Freda Franchin tem 28 anos. Começou 2008 realizando um sonho antigo: foi morar sozinha depois de 5 anos morando em república. Mora em Ribeirão Preto e adora o seu cabelo. Tem mil planos e projetos, mas normalmente não consegue realizar nenhum. Adora brócolis, sopa, pimenta e tudo que é feito de batata. Ama leite condensado. Na cozinha só sabe cozinhar o trivial, mas o tempero de seu feijão é capaz de conquistar um coração. Sonha em conhecer o Tahiti e a Austrália, mas no fim vai acabar ficando aqui pra sempre, porque ela não é uma pessoa de muita iniciativa. É ligadíssima à família, principalmente a seus pais e irmãos. Tem primas trigêmeas, dois primos americanos e duas primas gêmeas francesas. Também tem uma bisavó alemã, que nunca conheceu. Tem um irmão nadador que era lindo de *viver*. Ele faleceu aos 23 anos, no dia 12/12/2004, num acidente de moto. A dor é gigantesca. A saudade é eterna. E ela sente como se a ficha não fosse cair nunca. Mesmo assim, ela agradece a Deus por cada minuto dos 23 anos maravilhosos e inesquecíveis que passou ao lado dele. Adora MPB e sua música preferida é Wave do Tom Jobim. Na verdade, ela tem várias músicas preferidas. Mas odeia rap. E funk. E há algum tempo aprendeu a gostar de pagode. Aprendeu a viver a vida intensamente. Um dia de cada vez, como se cada minuto fosse o último. É uma publicitária frustrada que acabou de se formar em jornalismo e continua tentando descobrir um jeito de ganhar dinheiro fazendo o que ela mais ama na vida, que é escrever. É viciada em revistas de todos os tipos, principalmente as de mulherzinhas. Tirando bula de remédio, lê tudo que lhe cai nas mãos. Adora escrever, mas odeia gramática. Já escreveu dois livros, mas não plantou nenhuma árvore e o filho só vem depois dos 30. Ele vai se chamar Gabriel. Seu namorado é um japonês saradinho, dono de uma alma encantadora e a boca mais linda do mundo. Um anjinho oriental que ela insiste em achar que foi seu irmão que lhe mandou. Não tem ídolos, mas também não tem fãs. Odeia gostar de coisas que todo mundo gosta. Fez uma cirurgia nos olhos que a livrou de 14 graus de miopia e hoje está feliz da vida com seus olhos novinhos em folha. Tem pavor de agulha e já levou pontos na palma da mão. Sim, ela fez o maior escândalo. Foge quando tem que tomar vacinas. Vive dando ordens ao seu coração. Nunca teve catapora. Já ficou internada duas vezes, as duas por causa do dente do siso. Depois que perdeu seu irmão, aprendeu a falar EU TE AMO. Na verdade, depois que perdeu seu irmão, ela aprendeu muitas coisas e hoje é uma pessoa completamente nova que se descobriu muito forte. Já fez dieta para engordar. Hoje luta contra as banhas que se alojaram em sua barriga. Tem umas manias esquisitas, como passar creme nívea na boca e só dormir se tiver um copo d´água ao lado da cama. Dançou jazz e bale por cinco anos. Já treinou caratê, mas parou depois de levar um soco no nariz e começar a chorar no meio de uma competição séria. Hoje não faz mais nada e não anda a pé nem até a esquina. Mas está criando coragem pra voltar pra academia. É curiosa, mimada, preguiçosa, fresca, carinhosa, confusa e tem sono demais. Adora comida chinesa. Se formou no curso de inglês, mas já esqueceu quase tudo. Não consegue confiar nos homens e tem medo de casamento. Já trabalhou quatro anos no cartório de sua mãe, daí os traumas de casamento. Já teve um amor platônico que se concretizou. É uma pessoa muito nostálgica. Sempre fica amiga de seus ex-namorados. Depois que seu irmão se foi, ficou corajosa, colocou um piercing na orelha que é sua paixão e fez uma tatuagem na nuca, em homenagem ao seu irmão: é uma estrelinha azul, escrito o nome dele dentro: Dú. Nunca fumou, mas sempre fica bebinha e adora uma caipirinha de morango com vodca. E a ressaca no dia seguinte é destruidora. Nunca teve cólicas, nem TPM. Ela já beijou um inglês chamado Sean e também um argentino com nome de sabão em pó, chamado Ariel. Seu irmão caçula é um policial militar, loirinho e intelectual que mora muito longe e faz faculdade de Direito. Já bateu o carro duas vezes. As duas na mesma esquina, no mesmo ano e no mesmo dia da semana. Tem uma família sensacional, unida como pouco se vê por ai. Tem uma irmã linda. Que é nutricionista e vive passando dieta pra todo mundo. Sua melhor amiga é a melhor enfermeira do planeta, que também é sua eterna cunhada. Tem sete melhores amigas. Seis ela conhece desde criança. A outra morou com ela durante cinco anos. Sua festa de 15 anos foi um acontecimento em sua cidade. Não, não teve valsa nem ator famoso. Mas teve Dj e muitos convidados. Muitos mesmo. Reprovou três vezes no exame de motorista. Adora bebês, mas não sabe se vai conseguir ter um. É por causa do parto, que envolve agulha. Seus pais são apaixonados. E também são apaixonantes. Sua casa vive sempre cheia de pessoas queridas e amigas. A maioria, amigos de seu irmão, que hoje é uma estrela. Seus pais vivem dando festas e adoram ver a casa cheia de gente. Sua mãe também fez uma tatuagem em homenagem ao Dú. Seu pai tem uma voz e tanto, mas tem bebido muito, tentando superar a perda do Dú. Freda é viciada em gloss e leite integral. Com nescau. É viciada em fotografia. E leva a máquina digital pra todo lado. Apesar de tudo, acredita que a felicidade está nas coisas simples da vida e agora que acredita em destino, espera que tenha coisas muito boas reservadas para ela.

E-mail
fredafranchin@gmail.com

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

CARGA COMPLETA


Sabe quando você coloca o celular para carregar até que a frase “carga completa” aparece no visor? É exatamente assim que estou me sentindo depois de praticamente 5 dias de folga. Quase 5 porque na quarta-feira bem cedinho fui para a Agrishow, participei da coletiva de imprensa da Valtra e por volta do meio dia já estava liberada. Eu mal podia acreditar que eu tinha um dia de folga, num dia de semana, em Ribeirão Preto. Deu pra almoçar na casa da sogra, matar a saudade da Lalinha, matar a saudade do meu apezinho, comer açaí no Porto do Açaí, fazer comprinhas de praia com o namorado no Shopping e no fim da noite fui pra casa arrumar a mala e tirar um cochilo. Pegamos estrada rumo à vida boa a 1 da manhã. Depois de quase 7 horas de viagem chegamos em Itanhaém e o dia estava sem chuva, mas um pouco nublado. Fizemos compras no supermercado, demos um pulo na praia, almoçamos uma salada caprichada e ao meio dia eu já estava entregue aos braços de morfeu. Dormi a tarde inteira e a noite fui dormi super cedo. Só nesse dia já coloquei o sono em dia.

Sexta-feira o dia ficou chuvoso, mas como praia é sempre bom, passamos a tarde num quiosque na beira da praia comendo camarão, carangueijo e casquinha de siri e tomando cerveja e caipirinhas. Mesmo com aquela chuvinha, aquele visual deslumbrante bem ali na nossa frente, compensou tudo. Foi a primeira vez que eu comi carangueijo, na verdade nem sei como tive coragem de comer aqueles bichos esquisitos, mas a carne até que é bem boa. Mas é trabalho demais pra carne demais.

No dia seguinte, sabadão, acordamos preguiçosos, já esperando mais um dia de chuva, mas quando levantamos demos de cara com um céu azul, um sol escancarado e nenhuma única nuvem no céu. Era dia de colocar biquíni e passar o dia na praia. Mal podíamos acreditar. Viajamos completamente conformados que não pegaríamos sol, então aquele dia lindo foi um verdadeiro presente.
Passamos o dia inteiro diante daquele visual maravilhoso, tomando cerveja, caminhando e comendo todas aquelas coisas engordativas que vende na areia. Até de bicicleta eu andei, coisa que eu não fazia há uns 10 anos, foi realmente libertador. À noite, depois de um bom cochilo, saímos pra fazer um turismo básico, fomos bater perna no centro da cidade, que estava animadérrimo. O centro de Itanhaém é foférrimo, tudo tão planejadinho, colorido e arrumadinho. Eu passei boa parte da minha infância indo para Itanhaém todos os meses de janeiro, pra casa da minha madrinha, por isso a viagem teve um gostinho de saudade pra mim. Ir para um lugar em que já estive tantas vezes, com minha família, com meu irmão, foi realmente especial e me trouxe muitas lembranças, como as fotos que tirávamos na estátua Mulheres de Areia e o Dú e eu, os corajosos, entrando no mar até não dar mais pé, enquanto minha mãe gritava desesperada para voltarmos. Chegamos em casa bem cansados e ainda vimos um filme.

No domingo, quando me deparei com mais um dia de céu azul, desisti na mesma hora de pegar estrada para chegar cedo em Ribeirão. Passamos mais umas boas horas na areia, e só pegamos estrada às 7 da noite. Esta viagem foi literalmente um retiro espiritual.


por Freda Franchin às 7:37 PM