessoa muito nostálgica. Sempre fica amiga de seus ex-namorados. Depois que se irmão se foi, ficou corajosa, colocou um piercing na orelha que é sua paixão e fez uma tatuagem na nuca, em homenagem ao seu irmão: é uma estrelinha azul, escrito o nome dele dentro: Dú. Nunca fumou, mas sempre fica bebinha e adora uma caipirinha de morango com vodca. E a ressaca no dia seguinte é destruidora. Nunca teve cólicas, nem TPM. Ela já beijou um inglês chamado Sean e também um argentino com nome de sabão em pó, chamado Ariel. Seu irmão caçula é um policial militar, loirinho e intelectual que mora muito longe. Já bateu o carro duas vezes. As duas na mesma esquina, no mesmo ano e no mesmo dia da semana. Tem uma família sensacional, unida como pouco se vê por ai. Tem uma irmã linda. Que é nutricionista e vive passando dieta pra todo mundo. Sua melhor amiga é a melhor enfermeira do planeta, que também é sua eterna cunhada. Tem sete melhores amigas. Seis ela conhece desde criança. A outra mora com ela há cinco anos. Sua festa de 15 anos foi um acontecimento em sua cidade. Não, não teve valsa nem ator famoso. Mas teve Dj e muitos convidados. Muitos mesmo. Reprovou três vezes no exame de motorista. Adora bebês, mas não sabe se vai conseguir ter um. É por causa do parto, que envolve agulha. Seus pais são apaixonados. E também são apaixonantes. Sua casa vive sempre cheia de pessoas queridas e amigas. A maioria, amigos de seu irmão, que hoje é uma estrela. Seus pais vivem dando festas e adoram ver a casa cheia de gente. Sua mãe também fez uma tatuagem em homenagem ao Dú. Seu pai tem uma voz e tanto, mas tem bebido muito, tentando superar a perda do Dú. Freda é viciada em gloss e leite integral. Com nescau. É viciada em fotografia. E leva a máquina digital pra todo lado. Apesar de tudo, acredita que a felicidade está nas coisas simples da vida e agora que acredita em destino, espera que tenha coisas muito boas reservadas para ela.

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fredafranchin@gmail.com

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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

A MIL POR HORA



O cúmulo da ansiedade é ter que se embebedar pra conseguir pegar no sono. Estou há dias sem conseguir dormir direito, passo horas rolando na cama até conseguir dormir, minha cabeça está a mil, com os pensamentos acelerados e constantes. Ontem me rebelei e pedi pro namorado comprar uma garrafa de vinho. Tivemos uma noite bem divertida e eu tomei quase a garrafa inteira sozinha, enquanto ele tomava cerveja. Já era quase 1 da manhã quando eu simplesmente capotei e tive uma noite maravilhosa de sono profundo. Só não esperava acordar de ressaca hoje e encarar um dia inteiro de trabalho com um turbilhão de pendências do TCC na cabeça.

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É bem capaz de acabar eu mesma internada no hospício ao final deste TCC. O tema que escolhemos é muito amplo e cada vez descobrimos mais coisas e até poderíamos fazer tudo de qualquer jeito, mas estamos cada vez mais envolvidas e apaixonadas pelo assunto e queremos que tudo fique perfeito.
Ontem demos o passo inicial para a gravação do documentário. Entrevistei o Luizinho Gonzaga, membro do Movimento da Luta Antimanicomial e também a Aline, psicóloga e membro da Associação Loucos Pela Liberdade. A gravação ficou ótima e o cinegrafista conseguiu uma luz maravilhosa. Ainda precisamos entrevistar um psiquiatra, a gerente do CAPS, um portador de esquizofrenia e uma mãe de um doente mental. Isso sem falar em tudo o que falta para o jornal impresso, o ensaio fotográfico e o relatório de fundamentação. Só por um milagre conseguiremos entregar no prazo. Alguém sabe fazer mágica?

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Finalmente o papai da Laura decidiu permitir o chá de bebê, ele não queria por que acha que é muito feio ficar pedindo para os outros darem presentes, mas agora ele liberou e precisamos correr muito pra agilizar tudo porque logo logo a Laurinha chega. A Yvi já vai entrar no nono mês. Será que tem algum esquema de lista de presentes, como de casamento? E a Yvi não quer essas brincadeiras de sujar, alguém tem alguma idéia legal e diferente?


por Freda Franchin às 1:01 PM

Segunda-feira, Agosto 27, 2007

NESTA DATA QUERIDA



Hoje é aniversário da minha mãe: 57 aninhos! Meus irmãos e eu já mandamos um vaso de orquídea e o dia mal começou e ela já recebeu várias homenagens. Nada mais justo pra uma pessoa tão especial.
É muito comum escutarmos as pessoas dizerem que têm a melhor mãe do mundo. Mães são seres abençoados, mães são carinhosas, atenciosas, solidárias. Mães são puras de coração, são amorosas e zelosas. Mães são sábias, generosas e lúcidas. Mães são imaculadas, espirituosas e perfeitas. Minha mãe sempre foi tudo isso que todas as mães são, mas ela sempre foi mais, sempre foi superior e especial, sempre foi diferente das mães das minhas amigas. Sempre foi a mais animada, a mais legal, a mais amiga, a mais divertida, a mais moderna, irreverente e a mais alto astral. Mas acima de qualquer qualidade, minha mãe é um ser extraordinariamente divino. E eu me sinto abençoada por fazer parte disso.

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Mas que pena que hoje também me lembra uma coisa triste. Exatamente hoje completa 1 ano que eu vi minha avó pela última vez. Impossível me esquecer do aniversário da minha mãe do ano passado, quando logo cedo acordamos com um susto. A vizinha da minha avó ligou dizendo que ela não estava nada bem. Inexplicavelmente, no mesmo momento eu tive certeza de que ela ia morrer. Quando fui buscá-la, na manhã daquele domingo, fiquei impressionada ao chegar à casa dela e dar de cara com uma porção de vizinhas com cara de velório na porta da casa dela. Eu me lembro que o Rafinha estava no carro comigo e eu estava em estado de choque, com o coração disparado e as mãos tremendo, sem conseguir fazer com que ele parasse de me fazer suas habituais perguntas.
Quando eu desci do carro, mandei o Rafinha ficar lá me esperando porque eu jurava que ia entrar e dar de cara com minha avó morta. Ela estava deitada no sofá, dizendo que estava se sentindo estranha e que queria ir pra minha casa. Depois que eu finalmente consegui colocá-la no carro, com a ajuda das vizinhas, ela que não era nada sentimental, pegou na mão de cada vizinha e se despediu como se fosse a última vez. Realmente foi a última vez. Enquanto eu saia com o carro, devagarzinho, ela foi soltando aos poucos da mão da Dona Maria, sua vizinha e amiga e naquele momento eu tive certeza de que ela estava se despedindo. No velório dela, 3 dias depois, a Dona Maria me confirmou que naquele momento ela também soube que era uma despedida.
No caminho pra casa, eu me lembro de ter dito: “Vó, você lembra que hoje é aniversário da minha mãe?” e ela me respondeu: “É mesmo!! Coitada, justo hoje! Não queria estragar o aniversário dela!” Foi como se ela dissesse “que pena, justo hoje que eu vou morrer!” Vai ver que foi por isso que ela agüentou mais 3 dias.
Já em casa, ela ficou melhor e curtiu o aniversário da minha mãe e cada visita que chegava. Num momento ela disse pra uma das amigas da minha mãe: “Ah Fatiminha, eu quero morrer logo! Deus esqueceu de mim aqui!”.
Ao final do dia, quando eu me despedi de todos para voltar para Ribeirão, ela me deu um abraço bem forte e carinhoso, diferente de todos os outros que ela já havia me dado, e eu tive tanta certeza de que era um abraço de despedida, e lhe disse que a amava e que era pra ela ficar com Deus. Já dentro do carro, no meio do caminho me lembrei de que tinha esquecido algo em casa e voltei correndo, em meio à pressa, ela me deu outro abraço de “adeus” e eu nunca mais a vi viva. Ela faleceu três dias depois.

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Os dias continuam cada vez mais tumultuados por causa do TCC e do trabalho. Na semana passada fomos ao Hospital Santa Tereza entrevistar a responsável pelos projetos de reintegração e acabamos conseguindo permissão para fotografar o hospital sem mostrar o rosto dos pacientes. Tiramos fotos ótimas. Depois entrevistamos um casal de pacientes que se casaram há alguns meses. Os dois moram juntos numa casinha lá dentro do hospital e são praticamente independentes. O marido era um fofo, apaixonadíssimo por ela, nos mostrou até seu album de casamento. Tiramos diversas fotos deles, inclusive uma deles beijando na boca.

Na sexta-feira finalmente recebi meu salário de julho, mas fiquei possessa porque descontaram 30 reais de coisas que não consumi do frigobar do hotel em São Paulo. Além de eu ter ido à São Paulo e à Piracicaba e ter trabalhado o triplo de horas sem ter reclamado ou recebido hora-extra, e além de atrasarem meu salário quase três meses, ainda me descontam 30 reais!! Fui pra casa bufando e pra completar ainda briguei com o namorado. Terminei a sexta-feira sozinha, tomando capirinha de morango, assistindo ao filme "A Cidade do Silêncio" (recomendadíssimo) e me matando de chorar.

Sábado acordei cedo pra receber a faxineira e depois fui à manicure. Depois de almoçar na casa do namorado, ele foi comigo encontrar a Monique e a Ana Carla no centro pra fazermos nosso ensaio fotográfico do TCC. Nosso ensaio será "O que é normal" e fotografaremos situações e pessoas, como pobreza, miséria e bizarrices. Não conseguimos muitas fotos e depois fomos pra minha casa onde ficamos até as 8 da noite agilizando o relatório do TCC.
Exausta, depois de um dia inteiro "respirando" saúde mental, ainda fui encontrar o namorado e o pessoal na Cachaçaria velha. Lili e Mari foram em casa me buscar e eu estava decidida a ficar bêbada, estava precisando esquecer da vida e dar boas risadas. E assim foi minha noite, na companhia de pessoas queridas e com meu coquetel de curaçao blue com vodka que garantiu o maravilhoso estado alcoólico em que voltei pra casa. Ainda fiquei um tempão na mesa da Anna Vitória dando muita risada.

Domingo deu tempo de colocar a vaidade em dia, fazer TCC, dormir muito e ficar um pouco no churrasco na casa do namorado. E lá vem mais uma semana tumultuada.


por Freda Franchin às 1:22 PM

Terça-feira, Agosto 21, 2007

VIDA LOUCA



O blog tem ficado meio abandonado no meio de todo o tumulto que se tornou a minha vida depois que as aulas da faculdade recomeçaram.
O TCC tem literalmente tirado meu sono. Quando não sonho com os doentes mentais que vi no Santa Tereza na semana passada, fico enumerando mentalmente tudo que ainda temos que fazer até a data da entrega, e a lista é eterna, não acaba nunca. Mais do que nunca, agora entendo porque o TCC de jornalismo é em grupo. Mesmo em 5 pessoas está difícil, pra não dizer impossível.
No meio de tudo isso ainda preciso trabalhar, ir ao curso de gramática e fazer as tarefas, dar atenção pro meu namorado que já está ficando carentinho e tentar colocar a vaidade em dia.

Já faz tanto tempo que não atualizo o blog que ainda nem contei do aniversário da minha irmã, que foi no fim de semana passado. Como no ano passado, ela alugou uma edícula e passamos o dia todo lá, fazendo churrasco. Algumas das meninas de Araraquara também foram e o dia foi um dos mais divertidos dos últimos tempos, principalmente depois das 3 caipiroskas de abacaxi que eu tomei. Namorado e eu voltamos pra casa bebinhos e fomos dormir beeem cedo.
No dia dos pais, namorado voltou pra Ribeirão bem cedo pra almoçar com o pai dele e como também era o dia oficial do aniversário da minha irmã, fizemos mais um churrasquinho. Voltei pra Ribeirão só à noite, de ônibus. Essa parte, inclusive, merece um adendo. Eu peguei um desses ônibus que entra em todas as cidades que vê pela frente e a viagem que deveria durar 1 hora, durou 2. Como se não bastasse, sentou um menino do meu lado completamente non-sense. Ele dizia coisas tão surreais que mal dava pra acreditar que aquele ser existia de verdade. Ah, mas que pena que ele existia! E estava bem do meu lado, durante 2 horas de viagem!
Eu lá, tentando pegar no sono e o non-sense simplesmente falou no celular a viagem inteira, num som suficientemente alto para que o ônibus inteiro o escutasse sem dificuldade. Além da altura da conversa, o ser conversava com um amigo que dizia pra ele que uma tal de Rafaela queria sair com ele. E ele dizia assim: "Ah véio, sério? Ela falou isso mesmo? Ela ia dar pra mim?! Ah, não acredito, se eu soubesse teria ficado mais! Chama ela ai."
Aí a tal Rafaela atendia e ele continuava: "Oi gatinha, quando eu voltar ai quero beijar a sua boca! Mas não é só sua boca que eu quero beijar não, é você inteira!". Enfim, imaginem 2 horas desse tipo de conversa, literalmente em alto e bom som! Nunca fiquei tão feliz por chegar em Ribeirão quanto naquela noite.

No último sábado teve churrasco de aniversário do Renato, marido da Yvi, e passamos o dia inteiro lá. No domingo passamos o dia inteiro na casa do namorado, num domingo bem preguiçoso, da cama pro sofá e do sofá pra cama da minha casa. A única atividade foi o supermercado no início da noite.

Na semana passada também fiz um peeling no rosto. Ainda não descascou tudo, mas minha pele está ficando linda, com menos marcas e mais clara. Pretendo fazer mais um em setembro.

TCC
Na sexta-feira finalmente conseguimos entrar no Hospital Santa Tereza. Um guia nos levou para conhecer o hospital inteiro, enquanto nos explicava tudo, o que levou a manhã inteira. Voltei pro trabalho depois do meio dia, exausta.
Foi bem chocante encarar aquela realidade tão distante. Uma das alas é destinada a pessoas com deficiências, que ficam o tempo todo em cadeiras de rodas ou camas. Todos são idosos, o mais novo deve ter 60 anos, a maioria são homens. Alguns estavam bem agitados, outros gritavam. Alguns eram simpáticos e vibravam com nossa presença, umas das doentes, estava encantada nos mostrando seu brinco, toda vaidosa. Muitos ficam babando sem parar. Uma boa parte deles tinha o olhar perdido, inerte. Ficavam olhando para o nada ou com os olhos fixos na parede. Muitas vezes tivemos vontade de chorar.

Numa outra ala estavam os idosos com doenças mentais que andavam. Eles estavam assistindo a um filme na televisão, todos tranqüilos. Muitos deles têm mais de 80 anos e nem sabem de onde vieram. Quando o Santa Tereza foi inaugurado, há 63 anos, muitos doentes vieram do Hospital Juqueri, de São Paulo, e nunca mais encontraram suas famílias. Inclusive, segundo o que uma das enfermeiras nos contou, poucos recebem a visita da família.

A parte boa do hospital são os projetos de reintegração. Lá dentro mesmo eles construíram umas casinhas, chamada Vila Terapêutica, onde moram de 3 a 4 pessoas, como se fosse uma república e cada um é responsável por si, eles são quase independentes. E em breve devem ir para casas mantidas pelo hospital, mas em bairros da cidade.

No final da visita, pra fechar com chave de ouro, conseguimos falar com a diretora do hospital, que nos contou muitas coisas e ficou encantada com nosso projeto.
As coisas estão caminhando bem, pena que o tempo é tão curto. Pra falar a verdade, não estou nem pensando tanto pra não entrar em desespero, porque se formos pensar friamente, é quase que humanamente impossível conseguirmos entregar o relatório, o documentário e o jornal prontinho até 29 de setembro. Já temos muitas entrevistas marcadas, muitas idéias e também muita esperança. Dizem que a esperança é a última que morre. Veremos!

O post ficou bem confuso, mas o tempo é curto e daqui a pouco eu vou aproveitar meu horário de almoço pra voltar lá no Santa Tereza. Vamos entrevistar a responsável pelos projetos de reintegração e fotografar um baile no Centro de Convivência do hospital.


por Freda Franchin às 12:26 PM

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

TENSÃO PRÉ-TCC



As aulas mal começaram e eu já entrei em desespero. Ontem ficamos sabendo que a entrega do TCC com tudo pronto: relatório de fundamentação, documentário e jornal impresso com o ensaio fotográfico, deve ser feita no dia 28 de setembro. E logo depois já teremos a pré-apresentação pra banca. Só que as coisas não tem caminhado muito bem. Primeiro que o hospital psiquiátrico Santa Tereza permitiu nossa entrada, mas sem filmar ou fotografar nada. Depois, numa orientação com uma professora, discutimos sobre esquecer o hospital e focar na luta antimanicomial. E agora as coisas ficaram um pouco indefinidas. De qualquer maneira, temos muito trabalho pela frente e por mais que eu tente pensar positivo, estou com medo de não dar tempo.
Já até comprei um fitoterápico pra dormir (Pasalix) porque tenho certeza que muitas noites de insônia e sonhos com o TCC estão a caminho.

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Deixa eu contar uma piada pra vocês. Já está chegando o dia do meu próximo salário e eu ainda não recebi o do mês passado. Tem que rir pra não chorar!!! Isso porque o meu pobre salário de estagiária já é a própria piada.

Ontem de manhã, quando cheguei no trabalho, recebi uma péssima notícia. A Lili tinha sido demitida. Minha querida companheira de almoços, fofocas e risadas. Muito triste! Nos conhecemos há tanto tempo, já que ela namora o melhor amigo do meu namorado, mas só agora nos tornamos tão próximas.


por Freda Franchin às 9:00 AM

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

TIC TAC



Está dada a largada pra vida corrida e “sem tempo pra nada”. Hoje recomeçam as minhas aulas, último semestre de faculdade, TCC a mil por hora e eu estou na contagem regressiva pra finalmente me tornar uma jornalista de verdade. Engraçado que quando eu estava prestes a me formar em Publicidade não me senti assim. É claro que eu estava feliz naquele dia em que estava usando uma beca preta com detalhes azuis e voltei pra casa segurando um papel que dizia que eu era publicitária. Mas agora com o jornalismo é diferente, tem um gostinho especial de “eu amo o que eu faço”.
Mesmo feliz por já estar prestes a vestir mais uma beca, sei que o início das aulas significa também o início daquela clássica correria de sair do trabalho e ir pra faculdade. Mesmo assim, ainda devo me considerar privilegiada, porque saindo às 17:00 terei tempo ao menos para comer e tomar banho. Menos às segundas-feiras que tenho meu curso de gramática às 17:30.
Só não sei o que eu faço com a quantidade exagerada de sono que eu sinto. É anormal! Mesmo dormindo 8 horas por noite sou capaz de passar o dia morrendo de sono.

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E cada dia que passa sinto mais vontade de morar sozinha. As roommates viraram superamigas e conversam, quero dizer, gritam, o tempo todo. Somando a isso o fato de que agora estamos morando em 4, sim, porque a prima de 16 anos de uma das roommates foi morar com a gente, dormir virou uma verdadeira missão impossível. A menina até que é organizada e boazinha, mas pra quem só pensa em morar sozinha, uma moradora a mais é um transtorno, até porque ela também adora gritar conversando, ou seria conversar gritando?

Só sei que esta noite eu estava feliz da vida porque em pleno domingo eu já estava pronta pra dormir às 23:00 quando vi que seria impossível com as 3 conversando alto na sala. Eu sou chata pra dormir, tenho o sono super leve e dificuldade pra pegar no sono. E elas sabem disso! Estava lá me esforçando ao máximo pra pegar no sono quando as fofas resolveram ir se arrumar pra dormir e ficaram conversando no corredor, com as portas dos quartos abertas. Uma tomava banho e conversava gritando pra outra que estava no outro banheiro e pra outra que estava na cama. Foi me subindo o sangue, coisa rara de acontecer, abri a porta do meu quarto e gritei: “Vocês vão mesmo ficar conversando bem na porta do meu quarto?!?” Elas ficaram mudas num instante, mas ai eu já estava nervosa demais para conseguir ter uma boa noite de sono.
E se eu tenho sono mesmo quando durmo bem, imagina o estado que eu estou hoje?

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Tenho detestado ficar na minha nova sala sozinha. Sinto saudades da minha ex sala, onde eu tinha a companhia querida da Fer e da Manu.
Também estou morrendo de saudade do meu salário.


por Freda Franchin às 11:33 AM

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

CABELO CABELEIRA



Eu tenho uma relação de amor e ódio com o meu cabelo. Amor porque eu adoro ele, acho ele lindo e diferente e é uma das poucas coisas que eu amo incondicionalmente em mim. Sem dúvida ele é o meu xodó. E campeão de elogios e comentários do tipo “seu cabelo é lindo, o que você faz pra ele ficar assim?”
Mas eu o odeio porque ele me dá um trabalho enorme pra ficar lindo. Primeiro que como tenho muito cabelo e ele é muito longo perco um tempão no banho quando vou lavá-lo. Depois vem o ritual dos cremes sem enxágüe, passo vários, um em cima do outro, aí seco as pontas com o difusor e depois faço escova na franja. Isso tudo leva umas 2 horas! A tortura começa de manhã, quando me dou conta de que é dia de lavar o cabelo. A sorte é que dá pra lavar dia sim dia não.

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Depois de uma trégua, o frio voltou a dar as caras e fazia tempo que eu não via dias tão gelados e não usava tantos casacos. Esses dias frios me dão uma vontade imensa de ficar debaixo das cobertas agarradinha no meu par de olhinhos puxados. Mas o fogueteiro não tem a mesma vontade, ele quer é saber de rua. Não sei como pode ter tanta energia!

Na sexta-feira fomos na casa da Yvi com mais alguns casais de amigos, entre as bebinhas tinha até Absinto, mas eu fiquei só na vontade, já que estava tomando Cataflan pra minha dor de garganta.

No sábado acordei tarde e fui almoçar na casa da sogra. Depois tirei mais um cochilo e fui pra sessão de tortura, quero dizer, pra depilação. Ainda deu tempo de dormir mais um pouco antes de ir para o aniversário do Fred. E mesmo prevenida contra o frio que faz na casa dele, ainda passei frio, mesmo com 2 meias, bota, 2 calças, luva, gorro e umas 7 blusas. Ficamos lá até as 4 da manhã.

No domingo acordei quase 1 da tarde e fomos pro churrasco de aniversário do Digo e dá-lhe mais frio.

Segunda-feira teve reunião do TCC na minha casa e deu pra adiantar algumas coisas. Esse semestre é que as coisas vão apertar e daqui a pouco começa a corrida contra o tempo.

Ontem teve festa de aniversário de 2 anos da Maria Eduarda, filhinha da minha amiga Fer. Eu não a via desde seu aniversário de 1 ano e é impressionante como a aparência dela está diferente, a menina é super social, alegre e engraçada. Uma fofa!

Hoje tem um coquetel de lançamento da exposição de arquitetura da minha cunhada, no shopping. E amanhã tem reunião do TCC de novo e depois é hora de matar as saudades da family. Essa semana está tumultuada! E na semana que vem, bye bye férias da faculdade!!!

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Esqueci de comentar aqui, no início de julho fiquei chocada com uma notícia triste. A Maria Antonieta, ex diretora da escola em que estudei e mãe de dois amigos do meu irmão, foi atacada por seus dois cachorros da raça pit bull. Ela foi pegar o brinquedo do netinho dela que caiu perto dos cachorros e eles a atacaram. O ataque durou mais de 1 hora, até os bombeiros conseguiram entrar na casa. Ela ficou 3 dias no hospital, antes de falecer.
Os cachorros eram dela, ela os alimentava todos os dias e eles a mataram! E eu já nem sei mais qual é a minha opinião sobre os cachorros dessa raça.

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Alguém sabe o que é salário? Já escutei essa palavra em algum lugar, mas já faz tanto tempo que eu nem me lembro do seu significado. Desânimo!


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Esse japinha lindinho é o Apolo, priminho recém nascido do meu namorado


por Freda Franchin às 9:28 AM