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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
VIDA NOVA QUE SEGUE
Depois da minha primeira semana de vida nova confesso que me sinto completamente confusa, alternando momentos eufóricos, felizes, tristes, aliviantes, motivadores e muitos até desanimadores. São muitas readaptações, por isso acredito que levará tempo até que eu me acostume com tudo.
Não é fácil voltar para a casa dos pais depois de 6 anos morando sozinha. Sinto falta do meu quarto só pra mim, sempre organizado com as coisas exatamente no lugar em que deixei. Sinto falta de ficar na minha, quietinha, quando não estou a fim de conversar. Sinto falta de cuidar da minha vida sozinha, de saber exatamente o que tem na geladeira, se aquela calça jeans está limpa, se preciso comprar algo, e coisas assim.
Mas por outro lado, morar com meus pais tem muito mais vantagens do que desvantagens. Primeiro porque eu tenho a sorte grande de ter uma família
maravilhosa, de termos uma casa grande e gostosa e de sermos muito amigos e unidos e termos uma convivência muito agradável, sem nunca, eu disse NUNCA acontecer desentedimentos ou brigas. A convivência diária com minha família é, sem dúvida, a melhor parte da minha volta para Bebedouro. E a minha mãe é do tipo que gosta de cuidar de tudo, e faz tudo o que eu peço, vai ao banco pra mim, compra meu pão sagrado de todos os dias, abre o portão antes de eu chegar pra eu não ter que descer do carro, já que fiquei com o único portão não eletrônico da casa. Deixa a TV bem baixinha pra eu conseguir domir direito, uma fofa completa. Fora que a melhor parte de tudo é chegar em casa na hora do almoço e já estar tudo pronto, de maneira que posso dormir 45 minutos inteiros antes de voltar pro turno da tarde. Posso afirmar com total convicção que poder almoçar em casa e tirar um longo cochilo na minha cama é impagável. Nessas horas faço questão de me lembrar de quando trabalhava na agência de publicidade em Ribeirão e pedíamos marmita em 4 pessoas. Almoçávamos, revezávamos para lavar a louça e de vez em nunca dava pra tirar um cochilinho no sofá da recepção. Ou quando trabalhei na produtora da Clube e tinha que chegar em casa à noite depois de um dia inteiro de trabalho, para preparar comida para a marmita do dia seguinte. Ou quando trabalhei no Grupo Mídia, no meu último trabalho em Ribeirão, e gastava a maior grana pra almoçar em restaurante todo dia e não tinha um único lugarzinho para tirar um cochilo. Sim, almoçar em casa é um luxo para poucos!
Estou gostando bastante do trabalho, me sentindo uma jornalista de verdade e trabalhando com palavras o dia inteiro, mas o começo em uma nova empresa, com novos colegas, novo ambiente e nova chefe é péssimo, detesto estes começos. E numa empresa tão imensa é ainda pior, porque é muuuuita gente nova, muuuitos departamentos e muuuitas filiais. Apesar de tudo estar sendo tão bacana, o tempo todo me pego pensando na minha vida de Ribeirão, no meu apê novo, no meu namorado, nas minhas amigas. Passo vários minutos do dia avaliando se está valendo a pena e se acertei quando aceitei este trabalho. Isso só o tempo vai me dizer e eu espero ansiosamente pelas respostas que ele vai me trazer.
Em minha primeira semana de trabalho fiz duas viagens para fazer a matéria de capa da revista, sobre o cultivo do abacate. Tudo muito interessante, a única coisa que não gostei foi de camelar horas no meio das plantações de abacate com meu scarpin. Eu sou uma pessoa chique, e não vou viajar pra fazer matéria de tênis, então ainda estou procurando uma alternativa para este probleminha, enquanto sou zuada pelos engenheiros agrônomos por causa do meu scarpin embarreado.
Sem dúvida a pior coisa do mundo corporativo são os horários que temos que cumprir. Sinto um ódio imenso de ter que ficar presa no departamento exatamente até as 17:48 quando não tenho nada pra fazer. Outra coisa que tem sido F-O-D-A é entrar às 7:30, que sonoooooo!!
Eu gosto de trabalhar, mas eu digo trabalhar no sentido literal da palavra, gosto de ter o
que fazer, quando o dia está lotado de atividades é que o negócio fica bom, mas quando acabam os afazeres não vejo sentido algum em ficar apenas para cumprir horário. Aí me dá uma depressão, um tédio, uma angustia insuportável ficar sem fazer nada enquanto um mundo inteiro me espera lá fora, e ainda por cima com internet bloqueada, e nesses momentos é que eu repenso mais ainda sobre a vida. Minha esperança é que a falta do que fazer seja só neste começo. Mas tenho certeza que algum dia esse absurdo da vida
corporativa será resolvido, e as empresas obrigarão seus funcionários a trabalharem e a cumprir suas tarefas e não a cumprir horário. Tenho certeza de que todo mundo ficaria muito mais motivado.
Todo fim de semana estou indo pra Ribeirão matar a saudade do meu mini apê lindo, do namorado e da minha família japonesa. Na última sexta-feira o combinado era sairmos com as meninas da faculdade e seus respectivos novos namorados, mas putz, como é difícil sair com elas, não tenho muita paciência, então prefiro logo sair com a turma do namorado em que tudo é mais fácil, combina rapidinho, todo mundo se encontra lá e pronto. Então foi o que aconteceu, as meninas fizeram frescura e namorado e eu saímos pra um barzinho com a turma dele, e o bar era na frente do rio da Francisco Junqueira, começou a chuva forte, o rio encheu, transbordou e por pouco não tivemos que ir embora nadando.
No sábado a tarde teve o lançamento do sex shop da minha cunhada e foi muito bacana, além de eu ter matado as saudades da Laura, aquela gorducha que deixou meus braços doendo de tão pesada que está, já com 7 kilos. À noite fomos para o Zaragozza, uma balada caraaaa e muito legal, me lembrou muito o Georgia, porque no começo todos ficam em suas mesas bebendo e vendo a banda e mais tarde o bar vira boate e todos ficam dançando. Muito bom, mas eu estava cansada e desaminada demais para aquele ambiente tão animado.
No domingo, namorado e eu passamos a tarde toda passeando no shooping, coisa que não fazíamos há meses, muitos meses. Comemos coisas boas no café da Paraler, comi um waffle com geléia de morango divino e finalmente comprei o novo livro da Becky Bloom, que já estou quase terminando, é viciante. Amo demais aquela livraria gigante, sou capaz de passar o dia inteiro lá e esquecer da vida. É um lugar muito mágico, quando estou lá dentro parece que estou vivendo em um mundo paralelo e muito feliz.
Como eu ocupo o primeiro lugar na lista das pessoas em que tudo acontece de uma vez, estou eu aqui tranquilamente vivendo essa minha vidinha nova quando eis que toca o meu celular. Era o Alessandro, meu querido ex-colega de trabalho do Grupo Mídia, me fazendo uma proposta de trabalho. A proposta é que eu faça o que eu fazia antes, quando trabalhava lá e eles não pagavam o salário direito, preciso atualizar diariamente os sites das 3 revistas do grupo, da minha casa mesma, sem precisar ficar lá. Veremos o que vou fazer, por enquanto estou impressionada em como essas coisas só acontecem na minha vida. Recapitulando: em dezembro quando eu tinha acabado de encontrar o apartamento perfeito, depois de uma longa busca, fiquei sabendo que gostaram do meu curriculum na Coopercitrus em Bebedouro e que me ligariam em janeiro, eu não quis arriscar e aluguei o apê assim mesmo. Em janeiro, depois de 1 mês morando sozinha e de já ter mobiliado meu mini apê inteiro e estar curtindo muuuito morar sozinha e toda aquela novidade, me ligaram da Coopercitrus e voltei a morar em Bebedouro. E agora, mais essa?! Alguém está brincando com a minha cara, só pode!
por Freda Franchin às 7:18 PM
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
FELIZ FELIZZzzzz
E lá fui eu para o postinho tomar as 2 vacinas né. E aí que a cena é clássica, eu chorando, minha mãe me consolando e a enfermeira me tratando feito bebê. A de febre amarela não doeu nadinha, fiquei apaixonada pela mão leve da enfermeira, mas maldita vacina de tétato é um verdadeiro atentado (#$%¨&*(@!!!) Doeu muuuuuito, não consegui dormir a noite de tanta dor e incomodo e hoje meu braço está doendo e com um calombo de inchaço e eu ainda tenho mais dois dias de dor pela frente. Xinguei até a última geração do infeliz que inventou essa vacina.
E hoje, depois de uma péssima e breve noite de sono, acordei quando ainda estava escuro para meu primeiro dia de trabalho. Fui capengando de desânimo, mas voltei bem animada. Admito que estou bem insegura, com medo de não saber ser jornalista, com medo de nunca conseguir entender nada sobre a cultura da cana-de-açúcar ou sobre insumos agrícolas, com medo de não conseguir fazer bons releases e tudo o mais. Tomara que este seja um medo natural de todo recém-formado que de repente se depara com a prática de tudo o que estudou na teoria.
Por enquanto está tudo maravilhoso, estou adorando meus colegas de trabalho, o ambiente e a chefe. Eu disse por enquanto.
Em meu primeiro dia como uma jornalista de verdade saí com o outro jornalista para fotografar um curso, me apresentei por e-mail para a imprensa como a nova assessora de imprensa da cooperativa, editei as matérias da próxima edição do jornal que já estavam prontas, li muito sobre os inúmeros departamentos da cooperativa e fiquei sabendo que segunda-feira vou para Ribeirão fazer uma matéria com um produtor de café e na terça vou para Jaú fazer uma matéria com um produtor de abacate.
Parece que contrariando todas as minhas expectativas e mesmo com o braço doendo, os olhos fechando de sono e uma insegurança enorme, estou feliz.
E para melhorar amanhã vou pra Ribeirão, encontrar o amor da vida e meu apartamento colorido. Terá chá da tarde para comemorar o niver da minha cunhada e churrasco de aniversário da Lili em Cravinhos.
por Freda Franchin às 8:52 PM
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
RECOMEÇANDO (De novo!)
Então que esta semana estou fazendo exame admissional, organizando os documentos que a cooperativa pediu e me preparando psicologicamente para uma exigência deles que sinceramente me faz ter até vontade de desistir do emprego: tomar vacinas. Febre amarela e tétano e esta última é aquela que você toma e fica 3 dias com o braço doendo, eu me lembro bem da última vez em que me submeti a essa tortura. As tecnologias não param de evoluir, o homem já foi até pra lua (será?) antes mesmo de eu nascer e ainda não inventaram uma maneira mais moderna de tomarmos vacinas e injeções sem agulhas! Eu já comecei a sofrer e as agulhadas já começaram doer no exato momento em que a moça do RH me deu a péssima notícia e isso foi há 2 dias.
Outra coisa que me deixou muito mais desanimada do que eu já estava foi saber do meu salário, melhor nem comentar a respeito. E eu também já estou sofrendo por antecipação ao saber que meu horário de entrada é as 7:30 da madruga, de maneira que terei que acordar às 6:30. Acho que vai demorar uns 15 anos pra eu me acostumar. Precisarei de um treinamento intensivo para conseguir voltar a dormir cedo. Cedo = 22:00.
Vocês se lembram que eu comentei aqui que sempre que eu vinha para Bebedouro passar alguns dias meu namoro entrava em crise? Eu estou aqui há apenas 3 dias e ainda nem comecei a trabalhar e a crise já começou. Melhor nem pensar em como será daqui pra frente, já que pelo menos por enquanto esta situação é permanente e nós só nos veremos nos finais de semana. Fico muito magoada por não estar recebendo o menor apoio dele, pelo contrário, quando eu estava péssima por causa do meu salário, ele só colaborou para eu me sentir ainda pior. Sei que é difícil pra ele esta mudança, mas acho que ele ainda não percebeu que pra mim é muito mais. Ele poderia ter um pouco mais de boa vontade e não deixar que a vontade imensa que ele tem de que eu continue em Ribeirão atrapalhe tudo.
Mas nem tudo é tão ruim. Apesar da saudade imensa da minha casinha de Ribeirão, aqui estou em fase de readaptação e as dificuldades são imensas. É bem difícil voltar a morar com os pais depois de 6 anos morando sozinha, a gente adquire manias absurdas! Ainda tenho a minha cama aqui e tudo o mais, o problema é que acredito com todas as minhas forças que não consigo mais dividir quarto com minha irmã que é a campeã mundial de bagunças. Tem o quarto dos meus irmãos que fica vazio porque um se foi para sempre e o outro mora bem longe, mas os guarda-roupas estão lotados e eu sinceramente prefiro esvaziar o do que mora longe do que o do que se foi pra sempre. Mas ainda não decidi se vou mesmo mudar de quarto.
Então é isso, daqui a pouco vou encarar as agulhas e provavelmente amanhã começo a labuta. Daqui pra frente é vida nova e eu preciso encarar isso de maneira positiva sem ficar pensando o tempo todo em tudo o que eu deixei em Ribeirão.
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Não falei nada sobre carnaval aqui simplesmente porque nao tive carnaval, estava completamente sem dinheiro. Pra não falar que não fiz nada, no sábado eu, namorado, Yvi, Renato e Laura fomos para o Thermas de Olímpia, o paraíso dos paraísos, e curtimos um dia de sol muito gostoso junto daquela gorducha fofa. No final da tarde viemos todos para Bebedouro e meus pais amaram sentir o gostinho de ter um bebê em casa. No domingo rolou um churrasco em casa e no fim da tarde voltamos para Ribeirão. Chegando lá namorado e eu ainda fomos para outro churrasco na casa do Rangel. E o carnaval terminou com uma quarta-feira de cinzas muito animada. O clube da luluzinha se reuniu na minha casa e colocamos a conversa em dia.
Eu e a gorducha no clube. As bochechas dela fizeram o maior sucesso!
por Freda Franchin às 12:22 PM
Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008
PERDER PARA GANHAR
É com este pensamento que estou encarando as mudanças que estão acontecendo na minha vida. Acredito que às vezes o destino encontra soluções incompreensíveis para colocar ordem nas coisas e eu estou simplesmente colocando tudo nas mãos de Deus. Literalmente deixando a vida me levar. Tenho certeza que Deus tem um motivo muito bom para me tirar de Ribeirão neste exato momento.
O fato é que eu consegui o emprego dos meus sonhos, o emprego do sonho de qualquer recém-formada. Um emprego de verdade, mais na minha área impossível e numa grande empresa. Seria perfeito se não me obrigasse a abandonar coisas que amo muito, como esta cidade que eu amo e a rotina deliciosa que tenho com meu namorado.
Às vezes paro para pensar nos detalhes e já fico com saudade dos caminhos que eu tanto gosto aqui em Ribeirão, do Pão de Açúcar 24 horas, dos finais de semana na casa do namorado, da padaria maravilhosa da Henrique Dumond, da rua Henrique Dumond inteira, do Ribeirão Shopping, das lojas da rua Barão do Amazonas, dos meus médicos queridos, da vida noturna, do clima universitário. Vai ser um verdadeiro desafio viver longe desta cidade.
Mas tenho tentado pensar mais nos pontos positivos como voltar a morar em Bebedouro, uma cidade tranqüila e se é péssima em termos de vida noturna, é perfeita para trabalhar, com um trânsito calmo, vou trabalhar pertinho de casa e poderei ir almoçar em casa, coisa impossível de ser fazer em Ribeirão. Também voltarei a ter minha rotina familiar de que tanto sinto falta, vou amar voltar a morar com meus pais e minha irmã.
Por enquanto meu apartamento vai ficar aqui, até que eu consiga pensar numa solução.
Bom mesmo é pensar no meu lado profissional e em como este trabalho me fará crescer e aprender. Vou trabalhar escrevendo muuuuito e isso é o mais importante. O departamento de comunicação da empresa inclui revista, jornal, site, organização de eventos e assessoria de imprensa. O que mais eu poderia querer? A parte chata é que a empresa engloba assuntos complicados dos quais não tenho o menor conhecimento, como agronegócios em geral.
por Freda Franchin às 12:04 AM
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